De gari a vereador, Delei Pinheiro voltou ‘botando banca’ na Câmara como 1° secretário

Vanderlei Pinheiro de Lima, Delei Pinheiro (PSD), travou uma verdadeira guerra até ser empossado como vereador na Câmara de Campo Grande. E, após vencer na Justiça Eleitoral, desbancar Dharleng Campos (MDB) e ficar com a vaga, Delei já entrou na Casa de Leis com a função de primeiro secretário da Mesa Diretora.

A função antes ocupada pelo vereador Carlão (PSB), agora presidente da Casa de Leis, é de grande importância para condução dos trabalhos administrativos e sessões. Delei será o braço direito de Carlão pelos próximos dois anos. “Caberá ao Primeiro Secretário supervisionar os serviços administrativos e fazer observar o Regulamento Interno”, diz trecho do regimento interno da Câmara.

Delei Pinheiro disse ao TopMídiaNews que foi escolhido pelos eleitos do PSD. “Na verdade, a chapa é montada pelo presidente, que elenca os partidos que quer ao lado dele e o partido fala o nome do membro. Quando eu cheguei já haviam as assinaturas que indicaram meu nome. Os seis vereadores do PSD que indicaram o meu nome. Já cheguei com o meu nome posto e aceitei o desafio.”

Questionado sobre a aptidão da função, Delei diz que vai trabalhar de forma propositiva. “É como aquele jogador que sempre quis jogar na seleção brasileira. Nos escolheram para essa função e a gente tem que demonstrar que está a altura e trabalhar de forma intensa para ter eficácia.”

Ele cita que tem 52 anos, sempre trabalhou com seguimento de moradias populares e assim deseja fazer na Câmara, em conformidade com a função. “Vou trabalhar com regularização fundiária, buscar melhorias junto ao prefeito e, em consequência, a geração de emprego”.

O vereador é funcionário da prefeitura há 39 anos. Ele entrou com gari e varreu ruas durante dois anos. Ele disse que o “indivíduo pode ser o que quiser”, mas nunca imaginou que seria vereador ao início da carreira pública. Delei exerce função na Agência de Habitação.

O registro

Pinheiro teve 3.850 votos na eleição e concorreu sub judice por não ter realizado a biometria em tempo hábil. A defesa afirmou que a pandemia afetou a coleta antes das eleições de 2020 e o vereador fez o procedimento em 9 de dezembro, antes da diplomação. Dessa forma, ele ficou quite com a Justiça Eleitoral e o Tribunal Regional Eleitoral deferiu o registrou de candidatura, o que culminou com a eleição, já que ele teve quantidade suficiente de votos. Com a eleição dele, a ex-vereadora Dharleng Campos do MDB perdeu a cadeira e entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal para tentar reaver o cargo.

Por que a Ford investe na Argentina enquanto fecha fábricas no Brasil?

A busca por margem operacional e investimento em uma oferta de veículos de alto valor agregado foram as justificativas oficiais da Ford para o fechamento das fábricas brasileiras da marca depois de mais de 100 anos de operação no país.

Como informou a montadora, foram encerradas nesta segunda-feira (11) as atividades das fábricas da Ford em Camaçari (BA) e Taubaté (SP). A planta da Troller, em Horizonte (CE), será fechada até o fim de 2021. O mercado brasileiro passa a ser atendido pela produção na Argentina e no Uruguai, além de importações da matriz norte-americana e outros mercados.

Mas por que o Brasil foi preterido para uma economia mais frágil como a Argentina?

Nesta terça-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro atribuiu a decisão à falta de subsídios ao setor. “Faltou a Ford dizer a verdade. Querem subsídios. Vocês querem que eu continue dando R$ 20 bilhões para eles como fizeram nos últimos anos? Dinheiro de vocês, de impostos de vocês para fabricar carro aqui? Não. Perdeu a concorrência. Lamento”, afirmou.

