Manifestação pede justiça por João Alberto em frente a unidade do Carrefour em Porto Alegre

A morte de João Alberto Silveira Freitas em uma unidade do supermercado Carrefour, em Porto Alegre, gerou protestos pelo quarto dia seguido. No fim da tarde desta segunda-feira (23), manifestantes se reuniram em frente à unidade do bairro Partenon — 7km distante daquela em que aconteceu o crime — e saíram em passeata pela Avenida Bento Gonçalves.

De acordo com o Carrefour, a loja foi fechada às 16h por orientação da Brigada Militar. Uma hora depois, as pessoas começaram a se concentrar no local. A maioria carregava cartazes e faixas com pedidos por justiça.

Bradando cânticos contra o racismo, elas saíram por volta das 19h e caminharam pelo meio da rua. O trânsito ficou interrompido parcialmente.

Depois, por volta das 20h, alguns manifestantes depredaram as grades do supermercado e colocaram fogo em galhos arrancados de uma árvore no meio da avenida. Eles atiraram pedras e rojões em direção à polícia.

O Batalhão de Choque da Brigada Militar reprimiu as ações com tiros de balas de borracha. O conflito durou cerca de 20 minutos e logo depois foi dispersado. Não há registro de feridos.

Tropa de choque atua em tumulto durante protesto contra a morte de João Alberto, em Porto Alegre, nesta segunda-feira (23). — Foto: REUTERS/Diego Vara

Tropa de choque atua em tumulto durante protesto contra a morte de João Alberto, em Porto Alegre, nesta segunda-feira (23). — Foto: REUTERS/Diego Vara

Em nota, a empresa enfatizou que considera as manifestações “totalmente legítimas” e afirmou que está “à disposição para criar um debate com a sociedade, buscando soluções para que casos como este não voltem a acontecer”. Leia a nota na íntegra mais abaixo.

“Estamos aprendendo muito e estamos certos de que este momento de profundo pesar se converterá em ações concretas que impedirão que tragédias como essa se repitam”, disse, em nota, a direção do supermercado.

Manifestação pede justiça por João Alberto na Avenida Bento Gonçalves, em Porto Alegre — Foto: Jefferson Ageitos/RBS TV

Manifestação pede justiça por João Alberto na Avenida Bento Gonçalves, em Porto Alegre — Foto: Jefferson Ageitos/RBS TV

Leia a nota do Carrefour:

Estamos consternados com o que aconteceu em Porto Alegre e sabemos que nada que fizermos trará a vida de João Alberto de volta. Entramos em contato com a família de João Alberto e nos colocamos à disposição para dar todo o suporte e auxílio neste momento tão difícil. Além das medidas necessárias para que os responsáveis sejam punidos, o Carrefour adotou as seguintes ações:

– Doação dos resultados das vendas do dia 20 de novembro de todas as lojas hipermercado do país para instituições que atuam para combater o racismo no Brasil;

– Treinamento das equipes de lojas nos dias 21 e 22 de novembro para reforçar os nossos compromissos com a diversidade e contra a intolerância e violência;

– Definição de um comitê independente de diversidade, composto por colaboradores e especialistas externos em inclusão racial que terá o compromisso de criar ações em curto prazo para atuar na revisão de processos do Carrefour e no combate ao racismo estrutural no Brasil. Acreditamos que, com isso, poderemos evoluir e contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva e tolerante.

A respeito das manifestações que acontecem em diversas lojas pelo país, entendemos que são totalmente legítimas e estamos à disposição para criar um debate com a sociedade, buscando soluções para que casos como este não voltem a acontecer.

Estamos aprendendo muito e estamos certos de que este momento de profundo pesar se converterá em ações concretas que impedirão que tragédias como essa se repitam.

Família presta queixa contra escola após menina negra ser encoberta em propaganda; direção diz que não foi proposital

A família de uma menina negra de 10 anos registrou boletim de ocorrência contra a escola por ela ter sido tampada em uma propaganda nas redes sociais da unidade. O caso deve ser investigado pelo 7º Distrito Policial.

De acordo com o registro, o pai da estudante relatou que estava na casa de amigos quando a filha viu a publicação no perfil do Colégio Domus Sapiens. O anúncio publicitário tinha quatro meninas, sendo três brancas e a garota negra.

