‘Não é recomendável’, diz relator da CPI sobre eventual encontro com Bolsonaro

Depois da ligação do presidente Jair Bolsonaro ao governador de Alagoas, Renan Filho, e do encontro com o ex-presidente José Sarney, num gesto do governo ao MDB, o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), do mesmo partido, disse que até agora não foi procurado pelo Planalto e que este não é o momento para se encontrar com o presidente da República.

“Da mesma forma que não é recomendável eu me encontrar com o ex-presidente Lula, também não é recomendável um encontro com o presidente Bolsonaro. Como relator, tenho que manter a isenção”, afirmou o relator.

Apesar disso, Renan Calheiros disse que está aberto ao diálogo, menos com um ministro do governo.

“Recebo com prazer qualquer interlocutor do governo, menos Onyx Lorenzoni”, disse.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência foi um dos principais articuladores do nome de Davi Alcolumbre na disputa com Renan pela presidência do Senado em 2019. De volta ao Planalto, depois de passar pelo Ministério da Cidadania, Onyx Lorenzoni disputa com o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, a liderança da coordenação do governo na Comissão Parlamentar de Inquérito.

Renan Calheiros criticou o que considera uma estratégia do governo para tirar o foco das investigações e diz apoiar a convocação do ministro da Justiça, Anderson Torres, para a explicar fala vista como ameaça indireta aos trabalhos da comissão.

“O jogo deles é levar as investigações para os estados. O ministro da Justiça está se autoconvocando, porque quer usar a PF como polícia política”. afirmou o relator.

Depoimentos

1ª sessão da CPI da Covid no Senado nesta terça-feira (27). — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado1ª sessão da CPI da Covid no Senado nesta terça-feira (27). — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Começa nesta semana os depoimentos da CPI da Covid no Senado. Devem ser ouvidos o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e os demais chefes da pasta no governo Bolsonaro: Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello. Também presta depoimento o diretor da Anvisa, Antônio Barra Torres.

  • Terça-feira (4) – Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, ex-ministros da Saúde;
  • Quarta-feira (5) – general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde;
  • Quinta-feira (6) – Marcelo Queiroga, atual ministro da Saúde e Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa.

No fim de semana, integrantes da CPI da Covid decidiram apresentar requerimento para convocar o ministro da Justiça, Anderson Torres, para explicar fala vista como ameaça indireta aos trabalhos da comissão.

Em entrevista à revista “Veja”, o ministro Torres defendeu uma CPI ampla, afirmou que é preciso “seguir o dinheiro” e que vai requisitar à Polícia Federal informações sobre os inquéritos que envolvem governadores em desvios de recursos da saúde.

Para o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a fala do ministro da Justiça é uma tentativa do governo de intimidação, já que não teve sucesso em impedir a CPI.

Por Nilson Klava, GloboNews

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