Para economistas, as razões vão além. Especialistas consultados pelo G1 dizem que ainda que exista uma aparente contradição em ampliar investimentos em uma economia menor e com desequilíbrios macroeconômicos mais evidentes, a Argentina tem uma cadeia de produção formatada para atender ao desejo da estratégia global da Ford.

Nova estratégia

O novo foco global foi anunciado em 2018, de ampliação de investimentos em SUVs, picapes e utilitários comerciais. Na mesma época, a montadora antecipou, nos Estados Unidos, que encerraria a produção de sedãs tradicionais como Fusion, Fiesta e Taurus.

A Nova Ranger, por exemplo, é produzida em Pacheco, na grande Buenos Aires. A Argentina é o berço das picapes na América do Sul. Além da Ford, o país produz as rivais Toyota Hilux, Nissan Frontier e Volkswagen Amarok. A Hilux, inclusive, é o veículo mais vendido do mercado argentino, à frente de Onix e Gol. Do Uruguai virá a nova geração da van de trabalho Transit.

A fábrica de Camaçari, por sua vez, produz Ka e EcoSport. Enquanto o primeiro, um hatch compacto, foge dos planos, o segundo amargava baixos números de vendas e um projeto defasado frente aos concorrentes. Além disso, ambos compartilhavam a plataforma do Fiesta, que deixou de ser produzida.

“Há também toda uma frustração formada por anos de que o Brasil seria um enorme mercado. Os planos automotivos incentivaram a criação de um parque industrial para produzir 5 milhões de carros ao ano e que, hoje, produz de 2,5 milhões. É uma ociosidade elevada há bastante tempo”, afirma Rodrigo Nishida, economista da LCA Consultores.

O principal entrave para o movimento da Ford foi derrubado com o acordo de livre comércio de carros entre Brasil e Argentina, assinado em 2019. O país sul-americano é o maior cliente da indústria brasileira nesse setor, mas as vendas têm caído com a crise econômica que o mercado argentino enfrenta nos últimos anos.

A Ford se aproveita do caminho inverso, pois não há imposto de importação sobre os veículos produzidos do lado de lá da fronteira. Ainda que o frete seja uma questão, a rentabilidade maior dos produtos compensa o envio da produção internacional.

Custo Brasil

Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) evitou comentar o fechamento das fábricas brasileiras da Ford, mas reforçou sua percepção de que a medida “corrobora o que a entidade vem alertando há mais de um ano sobre a ociosidade local, global e a falta de medidas que reduzam o Custo Brasil”.

Indo a fundo na questão, é a reforma tributária que tem menção honrosa na agenda da entidade. As propostas paradas no Congresso Nacional garantem redução de impostos para a indústria, pois permitem deduções ao longo da cadeia de produção (regime não cumulativo).

“A questão do Custo Brasil é consenso geral que está demorando a ser tratada, mas está sendo conduzida. Teve impacto, mas esse componente no todo não foi tão relevante assim. Mesmo que houvesse sido conduzido benefícios para a Ford, em função do contexto global, o impacto seria bem pequeno”, afirmou Ricardo Bacellar, economista e sócio-líder da KPMG no Brasil, em entrevista à GloboNews.

“Nos últimos seis anos, a Ford não vinha apresentando resultados muito felizes no Brasil e precisava com mais prioridade repensar essa operação aqui”, disse Bacellar.

Em termos comparativos, os mercados brasileiro e argentino não tem grandes diferenças. Ambos têm sindicatos fortes e mercado consumidor enfraquecido por crises econômicas recentes. Nesse caso, contudo, a Argentina reuniu a especialização em picapes com uma postura de ampliar os mercados. São fatores que favorecem os planos de aumento de rentabilidade da Ford.

“No caso específico do setor automotivo, o governo do presidente Alberto Fernández tem mantido uma postura mais amistosa, dada a importância do setor na geração de empregos e divisas. A Argentina tem, no segmento, uma fonte relevante de exportações, inclusive para o Brasil”, diz Gabriel Brasil, analista político da consultoria Control Risks.

