O país onde mulheres não podem dizer seus nomes e são enterradas como anônimas

Ao nascer no Afeganistão, uma menina pode ficar anos sem receber um nome.

Quando se casa, o nome da mulher não é nem escrito nos convites para a cerimônia.

Ao adoecer, muitas vezes ela é atendida por um médico que não sabe seu nome e tampouco o escreve na receita.

Quando morre, o comum é que o nome de uma mulher não apareça nem na certidão de óbito, nem na lápide.

As famílias do Afeganistão costumam forçar as mulheres a manter seus nomes em segredo, em todas etapas da vida.

Mas, com as redes sociais, elas estão se manifestando para interromper esse ciclo através da campanha “WhereIsMyName” (“Onde está meu nome?”).

#WhereIsMyName

A campanha WhereIsMyName? foi lançada há cerca de três anos por jovens mulheres — Foto: BBC

A campanha WhereIsMyName? foi lançada há cerca de três anos por jovens mulheres — Foto: BBC

Veja trechos do depoimento de Flavio Bolsonaro em inquérito sobre suposto vazamento de operação da PF

O Jornal Nacional teve acesso ao vídeo do depoimento do senador Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no inquérito que investiga o suposto vazamento da operação da Polícia Federal que atingiu Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador.

Flavio Bolsonaro prestou depoimento ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro no dia 20 de julho. O procurador Eduardo Benonesal, do Rio, ouviu Flavio na investigação sobre o suposto vazamento da Operação Furna da Onça, da Polícia Federal.

A operação revelou movimentações financeiras suspeitas em gabinetes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, inclusive de Fabrício Queiroz. Flavio Bolsonaro não era investigado.

O procurador mostrou a Flavio trechos de depoimentos já prestados anteriormente. O primeiro foi o de Paulo Marinho, revelado pelo Jornal Nacional na semana passada. Marinho explicou que em um encontro na casa dele, o advogado Victor Granado, amigo de infância de Flavio Bolsonaro, contou como tudo teria acontecido.

Ele disse que o vazamento partiu de um delegado da PF, que teria adiantado que a operação atingiria pessoas ligadas a Flavio. O senador se irritou ao ver o vídeo.

“Vou ter que ficar ouvindo isso aqui cinco horas? Não vou aguentar, com todo o respeito, doutor”, afirmou.

Em seguida, Flavio Bolsonaro confirmou que pediu uma reunião com Paulo Marinho no dia 13 de dezembro de 2018 na casa do empresário, no Rio. E que foi aconselhado a fazer isso pelo pai, o então presidente eleito Jair Bolsonaro.

Procurador: “Eu quero saber o seguinte: a motivação que o senhor teve para fazer esse movimento de conversar com o senhor Paulo Marinho, de ter ido a essa reunião, teria sido a preocupação com essa notícia?”.

Flávio Bolsonaro: “Para mim, não é nada (inaudível) com o Queiroz. Todo mundo, a imprensa atirando pedra em mim, eu tinha que me defender, eu tinha que buscar (inaudível). Foi essa intenção, porque o Paulo Marinho, eu tinha a percepção que ele era uma pessoa bem relacionada no mundo jurídico, então, fui consultá-lo, se ele tinha uma pessoa para me indicar, foi isso.”

Flavio negou a suspeita de que recebeu informações vazadas da PF. O procurador lembrou que Paulo Marinho disse que soube do vazamento pelo amigo de Flavio, Victor Granado.

“Ele, certamente, ouviu uma coisa e entendeu errado”, declarou Flávio.

Procurador: “A minha pergunta é se o senhor falou.”

Flávio: “Não ouvi.”

Procurador: “Nunca ouviu de reunião?”

Flávio: “Nunca ouvi de reunião que aconteceu na porta da Polícia Federal para isso.”

O procurador perguntou se Flavio esteve na sede da PF no Rio no período em que Paulo Marinho alega ter havido vazamento. Flavio disse que costumava ir à Polícia Federal frequentemente em reuniões de associações que representam policiais e que não sabe precisar datas.

