CRISE INTERNA DEIXA PRESIDENTE SEM PARTIDO PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA

Com a decisão do presidente Jair Bolsonaro de deixar o PSL nesta terça-feira, ele toma uma decisão inédita na história do país: se tornar um presidente sem vínculo partidário por motivos relacionados ao próprio partido. É o que afirma o historiador Carlos Fico. Segundo o especialista, é a primeira vez que uma crise interna de um legenda faz com que um presidente titular deixe à sigla durante o mandato.

“Não é possível comparar as situações dos outros presidentes que não tiveram partido durante o mandato. Não houve uma situação semelhante a atual. Essa é uma situação inédita”, explica Fico.

Dos 38 presidentes que o Brasil já teve, desde a proclamação da República em 1889 até os dias atuais, apenas cinco não tinham filiação com nenhuma legenda, e um passou pelo menos um período de seu mandato sem vínculo a alguma sigla, durante mudança entre elas.

Porém, assim como Fico, o cientista político Carlos Pereira também ressalta que os presidentes sem partido governaram o país em momentos distintos e específicos da história. O último deles foi Itamar Franco, que assumiu o cargo em outubro de 1992, após o afastamento do então presidente, Fernando Collor de Mello (PRN).

Itamar havia se ligado ao Partido da Reconstrução Nacional para integrar como vice de Collor na corrida presidencial de 1989. Porém, com as denúncias que levaram ao processo de impeachment de seu colega de chapa, Itamar se desfilia da legenda em maio de 1992. O político só se filia novamente a uma legenda, o PMDB, em 1998, passando, assim, seu curto mandato presidencial sem ter nenhum partido.

Antes disso, o último presidente do período da ditadura militar, João Figueiredo, passou cerca de um mês sem partido. Isso devido a um decreto do próprio militar que extinguia as duas únicas legendas da época, o MDB e o Arena — do qual Figuereido era filiado — para a criação de novas siglas. Dessa forma, o presidente governou o país sem partido durante seu processo de filiação ao PSD, de dezembro de 1979 ao final de janeiro de 1980.

Outro presidente emblemático do Brasil que não teve partido foi Getulio Vargas, que assumiu o poder em 1930, época em que as legendas ainda ficavam no âmbito estadual. O historiador Carlos Fico explica ainda que, por Vagas ter assumido um governo provisório e, depois, ter comandado um período ditatorial até 1945, o político não teve vínculo partidário com nenhuma sigla.

“Só com o fim da ditadura do Estado Novo que houve a criação de partidos novos. O PDT, o PSD, todos foram criados em 1946. Desde a revolução de 1930, que levou Vargas ao poder, não havia um funcionamento regular dos partidos”, explicou o historiador.

Época/Camila Zanur

Jovem escalpelada em kart fala sobre sonhos após Enem: ‘pretendo estudar em Harvard’

Depois das 90 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste domingo (10), Débora Oliveira, que foi escalpelada em um acidente de kart em agosto deste ano na Zona Sul do Recife, acreditou que a falta de prática impediu que tivesse um melhor desempenho. Mesmo assim, a estudante tem planos de estudar na universidade de Harvard, nos Estados Unidos, para conciliar os estudos e o tratamento.

“Eu vou tentar me preparar para entrar Harvard. Vai ser uma oportunidade fantástica e eu pretendo estudar muito para conseguir estar lá. Estou estudando inglês todos os dias, praticamente 24 horas por dia. Se não der certo, eu penso em Oxford [na Inglaterra] ou na Alemanha. Aí eu vou ter que aprender alemão”, brincou.

Jovem que teve mão decepada ao defender mãe de ataque do ex deixa a UTI e descobre que ela morreu: ‘Estou acabada’

A jovem de 24 anos que teve a mão esquerda decepada ao tentar defender a mãe de ataque do ex descobriu neste domingo (10) que Genersia morreu. Ela recebeu a notícia assim que deixou a UTI e foi para o quarto na Santa Casa de Mogi Mirim (SP).

“A ficha ainda não caiu. Está difícil, estou acabada”, disse, por telefone.

Abalada com a notícia da morte e ainda se recuperando, já que além de perder a mão, ficou com o braço direito comprometido e com ferimentos na cabeça, ombro e coxa, ela lamentou não ter acompanhado o velório e enterro, falou das dificuldades para registrar boletim de ocorrência e relembrou a noite do crime, quando tentou impedir Juarez Ferreira de atacar a mãe.

Homem arma emboscada, espanca e enforca companheira em SP: ‘Ia me matar’

Uma esteticista de 27 anos foi brutalmente espancada pelo companheiro, de 36, que armou uma emboscada dentro de casa, em Eldorado, no interior de São Paulo. Em entrevista ao G1 neste domingo (10), a mulher, que prefere não se identificar, revelou que esta não é a primeira vez que é agredida pelo homem e que eles haviam voltado a se relacionar há cinco meses.