Procurada, a Ford diz apenas que a decisão é baseada na “necessidade de um novo modelo de negócios, enxuto e sustentável, centrado em um portfólio de produtos de segmentos em crescimento, apoiado em nossos pontos fortes globais”.

O “novo modelo” gerou investimento de US$ 580 milhões na Argentina — e deixou ao Brasil um rastro de 5 mil empregos perdidos.

* Colaborou Guilherme Fontana

Raio-X do Ford no Brasil — Foto: G1

Raio-X do Ford no Brasil — Foto: G1

Justiça decreta prisão preventiva de bombeiro que matou ciclista no Recreio

RIO – O juiz Antônio Luchese converteu a prisão em flagrante do capitão do Corpo de Bombeiros João Maurício Correia Passos, em preventiva, durante a audiência de custódia, na tarde desta terça-feira (12), na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica. Ele atropelou e matou um taxista aposentado que pedalava na altura do posto 10, da Avenida Lúcio Costa, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, na madrugada desta segunda-feira.

O magistrado acolheu o pedido feito pelo promotor Bruno Guimarães. Na decisão, ele cita a gravidade do crime, em que o oficial, depois de ingerir bebidas alcóolicas, num posto de gasolina, “misturando possivelmente vodka com uísque”, teria atropelado Cláudio Leite da Silva, de 57 anos, “causando a sua morte e deixando de prestar qualquer socorro, já que teria se evadido do local”.

O documento cita ainda o relato de uma testemunha dando conta de que minutos antes do acidente João Maurício sequer conseguia ficar em pé, “inclusive porque cambaleava, além de que teria saído do local em alta velocidade e cantando pneu”. O juiz ainda destaca que ele é agente do Estado, integrando os quadros do Corpo de Bombeiros.

Luchese argumenta que nenhuma outra medida cautelar, adversa da prisão, será suficiente para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal. João Maurício foi indiciado pelo delegado Alan Luxardo, titular da 42ª  DP (Recreio) por homicídio doloso, a embriaguez ao volante e a fuga do local do acidente. Vídeos o mostram comprando e ingerindo bebidas alcoólicas e com dificuldades de caminhar momentos antes do acidente.

Melhores do mundo: Neymar e Miedema lideram primeira parcial do ge em 2020/21

Depois da entrega oficial dos prêmios para os melhores do mundo na temporada passada, a parcial mensal do ge está de volta para começar a análise de 2020/21. Agora são 10 votantes para o futebol masculino e 10 para o feminino, numa página especial. Navegue pelas abas acima para ver o resultado das diferentes categorias.

Fora do trio de finalistas da última edição do The Best, Neymar lidera o ranking dos jogadores, seguido por Lewandowski, atual dono do prêmio, e Cristiano Ronaldo. Oito jogadores foram lembrados, e Messi, recordista histórico na Fifa, não apareceu. As primeiras listas para goleiros e técnicos também apontam para mudanças em relação a 2019/20.

Entre as mulheres, a holandesa Miedema lidera, mas sem grande vantagem. A americana Mewis e a inglesa Bronze, última vencedora, ocupam as posições seguintes. Na categoria melhor goleira, a chilena Endler aparece como a única unanimidade na votação.

Ederson, Alisson e Arthur Elias são os outros brasileiros mencionados. Cada voto de primeiro lugar rende cinco pontos. De segundo lugar, três pontos. De terceiro lugar, um ponto.

A primeira parcial é referente ao período que vai do início da temporada europeia, em setembro, até o fim da fase de grupos da Champions masculina, em dezembro. A cada fim de mês, os votos serão atualizados, e você poderá acompanhar a evolução. Clique em cada jogador para ver quantos pontos ele fez.