O procurador, então, mostrou um trecho do depoimento de Victor Granado. Nesse trecho, Victor invocou o dever de sigilo não revelar o que foi tratado na reunião na casa de Paulo Marinho.

As principais testemunhas já foram ouvidas nessa investigação do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. Agora, o MP quer analisar as imagens do circuito interno da casa de Paulo Marinho.

Versões

A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que as declarações de Marinho têm objetivo de manipular a Justiça

Paulo Marinho disse que entendeu perfeitamente o que viu.

Victor Granado não se manifestou.

O JN não conseguiu contato com a defesa de Fabrício Queiroz.

Moraes amplia multa e intima presidente do Facebook no Brasil por não cumprir bloqueio de contas bolsonaristas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu aumentar nesta sexta-feira (31), de R$ 20 mil para R$ 100 mil ao dia, a multa aplicada ao Facebook pelo descumprimento da decisão de bloquear, em todo o mundo, contas mantidas por perfis bolsonaristas na rede social.

No despacho obtido pela TV Globo, Moraes afirma que a ordem de impedir acesso às contas vem sendo descumprida há oito dias e que, por isso, há uma multa acumulada de R$ 1,92 milhão. A partir desta sexta, a multa será de R$ 1,2 milhão ao dia – R$ 100 mil para cada uma das 12 contas a serem barradas.

Moraes, relator no STF de um inquérito sobre disseminação de fake news e ofensas a autoridades, também determinou a intimação pessoal do presidente do Facebook no Brasil – identificado no documento como Conrado Leister.

No início da tarde, o Facebook já havia afirmado em nota que recorreria da decisão de Moraes sobre o bloqueio internacional das contas. No comunicado, a rede social não informou se, enquanto isso, cumpriria a determinação. O G1 fez novo contato com a empresa e aguarda posicionamento.

>> Confira abaixo a linha do tempo do caso

“Respeitamos as leis dos países em que atuamos. Estamos recorrendo ao STF contra a decisão de bloqueio global de contas, considerando que a lei brasileira reconhece limites à sua jurisdição e a legitimidade de outras jurisdições”, disse o Facebook antes da nova decisão de Moraes.

O efeito Flamengo na vida de seu novo técnico

Anunciado há pouco como novo técnico do Flamengo, o espanhol Domènec Torrent já teve uma palhinha do turbilhão em que acaba de entrar.

Suas publicações no Instagram tinham em média 50 comentários. O post em que se apresenta à torcida rubro-negra já acumula 20,8 mil comentários duas horas após ir ao ar. A maioria esmagadora, claro, é de flamenguistas dando boas-vindas ao catalão.

Lauro Jardim/ O Globo

Eduardo Sasha consegue rescisão de contrato com o Santos na Justiça; clube vai recorrer

O atacante Eduardo Sasha conseguiu a rescisão indireta de contrato com o Santos na Justiça.

O despacho foi publicado na noite desta sexta-feira, pelo juiz Carlos Ney Pereira Gurgel, da 6ª Vara do Trabalho de Santos, que concedeu a tutela de urgência ao jogador. Procurado, o Santos diz que vai recorrer da decisão. O Atlético-MG já aparece como principal interessado no atacante.

– Logo, diante de todos os fatos analisados, concedo a tutela de urgência ao autor para declarar a rescisão indireta de seu contrato de trabalho com o Santos Futebol Clube, ficando autorizada a sua transferência “para outra entidade de prática desportiva, inclusive da mesma divisão, independentemente do número de partidas das quais tenha participado na competição, bem como a disputar a competição que estiver em andamento”, na forma do art. 31 da Lei 9.615/1998 – diz o documento.

Sasha acionou o Santos na Justiça há pouco menos de duas semanas alegando falta de pagamento dos salários, direitos de imagem e falta de recolhimento do FGTS. O atacante também pede pagamento de verbas rescisórias e compensatórias. O valor da ação é de R$ 15.532.467.

Nos últimos dias, para tentar evitar a saída de Sasha de graça, o Santos depositou valores devidos em juízo, sem sucesso. Neste momento, portanto, o atacante está livre no mercado para acertar com outra equipe.