Segundo ela, o homem sempre foi violento e queria ter o controle de tudo o que ela fazia. A confusão começou em uma festa, enquanto eles estavam com alguns amigos. Em determinado momento, uma colega brigou com o marido e o casal foi levá-la para a casa. A esteticista não quis deixá-la sozinha em sua residência e pediu para o companheiro ficar também, mas ele se recusou e foi embora.

Após ser solto, Lula participa de comemoração em sindicato em São Bernardo do Campo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma comemoração em São Bernardo Campo, no ABC Paulista, neste sábado (9), após ser solto nesta sexta-feira (8). Ele discursou para milhares de pessoas em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e afirmou que Jair Bolsonaro (PSL) foi “eleito para governar para o povo brasileiro e não para os milicianos do Rio de Janeiro”.

Lula deixou a prisão em Curitiba, Paraná, depois de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele – que estava preso desde 7 de abril de 2018 na Superintendência da Polícia Federal (PF) – saiu do local por volta das 17h40 e fez um discurso no qual agradeceu a militantes que ficaram em vigília por 580 dias, dizendo que eles eram “o alimento da democracia que eu precisava para resistir à canalhice que lado podre do Estado brasileiro, da Justiça, do Ministério Público, da Polícia Federal e da Receita Federal”.

Cidades têm manifestações contra decisão do STF sobre prisão após condenação em segunda instância

Atos contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância, foram registrados em algumas cidades neste sábado (9).

Com a decisão, réus condenados só poderão ser presos após o trânsito em julgado, isto é, depois de esgotados todos os recursos. A decisão levou à soltura do ex-presidente Lula, que deixou a carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba nesta sexta (8).

Confira abaixo, por estado, em ordem alfabética:

Acre

Manifestantes se reuniram em frente ao Palácio Rio Branco na capital do Acre — Foto: Clodovildo Nascimento/Rede Amazônica Acre

Manifestantes se reuniram em frente ao Palácio Rio Branco na capital do Acre — Foto: Clodovildo Nascimento/Rede Amazônica Acre

BOLSONARO FALA SOBRE ‘ATIRAR EM AMIGOS’ E JOICE E JANAINA REBATEM: ‘ALIADOS NÃO PODEM SER FERIDOS’

O presidente Jair Bolsonaro usou sua conta no Twitter, neste sábado 9, para afirmar que “sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa, se torna num bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos”. Companheiras de partido, a deputada federal Joice Hasselmann e a deputada estadual Janaina Paschoal responderam ao presidente.

Janaina Paschoal pediu para que Bolsonaro relesse seu tuíte e refletisse mais sobre o trecho em que fala sobre “atirar nos amigos”.

Já Joice Hasselman, que foi retirada da liderança do governo no Congresso e entrou em confronto com os filhos do presidente, afirmando que vai denunciá-los por ameaças que ela e os dois filhos têm recebido através de uma “gangue virtual”, fez um pedido ao presidente: “Se não há norte, nem comando, nos dê tal norte com democracia, respeito e lealdade”.

Disse ainda que cabe a ele “segurar o bando que atira nos amigos. “Aliados não podem ser feridos de morte pelo comando”, afirmou.

GILMAR MENDES: ‘PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA NÃO PODE SER ESVAZIADA PELA LEGISLAÇÃO’

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou seu perfil no Twitter, neste sábado 9, para afirmar que a “presunção de inocência não pode ser esvaziada pela legislação”. Estão em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado propostas de emenda à Constituição (PECs) que vão de encontro à decisão tomada pelo STF na última semana.

“A presunção de inocência não pode ser esvaziada pela legislação. Reformas para dinamizar o processo são oportunas, como a diminuição dos recursos, o adensamento das hipóteses de prisão preventiva e a regulamentação da prescrição. As mudanças devem efetivar a CF; não subvertê-la”, afirmou o ministro.

O ministro votou contra a prisão de condenados em segunda instância desta vez, mas já mudou de ideia algumas vezes. Em 2016 ele tinha votado a favor da execução da pena em segunda instância. Agora, se manifestou pela prisão apenas quando houver o trânsito em julgado, ou seja, quando não for possível mais apresentar recursos.

Na Câmara dos Deputados, já há movimentação de partidos para que a pauta da Casa seja obstruída até a votação da PEC que deixa clara, no texto constitucional, a possibilidade da prisão após condenação em segunda instância.

‘Ele tá solto, mas continua com todos os crimes dele nas costas’, diz Bolsonaro sobre Lula

O presidente  Jair Bolsonaro  afirmou no início da tarde deste sábado que não vai dar espaço e nem contemporizar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “presidiário”. Lula foi solto na sexta-feira, após decisão do Supremo Tribunal Federal  (STF) que reverteu o entendimento da Corte sobre a prisão após condenação em segunda instância. Bolsonaro, que só havia se manifestado sobre a libertação do oponente político pelas redes sociais, na manhã deste sábado, sem citá-lo diretamente, falou ainda que o petista “continua com todos os crimes dele nas costas.