RANKING GE – JOGADOR

COMO O JÚRI VOTOU EM DEZEMBRO DE 2020

  • SalahLiverpool1

  • SonTottenham1

  • Bruno FernandesManchester United4

  • Harry KaneTottenhan5

  • HaalandBorussia Dortmund5

  • Cristiano RonaldoJuventus13

  • LewandowskiBayern17

‘Faltou a Ford dizer a verdade. Querem subsídios’, diz Bolsonaro sobre saída da empresa do Brasil

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira lamentar a perda de empregos que será causada pela decisão da Ford de encerrar a fabricação de automóveis no Brasil, mas disse que a empresa não fala a “verdade” e que queria subsídios para continuar no país

Saída da Ford:‘Empresas não querem o ônus de produzir no Brasil’, diz economista

— Lamento os cinco mil empregos perdidos — disse Bolsonaro a apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada. — Mas o que a Ford quer? Faltou a Ford dizer a verdade. Querem subsídios. Vocês querem que continuem dando R$ 20 bilhões para eles, como fizeram nos últimos anos? Dinheiro de vocês, do imposto de vocês.

A decisão da Ford foi anunciada na segunda-feira. A produção será interrompida imediatamente em Camaçari (BA) e Taubaté (SP). A fabricação de algumas peças será mantida por alguns meses para sustentar os estoques para vendas de reposição.

Fuga de cérebros:Pandemia acelera saída de profissonais qualificados do Brasil

Em sua fala, Bolsonaro criticou a manchete da edição impressa desta terça do GLOBO.

— Ford anunciou a saída do Brasil. São cinco mil empregos. O que a imprensa faz? A capa do Globo: “falta de ambientes de negócios, Ford sai do Brasil”. Há três anos a Ford anunciou que não ia mais produzir carro de passeio nos Estados Unidos. Falta de ambiente de negócio, na verdade, eles tiveram subsídio nosso nos últimos anos, de 20 bilhões de reais.

Entre os motivos para a decisão, Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, citou um “ambiente econômico desfavorável” agravado pela pandemia.

 

Segundo o colunista Lauro Jardim, a empresa recebeu R$ 20 bihões de incentivos fiscais do governo brasileiro desde 1999. Mas, segundo especialistas, a falta de incentivos não seria um fator determinande na decisão da montadora de interromper a produçao no Brasil.

Eles dizem que as montadoras estão passando por uma reestruturação mundial, impulsionada pela transformação da indústria automotiva por conta de carro elétrico. Nesse contexto, muitas têm abandonado mercados menos rentáveis, como era o caso do Brasil para a Ford.

Além disso, afirmam, a situação da economia brasileira pesa contra os investimentos. O país está com renda estagnada há seis anos, a tributação é elevada e o governo brasileiro não consegue avançar em reformas que poderiam melhorar o ambiente de negócios.

BNDES: Com mais de R$ 300 milhões em empréstimos, banco vai cobrar explicações da Ford

Nesta terça-feira, Bolsonaro afirmou que “negócio é negócio” e que, se a empresa não estava tendo lucro, o fechamento é esperado.

— Repito: lamento os cinco mil empregos perdidos. Quem é chefe de família sabe o problema que causa para dentro de casa. Agora, negócio é negócio. Deu lucro? O cara fica aqui. Não deu lucro? O cara não produz mais aquilo, fecha.

Ao falar da perda de empregos, o presidente ainda ressaltou que o país criou 414.556 vagas de emprego em novembro, segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Conmebol confirma data e horário da final da Copa Libertadores 2020

A Conmebol anunciou nesta terça-feira que a final da Copa Libertadores será disputada no dia 30 de janeiro, às 17h (de Brasília), no Maracanã, no Rio de Janeiro.

Palmeiras e River Plate decidem nesta terça, às 21h30, no Allianz Parque, o primeiro finalista. O Verdão venceu por 3 a 0, na Argentina, e tem grande vantagem.

Santos e Boca Juniors se enfrentam na quarta-feira, às 19h15, na Vila Belmiro. No primeiro duelo, houve empate por 0 a 0, na Bombonera, em Buenos Aires.