Sasha tinha vínculo com o Santos até o fim de 2022. O Peixe se comprometeu a pagar dois milhões de euros no início deste ano para ficar com 100% dos direitos do atacante – o valor, inclusive, ainda não foi depositado ao Inter, que cobra o Peixe.

E o Everson?

Diferentemente do caso do atacante, a Justiça rejeitou o pedido de tutela de urgência na ação que o goleiro entrou contra o clube. Uma audiência foi marcada para o dia 24 de agosto.

Everson processou o clube pelos mesmos motivos que Sasha – falta de pagamentos. O goleiro cobra mais de R$ 7 milhões do Santos.

Por Gabriel dos Santos — Santos, SP

Triplete confirmado! Nos pênaltis, PSG conquista Copa da Liga sobre o Lyon

  • Mais um triplete!

    Não foi uma final daquelas de encher os olhos, mas o PSG, uma semana depois de vencer a Copa da França, conquistou nesta sexta-feira mais um título nacional na temporada ao bater o Lyon nos pênaltis e ficar com a taça da Copa da Liga Francesa. No Stade de France, as equipes não movimentaram o placar no tempo normal e na prorrogação, e Keylor Navas foi herói ao defender cobrança de Traoré. Sarabia converteu o pênalti que deu ao time de Paris seu nono título na competição – é o maior vencedor -, que não será mais realizada. Foi o quarto triplete (título da liga e das duas copas) do PSG, que em 2019/20 ainda venceu a Supercopa, em seis temporadas!

    Festa do título do PSG - Copa da Liga Francesa

    Festa do título do PSG – Copa da Liga Francesa (Foto: Reprodução/Twitter)

  • O jogo

    O PSG começou assustando em chutes de longa distância. Neymar, duas vezes, e Gueye levaram perigo ao gol de Anthony Lopes no primeiro tempo. O Lyon chegava pouco, e desperdiçou chance com Dembélé, que furou dentro da área. Na segunda etapa, o ritmo caiu e o Lyon igualou as chances, mas foi Neymar quem teve a melhor oportunidade em cabeçada defendida pelo goleiro.

    O goleiro Kaylor Navas é festejado pelo time do PSG após a conquista da Copa da Liga Francesa

    O goleiro Kaylor Navas é festejado pelo time do PSG após a conquista da Copa da Liga Francesa (Foto: FRANCK FIFE / AFP)

    A prorrogação contou com uma finalização perigosa para cada lado e um susto do Lyon em cobrança de escanteio. O momento de maior emoção foi a expulsão de Rafael, que parou Di María com carrinho por trás e foi expulso faltando um minuto para o fim. Neymar teve a chance na cobrança de falta, mas não bateu bem. A decisão ficou para os pênaltis, onde os 10 primeiros cobradores converteram. Navas pegou a batida de Traoré, e Sarabia confirmou a conquista do PSG.

  • Hegemonia

    O PSG conquistou seu nono título da Copa da Liga Francesa (venceu também em 1995, 1998, 2008, 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018). Além disso, o time ainda lidera em conquistas na Copa da França – tem 13 -, e é o segundo com mais títulos do Campeonato Francês – empatado com o Olympique de Marselha com nove, um a menos que o Saint-Étienne.

  • 23º título de Neymar

    O brasileiro aumentou sua coleção de troféus ao longo da carreira. Sem contar a Olimpíada – competição jogada por seleções sub-23 -, agora são 23 títulos no currículo. Veja:

    Neymar e Keylor Navas comemoram título do PSG na Copa da Liga Francesa

    Neymar e Keylor Navas comemoram título do PSG na Copa da Liga Francesa (Foto: REUTERS/Christian Hartmann)

    3 Campeonatos Paulistas (2010, 2011 e 2012)

    1 Copa do Brasil (2010)

    1 Libertadores (2011)

    1 Recopa Sul-Americana (2012)

    1 Copa das Confederações (2013)

    1 Supercopa da Espanha (2013)

    2 Campeonatos Espanhóis (2014/15 e 2015/16)

    3 Copas do Rei (2014/15, 2015/16 e 2016/17)

    1 Liga dos Campeões (2014/15)

    1 Mundial de Clubes (2015)

    3 Campeonatos Franceses (2017/18, 2018/19 e 2019/20)

    2 Copas da França (2017/18 e 2019/20)

    1 Supercopa da França (2018)

    2 Copas da Liga Francesa (2017/18 e 2019/20)

De mofo no pulmão a infecção no coração: sequelas da Covid-19 ameaçam ‘recuperados’

Cinco dias depois de anunciar que estava curado do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro disse que sentiu fraquezas e que passou a tomar antibióticos para combater uma infecção no pulmão.