Na arte, havia o texto “Importante na escola não é só estudar, é também criar laços de amizade e convivência – Paulo Freire”.

Segundo o pai, a família recebeu mensagens de indignação pela publicação. No entanto, a escola foi informada pelos parentes da aluna e a publicação foi retirada.

Escola fez uma nova publicação com a foto das alunas — Foto: Reprodução/Instagram

Escola fez uma nova publicação com a foto das alunas — Foto: Reprodução/Instagram

Uma nova foto foi repostada sem a arte e com todas as meninas. O delegado deve ouvir os envolvidos nos próximos dias.

Em nota, o colégio enviou a ocultação da imagem da aluna em questão não foi propositalmente escolhida por critério racial, e sim, pelo critério geral de posicionamento da caixa de texto nas fotos divulgadas sequencialmente na rede social. Veja na íntegra abaixo a nota do colégio ao G1.

“Ao contrário da interpretação dada pelos usuários em questão e das injuriosas acusações, na data de 20/11/2020 a Agência de Publicidade contratada pelo Colégio elaborou ao todo 41 postagens, em pacote, sendo que em praticamente todas as postagens feitas naquela oportunidade, o lado escolhido para a colocação da caixa de texto é justamente o lado direito da foto, se sobrepondo aos rostos de muitos outros alunos, em outras fotos, inclusive, alunos brancos, com o intuito de seguir um padrão estético na diagramação da publicidade (já que as fotos seriam lidas em sequência).

Ou seja, analisado o conteúdo da publicidade feita naquela data, não sobreleva qualquer dúvida de que a ocultação da imagem da aluna em questão, não foi propositalmente escolhida por critério racial, e sim, pelo critério geral de posicionamento da caixa de texto nas fotos divulgadas sequencialmente na rede social.

O colégio, ao longo de uma trajetória dedicada à inclusão social e à censura de toda e qualquer prática discriminatória, apoia decisivamente as ações visando coibir o racismo e a disseminação de propagandas de ódio e violência. essa é a nossa missão perante a comunidade e na formação de nossos alunos.”

Por Carlos Henrique Dias, G1 Sorocaba e Jundiaí

Mirtes Souza quer transformar dor em ação: “Para que não sejam injustiçados como eu”

Esta segunda-feira (23), marcou a vida de Mirtes Souza, 33, como o dia que em que ela andou de avião pela primeira vez. Seriam apenas alegrias se o motivo que a trouxe para a experiência não fosse a perda do único filho, Miguel. “Podem passar os anos, mas tudo que venho sentindo não vai passar”, conta.

Mirtes é uma das homenageadas do Prêmio Viva, parceria entre o Instituto Avon e Marie Claire, com o intuito de reconhecer aqueles que tentam mudar o cenário da violência que atinge meninas e mulheres no Brasil. Para Mirtes, a violência vai ainda além da morte do filho – é uma experiência diária de injustiças.

“Hoje mesmo fui atacada no Instagram. Uma pessoa criou uma conta fake e saiu comentando em todas as minhas postagens, ofendeu até as pessoas que estão me seguindo”, conta à Marie Claire. Mirtes mostra muita força enquanto fala sobre a vida após a morte do filho, que marcou para sempre sua trajetória. Esta que, agora, visa lutar por outras pessoas que também sentem na pele a desigualdade do sistema.

“Minha vida teve uma reviravolta diante de tudo isso. Tem momentos que estou bem, tem momentos que estou péssima, mas sempre aparece alguém para me animar um pouco, para que eu não caia, sabe? Estou seguindo com minha luta”, diz.

Miguel caiu do 9º andar do edifício Píer Maurício de Nassau, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife, no dia 2 de junho. A mãe dele, Mirtes Souza, o deixou com a ex-patroa, Sari Corte Real, para passear com Mel, a cadela da família que a empregava.

No dia da morte de Miguel, Sari foi presa em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Em 1º de julho, ela foi indiciada pela polícia por abandono de incapaz que resultou em morte.

“Vai fazer seis meses [da morte do Miguel] no dia 2 de dezembro. E, no dia 3, vai ter a primeira audiência. Todo dia rezo. Peço a Deus para que ele esteja ali no momento, guiando a cabeça de todos que vão estar participando para que tomem a decisão certa. Para que haja realmente a condenação”, conta.