Maracanã vai receber a final da Libertadores 2020 — Foto: Divulgação

Maracanã vai receber a final da Libertadores 2020 — Foto: Divulgação

Membros de torcidas organizadas do Flamengo realizam protesto no Ninho do Urubu

A reapresentação do elenco do Flamengo na tarde desta terça-feira, no Ninho do Urubu, se iniciou com um protesto. Cerca de 70 pessoas, membros de diferentes torcidas organizadas, se reuniram na entrada do centro de treinamento para se manifestar contra o atual momento da equipe, aos gritos de “Time sem vergonha” e “Acabou o amor, isso aqui vai virar um inferno”.

Torcedores cercam carro de jogador na entrada do Ninho do Urubu — Foto: Caíque Andrade

Torcedores cercam carro de jogador na entrada do Ninho do Urubu — Foto: Caíque Andrade

O policiamento foi reforçado no local. A cada carro que chegava no Ninho, os torcedores tentavam cercar o automóvel e buscavam contato com atletas. Alguns manifestantes chegaram a jogar ovos nos vidros dos veículos.

Jogadores do sub-20 que chegavam para o treino da tarde também foram cobrados pela eliminação para o Athletico-PR na Copa do Brasil da categoria, no último domingo.

A maior parte dos torcedores presentes estava sem máscara.

Protesto Flamengo Ninho do Urubu — Foto: Caíque Andrade

Protesto Flamengo Ninho do Urubu — Foto: Caíque Andrade

O Flamengo está há três jogos sem vencer no Campeonato Brasileiro e caiu para o quarto lugar, com 49 pontos. Após a derrota para o Ceará no Maracanã, no último domingo, a diretoria se reuniu ao longo da segunda-feira na Gávea, mas decidiu manter o técnico Rogério Ceni no comando.

O elenco do Flamengo volta a treinar na tarde desta terça-feira e inicia a preparação para enfrentar o Goiás, na próxima segunda-feira, em Goiânia. A delegação viaja no domingo e fica fora do Rio de Janeiro por uma semana: depois, encara o Palmeiras em Brasília e o Athletico-PR em Curitiba.

Protesto Flamengo Ninho do Urubu — Foto: Caíque Andrade

Protesto Flamengo Ninho do Urubu — Foto: Caíque Andrade

Por Caíque Andrade — Rio de Janeiro

Vacina CoronaVac tem eficácia global de 50,38% nos testes feitos no Brasil, diz Instituto Butantan

A vacina CoronaVac registrou 50,38% de eficácia global nos testes realizados no Brasil, segundo informou o Instituto Butantan em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (12) em São Paulo.

Chamado de eficácia global, o índice aponta a capacidade da vacina de proteger em todos os casos – sejam eles leves, moderados ou graves. O número mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e também pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de 50%.

Na semana passada, o instituto já havia anunciado que, nos testes feitos no país, o imunizante atingiu 78% de eficácia na prevenção de casos sintomáticos leves, mas que precisam de atendimento médico, ou seja, a vacina protege complicações mais severas da doença (leia mais sobre a classificação de gravidade usada pela OMS abaixo).

“Essa vacina tem segurança, tem eficácia, e todos os requisitos que justificam o uso emergencial”, defendeu o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, durante o anúncio.

“A gente tinha previsto que a vacina tinha que ter uma eficácia menor em casos mais leves e uma eficácia maior em casos moderados e graves. Nós conseguimos demonstrar esse efeito biológico esperado. Esta é uma vacina eficaz. Temos uma vacina que consegue controlar a pandemia através deste efeito esperado, que é a diminuição da intensidade da doença clínica”, afirmou o diretor de pesquisa do Instituto Butantan, Ricardo Palácios, ao apresentar os dados do estudo.

A CoronaVac é uma vacina contra a Covid-19 que usa vírus inativados. Ela é desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Butantan, que é vinculado ao governo de São Paulo.