“Também, depois de 20 dias em casa, a gente pega outros problemas. Peguei mofo no pulmão”, brincou Bolsonaro em uma de suas lives na internet, na quinta-feira.

Há poucas informações sobre o mais recente problema de saúde do presidente. Sequer existe uma confirmação de que a infecção teria sido consequência direta do coronavírus que o acometeu.

Mas o problema pulmonar de Bolsonaro levanta um debate sobre quando um paciente pode ser considerado “recuperado” ou não da Covid-19.

Mesmo que o paciente seja declarado livre da doença, o que se tem observado é que o coronavírus pode provocar sequelas e outros problemas de saúde.

O rótulo de “paciente recuperado” que aparece em diversas estatísticas oficiais sugere que a pessoa conseguiu voltar à sua vida normal sem transtornos, mas isso pode ser enganoso.

Estudos recentes mostram que ainda é preciso investigar mais profundamente quem se recuperou totalmente da doença — e quem segue vivendo com sequelas da Covid-19.

Problemas cardíacos

Dois novos estudos publicados nesta semana revelam um lado assustador da recuperação do coronavírus.

Ambos foram feitos com pacientes na Alemanha e publicados pela revista científica Journal of the American Medical Association (Jama).

O primeiro deles, com 100 pacientes que tiveram coronavírus, mostrou que 78% apresentaram algum tipo de anomalia no coração mais de dois meses depois de se recuperarem da Covid-19. Boa parte dos doentes (67%) tiveram uma forma branda da doença e sequer foram hospitalizados.

Mas em 60% dos casos, foi detectada uma inflamação no coração cerca de 70 dias depois.

O preocupante nesse estudo é que os pacientes analisados eram considerados saudáveis e com idade média de 49 anos. Outra fonte de preocupação é que muitos desses problemas cardíacos aconteceram de forma silenciosa.

Os pacientes não apresentaram sintomas externos, e as deficiências no coração foram detectadas apenas com ressonância magnética e exames de sangue.

“Nós não queremos gerar ainda mais ansiedade mas sim incitar outros pesquisadores a examinarem cuidadosamente os dados existentes e que serão coletados para confirmar ou negar nossas descobertas”, escreveram os pesquisadores Clyde Yancy e Gregg Fonarow, que assinam um artigo na revista.

A segunda pesquisa envolveu a autópsia de 39 vítimas de covid-19. Em 24 delas (61%), foi detectada a presença do coronavírus no coração. Os cientistas dizem que isso indica que é preciso investigar mais profundamente o potencial dano que o Sars-CoV-2 pode causar no coração.

Há ainda inúmeros relatos de pessoas que desenvolveram diferentes sintomas após contrair a doença, como problemas pulmonares e perda de paladar e olfato.

Cientistas também pesquisam sobre o efeito que o coronavírus pode ter no cérebro, como inflamação, e na maior incidência de coágulos do sangue, que podem causar derrames.

‘Mofo no pulmão’

Problemas respiratórios, como o relatado por Bolsonaro, estão entre as sequelas analisadas por alguns cientistas.

No começo de julho, a revista Jama publicou outra pesquisa com 143 recuperados de Covid-19 na Itália feita pela Policlínica Gemelli, de Roma.

Dois meses depois da doença, apenas 12,6% dos pacientes disseram estar completamente recuperados, sem nenhum sintoma.

Os outros 87,4% reclamaram de pelo menos algum problema. Entre os sintomas relatados, estão fadiga (53,1%), falta de ar (43,4%), dor nas juntas (27.3%) e dor no peito (21,7%).

Para 44,1%, houve uma piora na qualidade de vida.

