Campo Grande, 23 de setembro de 2021

Lauana Prado chega ao topo após 14 anos de tentativas, 3 reality shows e uma mudança de nome

Estirado no chão, um cãozinho quase é pisado várias vezes no camarim do Centro de Tradições Nordestinas, na Zona Norte de São Paulo. “Cuidado com o Patz”, avisa Lauana Prado, dona do cachorro. Ela também é dona de “Cobaia”, música mais ouvida no YouTube brasileiro em 2019.

O simpático pet da raça spitz anão foi batizado com o nome do remédio que mudou a vida da cantora sertaneja de 30 anos:

“É meu remédio de insônia, o nome comercial do Zolpidem. Eu preciso tomar. Eu fiz consulta com psiquiatra por conta da questão do sono. Eu sou muito diurna e em 2019 comecei a viajar muito. A rotina é muito complicada pra mim. Não me deu efeito colateral nenhum. Eu durmo feito um neném.”

G1 acompanhou a cantora goiana na van que a levou de sua casa, um imponente apartamento próximo ao aeroporto de Congonhas, até o lugar de seu 152º show em 2019.

Mayara Lauana Pereira e Vieira falou sobre sucesso, mas também sobre a vontade de desistir da carreira após três reality shows, uma mudança de nome e quatro de cidade. Foram 14 anos de tentativas antes de estourar, no ano passado.

Mayara Prado e Lauana Prado: a cantora sertaneja no começo da carreira e após mudar nome artístico, em foto de 2019 — Foto: Divulgação

Mayara Prado e Lauana Prado: a cantora sertaneja no começo da carreira e após mudar nome artístico, em foto de 2019 — Foto: Divulgação

Ao chegar no camarim, onde come meia dúzia de sushis, de pé mesmo, tem orgulho de falar para todo mundo que conseguiu “dormir o dia inteiro”.

No resto do papo, parece menos espontânea e mais escolada do que outras estrelas do feminejo, o sertanejo de letras com sofrência empoderada. A falta de malícia de Marília Mendonça, Simone & Simaria ou Maiara & Maraísa não tem nada a ver com ela.

Diferentemente de suas colegas, Lauana parece que pensa bem antes de falar. A voz só fica menos empostada quando o assunto é o Patz. O cão ou o remédio.

Quantos shows você faz por mês?
“Eu sempre tento manter um limite de 17. Eu seguro bem.”
Já vi gente que faz menos, 12, mas já vi gente com 25 ou mais…
“Eu não faço isso de jeito de nenhum.”
Já fez?

“Cara, já. A logística é uma coisa que pesa muito. No tempo de barzinho, era diferente. Uma coisa é ficar em uma cidade só, daí você faz 20 shows tranquilo, não é tão pesado quanto 10 viajando. Cinco anos atrás, minha energia era outra também. Então, penso no futuro… Quero me preservar, mas sem deixar de trabalhar. Quero manter minha saúde mental e física.”

Lauana era chamada por outro nome em sua fase de shows de calouros. Mayara Prado participou de dois programas do Raul Gil (“Jovens Talentos”, em 2011, e “Mulheres que Brilham”, de 2014).

A vitória no segundo rendeu contrato de um ano com a gravadora Sony. Antes, foi semifinalista do “The Voice”, em 2012.

Ela diz que já “perdeu oportunidades” por isso: “Tem essa coisa de você cansar a imagem. As pessoas do mercado me diziam: isso aí não dá certo, artista deixa de ser novidade, você meio que vira carne de vaca, que eles chamam, popular demais.”

Mas foi por meio dos programas de TV que ela conheceu cantores e produtores que seriam importantes para a fase Lauana.

Ela morou e fez faculdade em São Luís, nasceu em Goiânia e passou a infância em Araguaína, no Tocantins. Em 2014, a vinda para São Paulo foi, segundo ela, “dar um passo pra trás pra dar dois pra frente”. “Eu fazia noite, ganhava um valor legal, R$ 5 a 6 mil por mês. Tive que abrir mão desses contratantes.”

Lauana Prado canta no Centro de Tradições Nordestinas, em São Paulo, em dezembro de 2019 — Foto: Caio Duran/Divulgação

Lauana Prado canta no Centro de Tradições Nordestinas, em São Paulo, em dezembro de 2019 — Foto: Caio Duran/Divulgação

Nas entrevistas após o estouro de “Cobaia”, quase sempre conta que pensou em desistir da música:

“Essa coisa da resiliência, você se depara com um possível desestímulo, com aquela coisa do ‘nossa, será? melhor não continuar’. Era difícil você lidar com o desejo de fazer acontecer versus a impossibilidade por falta de grana pra investimento, de questões com empresários. Durante uns 11 anos, eu tive muita dificuldade.”

Se não continuasse, seria publicitária. Ela se formou em Publicidade e Propaganda na Universidade Federal do Maranhão. “Fiz estágio e trabalhos esporádicos, mas eu já cantava. Trabalhei com jingle, campanhas e na área de redação publicitária… A faculdade me ajudou a ler teleprompter, a saber me apresentar, me ajudou pra caramba. Alguns artistas não conseguem se comunicar.”

100 fotos em uma noite

Fazer show não é só deitar no camarim, esperar a hora certa, ir lá cantar e ir embora. Na noite do show visto pelo G1, em São Paulo, Lauana tira mais foto do que influenciador de Instagram.

No fim da maratona de selfies, beijinho e poses, ela se joga no sofá e grita por Patz, o cachorro. “Nem começou o show e já tô cansada. Acho que atendi umas cem pessoas.”

O atendimento a fãs e todo tipo de gente demora mais de uma hora. Ela tem que explicar quem ela é para uma criança de três anos e aceitar pedidos estranhos como o de um cara que quer pedir a noiva em casamento (e fica falando de 30 em 30 segundos que o anel que comprou é “caro demais”).

Ela grava stories para o Instagram da atração de abertura (Fernanda Salgado, com quem competiu no “Jovens Talentos”) e para a casa de shows. Tem gente que diz que está fazendo aniversário (a equipe canta “Parabéns pra você” rapidamente) e uma moça que entrega à ídola uma sacola cheia de pequis.

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