Os testes foram feitos em 12.508 voluntários no país, todos profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao coronavírus, em 16 centros de pesquisa.

Na avaliação da bióloga e presidente do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak, tambpem presente na coletiva desta tarde, a CoronaVac cumpre o papel de iniciar a saída do Brasil da pandemia.

“Temos uma vacina que é potencialmente capaz de prevenir doença, doença grave e morte, e afinal das contas era tudo o que a gente queria desde o começo. A gente nunca falou no começo da pandemia ‘eu quero a vacina perfeita”, afirmou.

Ela destaca que além de diminuir as chances de contaminação, o imunizante se mostrou eficiente para reduzir as complicações provocadas pela doença.

“Fazendo cruamente uma análise de risco e benefício dessa vacina, eu tenho uma vacina cujo risco pessoal quase zero, porque os efeitos adversos são irrisórios. Mas eu tenho um benefício, que não é só pra mim, mas um benefício coletivo de saúde pública, de reduzir o risco de doença em 50%. Eu quero esse benefício. Não tem justificativa de não usar uma vacina com essa condição de risco e benefício”, completa.

Na Indonésia, dados preliminares de testes de fase 3 mostraram uma eficácia de 65,3% para a vacina. O país aprovou o uso emergencial da CoronaVac, e o presidente Joko Widodo deve receber a primeira dose nesta quarta-feira (13).

De acordo com os pesquisadores chineses, a CoronaVac não apresentou “nenhuma preocupação com relação à segurança”. A maioria das reações foram leves, sendo que a mais comum foi a dor no local da injeção.

Eficácia da CoronaVac

A eficácia de uma vacina contra Covid-19 é calculada com o auxílio de um protocolo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que classifica os casos da doença entre os voluntários dos testes.

Essa tabela da OMS separa os voluntários em 10 níveis, sendo que o nível 0 corresponde a um paciente não infectado pela doença e o nível 10 equivale a um voluntário que morreu em decorrência do coronavírus.

taxa de eficácia de 78%, apresentada pelo Instituto Butantan na última semana, foi calculada considerando somente casos de Covid-19 com pontuação maior ou igual a 3. Este cálculo compara o número de casos entre o grupo vacinado e o grupo que recebeu placebo, uma substância neutra.

Portanto, a eficácia de 78% demonstra o quanto a vacina é capaz de prevenir casos em que é confirmada a infecção pelo coronavírus, sintomática, e com necessidade de intervenção médica.

Protocolo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que classifica os casos da doença entre os voluntários dos teste de uma vacina. — Foto: Jornal da USP

Protocolo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que classifica os casos da doença entre os voluntários dos teste de uma vacina. — Foto: Jornal da USP

Outro dado apresentado pelo governo estadual na última semana, a eficácia de 100% em casos graves corresponde à capacidade da vacina CoronaVac de evitar casos de Covid-19 que exigem hospitalização, ou seja, superiores a 4 na escala da OMS.

No entanto, o percentual de 100% na prevenção de casos graves não tem significância estatística no estudo. Isto porque o número de casos graves entre todos os voluntários, incluindo aqueles que receberam placebo, é muito pequeno. Por isso, a diferença estatística entre esses dois grupos não é relevante para a pesquisa.

A eficácia de 50,38% divulgada nesta terça (12) inclui também pacientes com Covid-19 considerados independentes, isto é, que apresentam apenas sintomas leves, sem necessidade de intervenção médica, que compõem a o grau 2 da OMS.

O estudo não calcula a eficácia para evitar casos de pacientes assintomáticos da Covid-19, ou seja, não estima quantos voluntários receberam a vacina e tiveram a doença, mas não apresentaram nenhum sintoma, o que corresponde ao grau 1 da OMS.