Como a covid-19 é uma doença nova, ainda não se conseguiu estudar quanto tempo leva para se recuperar dela e quais podem ser as implicações de longo prazo.

Os autores do estudo ressaltaram a importância de se acompanhar pacientes recuperados mesmo meses depois da doença.

A fadiga parece ser um dos sintomas mais recorrentes. Uma das condições estudadas se chama encefalomielite miálgica, que é popularmente conhecida como fadiga crônica.

Há anos cientistas estudam se essa fadiga crônica está relacionada com infecções virais. A observância desses casos em ex-pacientes de Covid-19 reforçaria essa tese.

A síndrome de fadiga crônica é uma condição debilitante de longo prazo no qual a pessoa afetada sente uma série de sintomas. O mais importante deles é um esgotamento que não melhora com repouso ou sono e que afeta os pacientes em todos os aspectos da sua rotina.

Outros sintomas comuns são dor, falta de clareza mental e problemas de memória e de sono. Pacientes com esse problema não conseguem mais ter uma vida normal, com uma rotina de trabalho, e acabam desenvolvendo problemas de saúde emocional, como baixa auto-estima.

No entanto, depois de lutar durante cinco semanas contra os principais sintomas da doença, ele não teve mais condições de morar sozinho e precisou voltar para a casa dos pais.

Há ainda um problema adicional: os assintomáticos. Em tese, mesmo quem teve coronavírus e não apresentou sintomas da doença poderia desenvolver complicações posteriores, como problemas respiratórios ou inflamação cardíaca. Mas ainda não há estudos suficientes sobre esses casos.

Estatísticas incompletas

Todas essas sequelas da Covid-19 não aparecem nas estatísticas oficiais.

Pacientes que seguem sofrendo com problemas relacionados à doença são classificados oficialmente como “pacientes recuperados” — um amplo guarda-chuva que abriga todo mundo que não sucumbiu à doença.

Essa categoria de “paciente recuperado” aparece em diversas estatísticas oficiais.

No portal do governo federal, é a estatística que tem com maior destaque: 1,8 milhões de pacientes recuperados — em um universo de 2,6 milhões casos confirmados neste ano.

No mundo, são 10 milhões de recuperados entre 17 milhões de casos confirmados, segundo a universidade americana Johns Hopkins.

Mas não há uma distinção entre quem voltou à sua vida normal e quem precisa conviver com sequelas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como recuperados aqueles que tiveram dois resultados negativos para Sars-CoV-2 com pelo menos um dia de intervalo. Para os casos leves, a OMS estima que o tempo entre o início da infecção e a recuperação dure até 14 dias.

Mas o Brasil, assim como vários outros países, não segue exatamente esse critério por não haver testes suficientes em escala.

No Brasil, os recuperados incluem pessoas que foram hospitalizadas e receberam alta e também os casos leves em que não houve registro de hospitalização ou de óbito nos últimos 14 dias. Por esse último critério, o presidente Bolsonaro deve entrar nesta estatística de recuperados.

O problema da recuperação incompleta provocou uma mudança nas políticas públicas de saúde em outros lugares, como na Inglaterra.

O NHS England, sistema de saúde da Inglaterra, vai lançar um portal especial chamado “Sua recuperação da covid” dedicado apenas às pessoas que estão sofrendo com sequelas de longo prazo da doença. Segundo o sistema, há “dezenas de milhares de pessoas” nesta condição na Inglaterra.

O governo britânico pretende investir 8,4 milhões de libras (R$ 56 milhões) em novos estudos sobre os efeitos de longo prazo da covid-19.

Nos Estados Unidos, pessoas que tiveram covid-19 têm se mobilizado para enfrentar juntas a difícil tarefa de se recuperar.

Uma sobrevivente do coronavírus criou o Survivor Corps, em que pacientes recuperados — mas que sofrem com sequelas — relatam seu dia-a-dia em formato de diário. O grupo também ajuda cientistas a encontrarem voluntários para participarem de novos estudos sobre os efeitos de longo prazo do coronavírus.

