Análise: frágil e previsível, Cruzeiro revive erros antigos, e luta contra Z-4 vira pesadelo sem fim

O Cruzeiro saiu de campo mais uma vez sem vencer nesta Série B. Foi assim em 14 dos 22 jogos que fez na competição. Os erros apresentados no empate por 1 a 1 com o Figueirense, em pleno Mineirão, lembraram muito aqueles que assombravam o time sob comando de Enderson Moreira e Ney Franco. O futebol ruim justifica o fato de o G-4 da Série B (12 pontos) nunca estar mais perto do que o Z-4 (cinco pontos) para o Cruzeiro.

Os dois antecessores de Felipão chegaram com discurso de marcação alta e proposição de jogo. Falharam. E o Cruzeiro da noite dessa sexta-feira, também. O time foi previsível para atacar e, quando foi atacado, demonstrou fragilidades que não apareciam antes da partida contra o Guarani, na rodada passada.

Scolari surpreendeu ao usar Régis aberto, colocando Sobis como segundo atacante. Uma companhia para Marcelo Moreno que, apesar de estar longe de viver seus áureos tempos, sofre com a falta de produção da equipe. A bola chega pouco. Foram apenas nove finalizações. Assim como o gol, as únicas outras bolas que despertaram atenção de Sidão foram em chutes de fora, com Régis e Jadsom Silva, no segundo tempo.

Setor de criação do Cruzeiro vai mal outra vez — Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Setor de criação do Cruzeiro vai mal outra vez — Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

E essa dificuldade para criar começa lá atrás, quando a bola está com Fábio e os zagueiros. A dificuldade de fazer a transição da linha defensiva para o ataque é nítida. Aliás, um homem que fizesse essa função era um pedido do treinador. Mas não foi atendido. Zagueiros e laterais trocam passes sem ter opções e, diante da ausência de movimentação dos volantes e dos homens de frente, a marcação alta do adversário se torna fácil de ser encaixada.

Marcação pressão, esta, que não funcionou para o Cruzeiro. Moreno, Sobis, Airton e Régis tentavam evitar a troca de passes entre zagueiros e laterais, mas os volantes Matheus Neris e Patrick recebiam quase sempre em liberdade para iniciarem a criação e ainda aparecerem como opções ofensivas. O Cruzeiro, ali, perdia três – ou até quatro – jogadores para ajudar na marcação, em função de uma primeira linha defensiva mal feita.

E é exatamente esse erro lá na frente que sobrecarrega os volantes, os laterais e os zagueiros do Cruzeiro. O espaço entre as linhas, causado pela falta de compactação, de marcação em blocos, gerou conforto aos jogadores do Figueirense que, se tivessem em noite mais inspirada, teriam resolvido o jogo, principalmente no primeiro tempo. Esse mesmo problema foi apresentado contra o próprio Figueira, no turno (com Enderson Moreira), em duelo vencido pela Raposa em função do talento individual de Mauricio.

Não à toa, Léo Arthur e Patrick, pelo Figueirense, e Bruno Silva, Lucas Crispim e Murilo Rangel, pelo Guarani, foram destaques contra o Cruzeiro. O time tem, desde o início do ano, muitas dificuldades para ganhar o meio-campo. Vinha melhorando com Felipão, mas caiu nesses dois últimos jogos e, por isso, deve agradecer pelos dois pontos somados e valorizar o poder de reação. Pelo que mostrou nas duas partidas como mandante, saiu no lucro.

Scolari reconheceu isso em ambas as oportunidades. É preciso destacar, inclusive, que com ele há, em todos os aspectos, uma visão bem mais realista dos fatos. E uma realidade a ser encarada até terça-feira é de que esse setor de criação, da maneira como vem jogando, parece incapaz de furar a defesa da Chapecoense, vazada apenas seis vezes em 22 partidas.

Por Guilherme Macedo — de Belo Horizonte

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