Inspiração

Apesar de toda a dor, das lembranças do filho que Mirtes nunca mais poderá abraçar, da vontade de encher o pequeno de carinho, ela segue firme nos objetivos, ciente de que a dor caminhará ao seu lado para o resto da vida. Mirtes não irá sofrer em silêncio e fará de tudo para ajudar outros na mesma situação. Ela afirma, mais do que tudo, ser uma mulher empoderada.

Mirtes Souza é homenageada do Prêmio Viva  (Foto: Mariana Pekin)
Mirtes Souza é homenageada do Prêmio Viva (Foto: Mariana Pekin)

“Ano que vem vou iniciar a faculdade de Direito. Para que as pessoas não sejam injustiçadas como eu estou sendo. Já fiz o vestibular, passei, agora só estou esperando formar turma e dizerem o início das aulas. Vou estudar bastante para ajudar o próximo”, afirma.

Apesar dos ataques nas redes sociais, Mirtes recebe mensagens de inspiração. Ela conta que uma menina de 16 anos declarou que sua heroína não é uma artista pop ou atriz, mas Mirtes. “Isso me deixou muito comovida. De saber que eu sou um exemplo de vida para uma pessoa, que ela se inspira em mim. Isso, para mim, foi bem gratificante, foi especial”, conta.

Sede de Justiça

Sobre a audiência, Mirtes conta que está vivendo um furacão de emoções. Ela sente dor, revolta e indignação. Ela diz que não quer encontrar Sari “nem pintada de ouro”, e que vem passando por transtornos até hoje por conta da morte do filho.

“Minha luta é em nome do Miguel, em nome do amor pelo meu filho. Justiça por Miguel. Perdi meu irmão há 15 anos. Senti pela morte do meu irmão, mas estou sentindo mais agora pela morte do meu filho. A perda de um filho é algo devastador na vida de uma mãe”, conta e lembra que precisamos aprender a amar sem pensar no amanhã:

“A gente deve ver o hoje, amar mais, dar mais amor, carinho e atenção. Eu já dava tudo isso ao meu filho, mas ainda sinto falta disso. Do que eu fazia por ele. Isso me ensinou a amar mais as pessoas. Espero que as pessoas observem isso e amem mais o próximo”, acrescenta.

  • REDAÇÃO MARIE CLAIRE

Internado com Covid-19, Osmar Terra tem quadro estável, diz hospital

O deputado federal Osmar Terra segue internado no Hospital São Lucas da PUCRS, em Porto Alegre, conforme boletim divulgado no início da tarde de segunda-feira (23) pela instituição. Ele foi hospitalizado no domingo (22), em decorrência do coronavírus.

O boletim, assinado pelo médico Saulo Gomes Bornhorst, diz que o parlamentar do MDB está estável e “sentindo-se confortável, com bom padrão respiratório respondendo as medidas adotadas até o momento”. Leia a nota na íntegra abaixo.

No dia anterior, ele havia informado que foi internado para realizar exames e fisioterapia.

No dia 13, Terra divulgou em postagem nas redes sociais que havia testado positivo para o coronavírus. No texto, ele afirmava ter iniciado “tratamento precoce” com hidroxicloroquina e ivermectina. Os dois medicamentos não possuem comprovação científica de eficácia.

Ex-ministro dos governos Bolsonaro e Temer, Terra também foi secretário de Saúde do Rio Grande do Sul.

Durante debate, em maio, o deputado criticou o isolamento social. O Twitter chegou a sinalizar uma postagem dele com um aviso de sanção, pois contrariava medidas do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.

Nota do Hospital São Lucas da PUCRS

O paciente Osmar Terra, deputado federal, foi admitido no Hospital São Lucas da PUCRS ontem (22/11/2020) onde permanece internado para tratamento dos sintomas decorrentes da COVID-19. Encontra-se estável e sentindo-se confortável, com bom padrão respiratório respondendo as medidas adotadas até o momento.

Internações por Covid-19 crescem 17% no estado de SP, na 2ª semana seguida de alta

A internações por Covid-19 no estado de São Paulo voltaram a crescer na última semana, segundo dados oficiais da Secretaria da Saúde. Houve um aumento de 17% nas internações entre os dias 15 e 21 de novembro, após aumento de 18% na semana anterior, de 8 a 14 de novembro. Os dados mostram, portanto, que as internações crescem mesmo na comparação com uma semana em que já ocorria alta.

