Campo Grande, 22 de setembro de 2021

“Não se assustem, então, se alguém pedir o AI-5”, diz Guedes

 

Em entrevista coletiva com a presença de jornalistas brasileiros e da imprensa estrangeira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que as pessoas não devem ficar assustadas se “alguém pedir o AI-5”.

A afirmação foi feita enquanto o ministro explicava que o governo considera adiar as reformas tributária e administrativa por causa dos protestos em países latinos-Americanos e citava o chamado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que a população seguisse o exemplo do Chile e da Bolívia para “lutar, resistir”.

“É irresponsável chamar alguém para rua agora para fazer quebradeira. Para dizer que tem que tomar o poder. Se você acredita numa democracia, quem acredita numa democracia espera vencer e ser eleito. Não chama ninguém para quebrar nada na rua. Este é o recado para quem está ao vivo no Brasil inteiro. Sejam responsáveis, pratiquem a democracia”, afirmou o Ministro.

Logo antes desta fala, quando a coletiva já durava uma hora e meia, o ministro citou o AI-5 pela primeira vez, dizendo que considerava uma irresponsabilidade chamar o povo para as ruas e que depois “o filho do presidente fala em AI-5, aí todo mundo assusta”.

Mais tarde na coletiva, quando questionado se o AI-5 era admissível em alguma circunstância, o ministro respondeu, gesticulando os braços de maneira que parecia ser irônica: “É inconcebível, a democracia brasileira jamais admitiria, mesmo que a esquerda pegue as armas, invada tudo, quebre e derrube à força o Palácio do Planalto, jamais apoiaria o AI-5, isso é Inconcebível. Não aceitaria jamais isso. Questionado se a resposta era uma ironia, o Ministro respondeu, o senhor está nos ironizando? De forma alguma.

Guedes confirmou que o governo está repensando o ritmo das reformas por anseio relacionado aos protestos na América Latina. O ministro afirmou que o “instinto político” do presidente apontou que o mais prudente seria não fazer muitas reformas seguidas e repensar o “timing” proposto inicialmente. Guedes afirmou também que “muita gente no Congresso que “muita gente no Congresso quer seguir com as reformas e está achando até que é excesso de cautela do presidente” e que ele mesmo tem uma visão “um pouco diferente”. “

Qualquer país democrático quando vê o povo saindo para a rua se pergunta se vale a pena fazer tantas reformas ao mesmo tempo”, afirmou o ministro.

O ministro reiterou diversas vezes que acreditava que os jornalistas iriam interpretar errado sua fala sobre o AI-5 e que iria esperar para ver se havia sido interpretado da maneira correta quando lesse as matérias publicadas. Disse também que, com base nessas matérias, iria escolher com quem falar no dia seguinte.

Bolsonaro

Nesta terça-feira, ao deixar o Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro evitou comentar a declaração de Guedes. O presidente disse a jornalistas que só falaria sobre o “AI-38”, em referência ao número de seu futuro partido, o Aliança Pelo Brasil.

No final do mês passado, quando o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, sugeriu a adoção de um novo AI-5, Bolsonaro refutou a ideia e criticou a declaração publicamente.

Por Paola de Orte, Para o Valor — Washington

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