Campo Grande, 16 de setembro de 2021

Itamaraty nega envolvimento brasileiro em ataque a bases militares na Venezuela

BRASÍLIA — O Ministério das Relações Exteriores negou, nesta segunda-feira, qualquer envolvimento brasileiro nos ataques a bases militares venezuelanas ocorridos no domingo, que deixaram um militar morto e outro ferido. A resposta veio depois de o ministro da Comunicação venezuelano, Jorge Rodríguez, acusar o Brasil na noite de domingo de dar apoio aos grupos responsáveis pelos ataques a unidades militares no Sul do país.

No Twitter, Jorge Rodríguez disse que os responsáveis pelo ataque “treinaram em acampamentos paramilitares amplamente identificados na Colômbia e receberam a colaboração desonesta do governo de Jair Bolsonaro”.

Rodríguez revelou que seis pessoas foram detidas e que algumas armas foram recuperadas: 83 fuzis AK-103, 60 granadas, um lançador de foguetes, uma bazuca, uma metralhadora e seis caixas de munição. Uma operação tentar capturar os demais responsáveis e reaver o restante armamento. Ao todo foram levados 112 fuzis, 120 granadas, três lançadores de foguetes, três metralhadoras, dez bazucas e dez caixas de munição. Nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques.

Na noite de domingo, o chanceler Jorge Arreaza também foi ao Twitter afirmar que o grupo está baseado no Peru, entrando pela Colômbia e recebendo apoio do Brasil. Para ele, se trata de uma “estratégia golpista do Grupo de Lima para produzir violência, morte e desestabilização política na Venezuela”.

Arreaza disse ainda que “as autoridades peruanas são ao menos cúmplices, por permitirem que “os terroristas se organizem impunemente”. O chanceler peruano, Gustavo Meza-Cuadra, rejeitou “as falsas” afirmações de Arreaza, reiterando seu compromisso com “uma solução pacífica” que “permita o retorno para a democração e o fim do regime ilegal de (Nicolás) Maduro”.

Quatro unidades atacadas

Na madrugada deste domingo, um grupo de 12 indígenas da etnia pemón, liderados por um oficial desertor das Forças Armadas, atacou uma base de infantaria na região de Gran Sabana, no estado de Bolívar, que faz fronteira com o Brasil. Além das armas eles levaram um caminhão e fizeram um refém. Depois atacaram dois postos policiais na região, onde roubaram mais armas antes de tentar atacar mais uma guarnição militar, desta vez sem sucesso.

Ataques a unidades militares
Caracas
Local do ataque
VENEZUELA
Gran Sabana
200km
COLOMBIA
Boa Vista
Roraima
EQUADOR
BRASIL
PERU

Na cidade de Luepa houve confronto com civis e militares, resultando na morte do soldado. Há relatos de que pelo menos um sargento tenha sido levado como refém. Segundo o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, a ação foi realizada por “setores extremistas da oposição”.

No dia 14 de dezembro, o governo de Nicolás Maduro acusou dois parlamentares da oposição, Yanet Merín e Fernando Orozco, de tentar um golpe contra o presidente, algo que teria ocorrido com o apoio do presidente autoproclamado Juan Guaidó. De acordo com a versão oficial, o plano incluía a tomada de dois quartéis no estado de Sucre, algo que seria o primeiro passo para ações semelhantes em unidades em Caracas e outras regiões.

Outrora aliados, as relações entre Brasil e Venezuela mudaram de cara depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, e a chegada de Michel Temer ao poder. Com a eleição de Jair Bolsonaro, o Brasil reconheceu Juan Guaidó como presidente venezuelano e agiu para efetivamente isolar Nicolás Maduro.

O primeiro contato direto entre os dois governos só aconteceu em novembro, em meio à invasão da embaixada do país em Brasília. Na ocasião, o encarregado de negócios Freddy Meregote se encontrou com Maurício Correia, coordenador-geral de Privilégios e Imunidades. Isso em meio a uma crise migratória na fronteira do estado de Roraima com a Venezuela, com milhares de pessoas fugindo da grave situação econômica e social enfrentada pelo país.

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