Neste domingo (22), a média móvel de novas internações por Covid-19 em SP chegou a 1.205 hospitalizações por dia. O número é o maior desde o dia 10 de outubro. No início de novembro, a média estava em queda e chegou a ser de 857 internações ao dia. Os dados levam em conta os hospitais públicos e privados.

Na Grande São Paulo, os indicadores mostram que a média móvel atual é a maior desde o dia 6 de setembro. São 727 internações de pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19 por dia na região metropolitana, segundo dados do governo estadual.

Apesar disso, o governo estadual nega que esteja em curso uma segunda onda da doença no estado. Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (23), a secretária de Desenvolvimento Econômico do governo estadual, Patrícia Ellen, disse que os dados ainda estão “muito longe” de números compatíveis com uma segunda onda de Covid-19.

Vacina de Oxford contra Covid-19 tem eficácia de até 90%, diz laboratório

A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca mostrou eficácia de até 90% conforme a dosagem, segundo resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira (23).

Veja os principais pontos do anúncio:

  • A vacina teve 90% de eficácia quando administrada em meia dose seguida de uma dose completa com intervalo de pelo menos um mês, de acordo com dados de testes no Reino Unido e no Brasil. Esse foi o regime de menor dose – o que foi um ponto positivo para os pesquisadores, porque significa que mais pessoas poderão ser vacinadas.
  • Se administrada em 2 doses completas, a eficácia foi de 62%.
  • A análise que considerou os dois tipos de dosagem indicou uma eficácia média de 70,4%.
  • Foram registrados 131 casos da doença entre os voluntários. Não houve nenhum caso grave da doença entre os que tomaram a vacina.
  • A AstraZeneca pretende ter 200 milhões de doses prontas até o fim de 2020 e 700 milhões de doses até o fim do primeiro trimestre de 2021, em todo o mundo.

Os dados foram vistos depois de analisar mais de 24 mil voluntários de ensaios no Reino Unido, Brasil e África do Sul, com acompanhamento desde abril.

Sob relatoria de Fábio Trad, projeto que destina recursos ao combate da covid-19 é aprovado na Câmara

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o texto-base que regulamenta acordos diretos da União, incluídas autarquias e fundações, para o pagamento com desconto (de até 40%) dos precatórios de grande valor, assim como para encerrar ações contra a Fazenda pública. Falta votar destaques que podem alterar a proposta.

O texto-base do Projeto de Lei 1581/20, do deputado Marcelo Ramos (PL-AM), foi aprovado na forma do substitutivo apresentado pelo relator, deputado Fábio Trad (PSD-MS). “Não há dúvidas de que os acordos são mais baratos para a União do que as condenações judiciais, levando-se em conta os custos de acompanhar os inúmeros processos”, afirmou Trad.

Segundo Ramos, a proposta estimula uma saída consensual entre a União e os credores ao definir regras para pagamento com desconto do precatório de grande valor ‒ aquele que, sozinho, supera 15% da dotação orçamentária total reservada para essa finalidade a cada exercício. “A regulamentação já foi feita em alguns estados e no Distrito Federal”, disse.

A proposta prevê ainda que montante igual ao obtido com os descontos nesses precatórios deverá ser usado no financiamento das ações de combate à Covid-19 no caso dos acordos firmados durante a vigência do estado de calamidade pública. Aqueles firmados depois da pandemia deverão servir para amortizar a dívida pública mobiliária federal.

Assessoria do Deputado Federal Fábio Trad

FLORDELIS USA R$ 93 MIL DE VERBA DE GABINETE PARA CUIDAR DE REDES SOCIAIS SEM CONTEÚDO

A deputada Flordelis, do PSD do Rio de Janeiro, repassou R$ 93 mil a uma empresa para gerenciar redes sociais não oficiais e praticamente sem seguidores e conteúdo.

O sócio-administrador da G3 Propaganda é Pedro Gerolimich, que até agosto era superintendente de Leitura e Conhecimento da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro.

Ré e acusada de ter tramado a morte de seu marido, Anderson do Carmo, Flordelis usa tornozeleira eletrônica desde o mês passado.

A deputada contratou, com sua cota parlamentar, a empresa G3 mensalmente, de março a outubro deste ano.