— A grande maioria do povo brasileiro é honesto, trabalhador, e nós não vamos dar espaço nem contemporizar com um presidiário. Ele tá solto, mas continua com todos os crimes dele nas costas — declarou o presidente, na saída do Palácio da Alvorada.

Na ocasião, Bolsonaro cumprimentou cerca de 20 apoiadores na porta do Palácio e se dirigiu para um churrasco em homenagem ao general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e atual assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que completou 68 anos na sexta-feira. Antes, ele confirmou que se referia a Lula em uma postagem no Twitter feita mais cedo, na qual falou em “canalha”. Ao ser questionado por jornalistas sobre o tema, afirmou que já havia publicado comentário no Twitter.

“Amantes da liberdade e do bem, somos a maioria. Não podemos cometer erros. Sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa, se torna num bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos. Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa”, escreveu o presidente na rede social pela manhã.

Na mesma publicação, ele compartilhou vídeo de um evento, realizado ontem em Brasília, em que fala que deve parte de sua eleição ao hoje ministro da Justiça, que, segundo Bolsonaro, cumpriu “missão” como juiz. “Ele estava cumprindo a sua missão. Se essa missão dele não fosse bem cumprida, eu também não estaria aqui. Então, parte do que acontece na política do Brasil devemos ao Sérgio Moro. Se for comparara uma corrente, o elo mais forte dessa corrente”, diz Bolsonaro na gravação da cerimônia exibida.

Na festa em comemoração ao aniversário de Villas Boas, em um clube do Setor Militar Urbano de Brasília, Bolsonaro e convidados desfrutaram de um costelão. Uma mensagem do general foi lida antes dos parabéns com brincadeiras sobre o fato de Bolsonaro ter feito mais sucesso que ele durante o evento e sobre a conta do churrasco, que seria enviada ao Palácio do Planalto ou ao comando do Exército.

Rennan da Penha: quem é o DJ carioca e por que seu nome é um dos mais citados após decisão do STF

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubar a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância, o nome de Rennan da Penha voltou a ser citado nas redes sociais.

Isso porque o DJ foi preso em abril depois de ser condenado em segunda instância pela Justiça do Rio de Janeiro a seis anos e oito meses de prisão pelo crime de associação ao tráfico de drogas. Rennan da Penha havia sido absolvido na primeira instância do julgamento.

Na época, a Ordem dos Advogados do Brasil questionou a prisão de Rennan e afirmou que a condenação seria uma tentativa de criminalizar o funk. A OAB também declarou preocupação com o uso do sistema da Justiça criminal contra setores marginalizados da sociedade. Nas redes sociais, fãs do DJ mostraram insatisfação com a decisão. Um ato chegou a ser organizado pedindo liberdade para Rennan.

A decisão do STF, após votação nesta quinta-feira (7), pode beneficiar presos como Rennan, mas sua aplicação não é automática para os processos nas demais instâncias do Judiciário. Caberá a cada juiz analisar, caso a caso, a situação processual dos presos que poderão ser beneficiados com a soltura. Se houver entendimento de que o preso é perigoso, por exemplo, ele pode ter a prisão preventiva decretada.

“Me acusam de olheiro, que dava informações por onde a polícia passava naquela comunidade. Mas foi um mal-entendido devido que todo mundo se comunica na comunidade. Toda vez que tem uma operação todos os moradores se comunicam, entendeu? Colocaram isso como se fosse atividade do tráfico”, explicou o DJ na delegacia.

Rennan da Penha — Foto: Divulgação/Leleco

Rennan da Penha — Foto: Divulgação/Leleco

Quem é Rennan da Penha?

Rennan da Penha é o criador “Baile da Gaiola”, maior baile funk do Rio. O evento espalhou a batida de funk 150, mais ouvida no Brasil atualmente. O baile, que acontece na Vila Cruzeiro, Complexo da Penha, já chegou a receber mais de 20 mil pessoas em uma edição em julho de 2018 e durou cerca de 16 horas.

Tema de diversas músicas, o “Baile da Gaiola” já apareceu em letras de Dennis DJ, Mc Livinho, Mc Maneirinho e Mc Kelvin. Os vídeos somam 225 milhões de visualizações no Youtube.

Referência no mundo do funk, Rennan já teve participações em músicas do Nego do Borel e foi um dos convidados do bloco Fervo da Lud, da cantora Ludmilla.

Em entrevista ao G1MC Du Black falou sobre a prisão de Rennan. “A prisão do Rennan fez a gente ficar bastante recuado, pensando: por que o governo está fazendo isso? O que a gente faz de mal com o funk? Mas também deixou a gente disposto, porque o funk vai continuar. Está todo mundo seguindo, funk não eh crime, DJ não é criminoso, a gente é artista de rua.”

Já Anitta preferiu não opinar sobre o assunto quando foi questionada em junho deste ano. “Eu não sei absolutamente nada [sobre a prisão de Rennan]. Eu sei que aconteceu, mas não sei os motivos, então não sou muito boa para opinar nesse momento.”