Fantástico entra no Instituto Butantan e mostra em 1ª mão produção da CoronaVac  — Foto: Fantástico

Fantástico entra no Instituto Butantan e mostra em 1ª mão produção da CoronaVac — Foto: Fantástico

Detalhes dos testes

Segundo Ricardo Palácios, a vacina foi testada com os profissionais de saúde porque eles têm a maior exposição ao vírus, muito maior eu a população em geral.

“[O teste] não é a vida real exatamente. É um teste artificial, no qual selecionamos dentro das populações possíveis, selecionamos aquela população que a vacina poderia ser testada com a barra mais alta. A gente quer comparar os diferentes estudos, mas é o mesmo que comparar uma pessoa que faz uma corrida de 1km em um trecho plano e uma pessoa que faz uma corrida de 1 km em um trecho íngreme e cheio de obstáculos. Fizemos deliberadamente para colocar o teste mais difícil para essa vacina, porque se a vacina resistir a esse teste, iria se comportar infinitamente melhor em níveis comunitários”, disse.

O diretor disse ainda que a definição de caso sintomático de Covid-19 neste estudo captou os sintomas “mais leves possíveis”. O critério foi apresentar um ou mais sintomas da doença por dois ou mais dias e, então, a confirmação por exame diagnóstico do tipo RT-PCR. Segundo Palacios, esta característica “prejudica a comparabilidade deste estudo com outros estudos” de vacinas para Covid-19.

O diretor apresentou a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para classificar os casos de Covid-19 entre os voluntários.

“Esta é a forma que a OMS classifica os casos de Covid-19. Ele funciona como uma pirâmide na qual a gente tem uma base larga de pessoas que não apresentam sintoma nenhum. E aqui nós tínhamos que fazer uma escolha: onde colocar o limite”, disse Palacios.

“Nós estamos numa definição de caso [a partir do grau da OMS] 2, de casos extremamente leves, e aí a gente sabia que isso era uma negociação. A eficácia vacinal, ela ia baixar, quanto mais baixássemos o score [para a definição de caso], mas a gente ia ter maior número de casos. E qual é a vantagem de ter um maior número de casos? Que com um estudo relativamente pequeno, nós íamos ter uma resposta mais rápida. Então essa foi a tônica. Essa foi uma decisão consciente. A gente estava sacrificando eficácia para aumentar o número de casos e ter uma resposta mais rápida”, completou.

Anvisa

No sábado (9), a a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que o Instituto Butantan entregou documentação incompleta dos testes feitos no país e cobrou o envio das informações.

Na ocasião, o instituto disse que a solicitação faz parte do processo e que seria prontamente atendida. Nesta segunda (11), o Butantan afirmou que 48% do processo já foi concluído e que a agência já analisou cerca de 40% dos documentos enviados.

A solicitação feita pelo Butantan é para 6 milhões de doses prontas vindas da China. O Butantan ainda deve fazer um novo pedido para as doses envasadas no instituto em São Paulo.

Plano de vacinação

Em coletiva de imprensa nesta segunda (11), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), manteve o cronograma de vacinação definido pelo plano estadual e cobrou uma definição de data do Ministério da Saúde.

O Plano Estadual de Imunização (PEI) foi elaborado pelo governo paulista considerando justamente a aplicação da CoronaVac, que é produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com Butantan.

Questionado sobre como a data de início do plano estadual pode estar mantida – já que o Instituto Butantan assinou um contrato de exclusividade para fornecer a CoronaVac para o governo federal – Doria disse apenas que “a exclusividade é pela vida”.

O governador alegou ainda que “o sistema nacional de imunização será respeitado e atendido por São Paulo se atender São Paulo, dentro de critérios científicos”.

A promessa de Doria é utilizar os 5,2 mil postos de vacinação já existentes nos 645 municípios do estado e ampliar a rede para até 10 mil locais de vacinação por meio da utilização de escolas, quartéis da PM, estações de trem e terminais de ônibus, além de farmácias e de pontos de vacinação no sistema drive-thru.