Leia: Deputado bolsonarista contratou consultoria um dia antes de ela ser fundada

Os repasses foram de R$ 10,9 mil em cada mês, exceto em outubro, quando a cifra subiu para R$ 16,5 mil.

Segundo as notas fiscais, os serviços prestados foram divulgação do mandato, assessoria de comunicação e manutenção do Facebook e Instagram da deputada.

Leia: Bancada evangélica abandonda Flordelis

Contudo, os links das redes indicados nos documentos são de páginas não oficiais, desatualizadas e sem seguidores.

Flordelis tem páginas oficiais, em que reúne, por exemplo, 473 mil seguidores no Facebook, e postagens frequentes.

O Facebook gerenciado pela agência, intitulado “Flordelismk”, tem 128 seguidores. Constam apenas três publicações em 2020.

Leia: Sem data para o PSD expulsar Flordelis

Já no Instagram, o perfil comandado pela G3, de mesmo nome, conta com três publicações e 189 seguidores.

O oficial, por sua vez, possui 957 mil fãs.

Depois de pedir exoneração do governo do Rio de Janeiro, Gerolimich tentou, sem sucesso, uma vaga na Câmara de Vereadores carioca pelo PSB. Obteve 2.985 votos e não se elegeu.

Procurada, a deputada não explicou a destinação de dinheiro para redes sociais não oficiais. Afirmou que todos os gastos de seu gabinete estão “amparados pela legislação e à disposição da população”.

Pedro Gerolimich declarou:

“As atividades parlamentares da deputada Flordelis não se relacionam com minhas atribuições na época de superintendente de Leitura e muito menos com minha campanha para vereador da cidade do Rio de Janeiro. Não existe nenhuma irregularidade, muito menos conflito de interesse”.

(Por Eduardo Barretto)

Corpo de João Alberto, morto após ser espancado em unidade do Carrefour, é enterrado em Porto Alegre

O corpo de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, espancado e morto em uma unidade do supermercado Carrefour, foi enterrado na manhã deste sábado (21) no Cemitério São João, na Zona Norte de Porto Alegre.

Muito abalada, a mulher de João Alberto, Milena Borges Alves pediu justiça. “Eu não tenho nada pra falar. Só quero justiça, quero que paguem”.

“Uma monstruosidade, com certeza, sabe. Podiam ter imobilizado ele, podia ter esperado a brigada chegar. Não precisa fazer tudo o que fizeram, porque não se faz com bicho, com animal, com pessoa, com ninguém. Ficou uma coisa na cabeça, que não sai, ainda mais os gritos dele, sabe”, disse Tais Alexia Amaral Freitas, filha de João Alberto.

Uma das filhas dele, Taís Amaral Freitas, agradeceu o apoio que a família tem recebido. “A gente até se sente confortável por isso, mas mesmo assim, não traz a vida de volta. Não tem muito o que falar, depois de ver aquelas imagens, horrível”.

Amigo próximo do soldador, Noé Fernando Pithan também prestou uma última homenagem.

“Brincalhão, divertido, parceiro mesmo, até eu tenho camisa de clube que ele me deu, e gostava de andar de boné, camisa de clube. Não tem como aceitar uma coisa dessa, não tem como, ninguém vai te explicar isso daí”, desabafa.

Beto, como era conhecido, começou a ser velado às 8h e o enterro aconteceu às 12h.

João Alberto foi morto por dois seguranças do supermercado na noite de quinta-feira (19). Segundo a polícia, a vítima teria feito um gesto para uma funcionária do mercado, o que a fez chamar a segurança do local.

Beto foi acompanhado pelos dois homens ao estacionamento da unidade. De acordo com a polícia, ele teria dado um soco em um dos seguranças, quando começaram as agressões. A vítima foi agredida por cerca de 5 minutos pelos dois homens.

O Samu foi acionado, mas ele morreu no local. Os dois homens foram presos em flagrante e devem responder por homicídio triplamente qualificado.

Manifestos em frente ao supermercado

Alvo de manifestantes na noite de sexta-feira (20), o Carrefour do Passo D’Areia tem marcas de destruição horas após o protesto que terminou em confronto com a polícia.

