Campo Grande, 16 de setembro de 2021

Reprodução de animais exige cuidado redobrado de motoristas no verão

Campo Grande (MS) – A época é de festas e viagens, mas deve ser também de cuidado redobrado para os motoristas em Mato Grosso do Sul. De acordo com o veterinário Lucas Cazati, do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), a quantidade de atropelamentos de bichos no verão aumenta entre 50% e 60%.

Em parte, isso se deve ao aumento da população de animais como os quatis, que tiveram filhotes há poucos dias. “São espécies que deixam para ter filhotes no verão, quando a temperatura é alta e tem abundância de alimento”, explica Cazati.

Em um passeio pelos parques da Capital é possível ver dezenas de animais recém-nascidos atravessando despreocupadamente ruas e avenidas acompanhados dos pais.

Quatis atravessam rua no Parque dos Poderes, em Campo Grande (foto: Chico Ribeiro)

Excesso de velocidade e imprudência colaboram para o aumento de acidentes, provocando traumas e até morte de animais. Cazati também alerta que alimentar os animais silvestres favorece os atropelamentos porque os bichos criam o hábito de atravessar as vias para receber a comida.

Veterinário Lucas Cazati explica que atropelamento de animais aumenta no verão (foto: Chico Ribeiro)

Cazati é um dos responsáveis por salvar a vida de centenas de animais silvestres, vítimas de atropelamento e da captura de traficantes. No CRAS, em Campo Grande, são feitos praticamente todos os procedimentos para salvar os bichos, inclusive cirurgias.

Mãe e filho, vítimas do trânsito (foto: Lucas Cazati)

Triste fim

Grande parte dos acidentes envolvendo animais acontece nas rodovias. Na noite do último dia 7 (sábado), mãe e filho da espécie macaco-prego foram vítimas.

A mãe teve politraumatismo e foi levada para o Cras pela Polícia Militar Ambiental (PMA), abraçada ao filhote, que já estava morto. Ela passou por uma cirurgia, mas não sobreviveu.

Recuperação

Outras histórias tiveram finais bem mais felizes. É o caso de uma jiboia, que está em recuperação no Cras e é levada periodicamente à UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para passar por sessões de acupuntura.

Tem também o lobinho que sofreu uma fratura exposta em uma das patas, passou por uma cirurgia, conseguiu se recuperar e já está de volta à natureza.

Lobinho sofreu fratura exposta, mas já se recuperou (foto: Lucas Cazati)

O que fazer?

Mas o que fazer em caso de atropelamento de algum animal silvestre? O veterinário explica que não se deve mexer bicho. “Não se deve pôr a mão no animal. Tem que parar o carro e acionar a PMA. Eles vão buscar fazer a captura adequada e trazer para o CRAS”, diz.

Ele conta que uma mulher foi atacada ao tentar resgatar um filhote atropelado no Parque dos Poderes, na Capital. É que a mãe quati tentou proteger o bichinho.

Centro de Reabilitação

Hoje, o Cras tem mais de 200 animais, incluindo araras, maritacas, periquitos, tamanduás, logo-guará, raposa, macacos-pregos, onças pardas, cobras, antas e jaguatirica, entre muitos outros.

Além dos atropelados, o Cras recebe os bichos entregues voluntariamente pela população e os apreendidos em operações de combate ao tráfico.

É o 2º Centro de Reabilitação de Animais Silvestres mais antigo do país, com 33 anos. Em média, os animais consomem mais de 300 quilos de carne e 500 quilos de frutas, verduras e hortaliças.

Paulo Fernandes – Subsecretaria de Comunicação

Fotos: Chico Ribeiro, Secom / Lucas Cazati, Cras

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