Por BBC

Brasil registrou 52.509 novos casos e 1.191 mortes por Covid-19, mostra consórcio de veículos de imprensa no boletim das 20h

O Brasil registrou, as últimas 24 horas, 52.509 novos casos e 1.191 mortes por Covid-19. No total, o país tem 92.568 óbitos e 2.666.298 diagnósticos positivos para o novo coronavírus.

As informações são do boletim das 20h do consórcio de veículos de imprensa, formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo, que reúne informações das secretarias estaduais de Saúde.

ConsulteVeja aqui como está a situação do coronavírus no seu estado

São três boletins diários. O próximo será liberado às 8h de sexta-feira. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

A pasta informou na noite desta sexta-feira que o Brasil registrou 52.383 novos casos de Covid-19, além de 1.212 mortes provocadas pela doença, das quais 461 ocorreram nos últimos três dias. Com isso, o país chega a 2.662.485 infectados e 92.475 óbitos. Há ainda 3.529 mortes em investigação pela pasta.

InovaçãoGráfico animado mostra evolução da mortalidade por Covid-19 nos estados

São Paulo é o estado com mais casos da doença: 542.304 até momento. Seguido por Ceará (173.882), Bahia (166.154), Rio de Janeiro (165.495) e Pará (154.685). Em relação às mortes, São Paulo também aparece na frente, com 22.997 óbitos. Depois vêm Rio de Janeiro (13.477), Ceará (7.668), Pernambuco (6.557) e Pará (5.728).

Obrigatória no Brasil, vacina para tuberculose pode evitar contágio e mortes por coronavírus, diz estudo

Um estudo publicado esta sexta-feira na revista Science Advances mostrou que países com vacina obrigatória para o bacilo Calmette-Guérin (BCG), que protege contra as formas graves da tuberculose, exibiram em geral taxas mais baixas de infecção e morte por Covid-19 durante o primeiro mês da pandemia em seus territórios.

EntendaPor que o Brasil é o país onde mais morrem grávidas e mulheres no pós-parto por Covid-19 no mundo?

O modelo foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Michigan, nos EUA, país onde a imunização não é obrigatória. De acordo com o levantamento, se a vacina fosse implementada, 460 pessoas teriam morrido por Covid-19 naquela nação no dia 29 de março de 2020 — o que equivale a apenas 19% do total de óbitos constatados naquela data (2.467).

AstraZeneca e governo assinam termos da parceria para produção da vacina contra a Covid-19

Representantes do governo federal e a AstraZeneca assinaram nesta sexta-feira (31) um documento que dará base para o acordo de parceria na elaboração de uma vacina contra a Covid-19. A expectativa agora é que a parceria seja formalizada na segunda semana de agosto.

A AstraZeneca é a segunda maior farmacêutica do Reino Unido e atua junto com a Universidade de Oxford na pesquisa da vacina batizada de ChAdOx1, em teste no Brasil.

De acordo com o Ministério da Saúde, o documento trata da transferência de tecnologia e da produção de 100 milhões de doses da vacina, caso seja comprovada a sua eficácia e segurança.

Ainda segundo a pasta, a assinatura é segundo passo nas negociações realizadas pelo governo federal, a Embaixada Britânica e o laboratório AstraZeneca. A parceria foi anunciada em 27 de junho.

“O Ministério da Saúde prevê um investimento de R$ 522,1 milhões na estrutura de Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz produtora de imunobiológicos. O objetivo é ampliar a capacidade nacional de produção de vacinas e tecnologia disponível para a proteção da população. Outros R$ 1,3 bilhão são despesas referentes a pagamentos previstos no contrato de Encomenda Tecnológica.” – Ministério da Saúde

A diretora de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Camile Giaretta, afirmou em nota que foi dado “mais um passo importante para a formalização do acordo entre os laboratórios”.

Produção em dezembro

Ainda segundo nota do Ministério da Saúde, o acordo prevê o início da produção da vacina no Brasil a partir de dezembro deste ano.

“E garante total domínio tecnológico para que Bio-Manguinhos tenha condições de produzir a vacina de forma independente”, diz o governo. A vacina produzida por Bio-Manguinhos será distribuída pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), que atende o Sistema Único de Saúde (SUS).