Logo ao amanhecer deste sábado, pedaços de concreto estavam espalhados pelo pátio, totens com marcas de incêndio e pichações contra os seguranças que provocaram a morte de João Alberto Freitas.

Cercas e portões foram arrancados. Próximo às escadas rolantes, vidraças foram quebradas, e lojas de empresas locatárias dos espaços também foram alvo dos manifestantes.

A calçada em frente à Avenida que dá acesso ao mercado também tem marcas de protesto. Frases como “racistas, assassinos e justiça por Beto” são expostas em cartazes de papelão ou grafitadas no piso e nas paredes do estabelecimento.

Pichações em frente ao mercado onde Beto foi morto em Porto Alegre  — Foto: Reprodução / RBS TV

Pichações em frente ao mercado onde Beto foi morto em Porto Alegre — Foto: Reprodução / RBS TV

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado e morto por dois homens brancos em Porto Alegre. — Foto: Reprodução/Redes sociais

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado e morto por dois homens brancos em Porto Alegre. — Foto: Reprodução/Redes sociais

‘Ele pediu: Milena, me ajuda’

Milena Borges Alves, de 43 anos, mulher de João Alberto disse que tentou ajudar o marido enquanto ele sofria as agressões, mas foi impedida pelos seguranças. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Gaúcha, na manhã de sexta-feira (20).

“Eu estava pagando no caixa, daí ele desceu na minha frente. Quando eu cheguei lá embaixo, ele já estava imobilizado. Ele pediu: ‘Milena, me ajuda’. Quando eu fui, os seguranças me empurraram”, afirmou ela.

João Alberto deixa quatro filhos – um do primeiro casamento e três do segundo. Com Milena, que vivia com ele há cerca de 9 anos, só tinha uma enteada.

A família mora a cerca de 600 metros do supermercado.

‘Agressão covarde’, diz pai

O pai de João Alberto Silveira de Freitas, João Batista Rodrigues Freitas contou ao G1 que esteve no local do crime logo após as agressões, avisado por familiares.

“Não sei como começou a confusão, o que está registrado é que muita gente registrou uma agressão covarde onde três pessoas começaram a bater no meu filho até levar à morte. A mulher dele estava junto, tentou tirar o cara que estava enforcando ele com o joelho contra o chão e o outro segurança empurrou”, aponta.

No estacionamento do mercado, o pai relata ter perguntado quem havia agredido João Alberto. “Me apontaram. Ele tava na viatura”, relata João, que não sabe identificar com qual dos seguranças falou nem quem apontou o veículo.

“Perguntei pro segurança que foi agredido: ‘foi roubo? Ele mexeu em alguma coisa?’. ‘Não’, ele disse. Só levou o soco. E aí o lugar que ele mostrou que levou o soco não tinha marca de anel. Ele não estava com o olho roxo”, disse João Batista.

‘Jamais se justificaria’, diz delegada sobre morte brutal de João Alberto em unidade do Carrefour no RS

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul trabalha em diversas frentes para tentar esclarecer todas as circunstâncias que geraram o assassinato brutal de João Alberto Silveira Freitas por dois seguranças na noite de quinta-feira (19), em unidade do Carrefour de Porto Alegre.

Em novo vídeo, obtido pelo “Fantástico” neste sábado (21), é possível ver os acontecimentos anteriores ao espancamento de João Alberto, onde ele é seguido por dois seguranças e dá um soco em um dos funcionários antes de ser brutalmente agredido até a morte.

“Jamais se justificaria qualquer tipo de desentendimento, seja ele qual for, para que levasse a efeito tamanha violência como a que ocorreu durante está ação, desses seguranças, nesse supermercado”, diz a delegada Roberta Bertoldo.

Ainda segundo a delegada, desde a quinta-feira a polícia trabalha com o objetivo de “especificar a conduta de todas as pessoas, para que todas sejam responsabilizadas na medida em que são implicados nessa ação delituosa”.

A investigação ouve informações apontadas por parte de pessoas ligadas à vitima e também daqueles que tenham envolvimento com os indiciados, segundo Roberta.

“Buscamos, então, imagens de câmeras de segurança no sentido de esclarecer melhor onde esta a verdade real desses fatos. Mas o que importa nesse momento é avaliar a conduta desses dois indivíduos que agiram de uma forma extremamente exacerbada em relação a contenção desse cliente”, afirma a delegada.