Campo Grande, 27 de setembro de 2021

Declaração de Eduardo Bolsonaro sobre coronavírus provoca crise diplomática com a China

Uma declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro(PSL-SP) responsabilizando a China pela pandemia de coronavírus provocou uma crise diplomática com o país. Por meio de seu embaixador no Brasil, Yang Wanming, o país asiático, que é o principal parceiro comercial do Brasil, manifestou veemente repúdio a uma declaração do deputado, chegando a dizer que o filho do presidente Jair Bolsonaro “contraiu um vírus mental” em Miami.

“As suas palavras são um insulto maléfico contra a China e o povo chinês. Tal atitude flagrante anti-China não condiz  com o seu status como deputado federal, nem a sua qualidade como uma figura pública especial.  Além disso, vão ferir a relação amistosa China-Brasil”, acrescentou.

Na mesma linha, a conta oficial da Embaixada da China disse que as palavras de Eduardo “são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizades entre os nossos povos.”

Yang disse também que Eduardo Bolsonaro “precisa assumir todas as suas consequências”.

O deputado também passou adiante uma mensagem dizendo que “A culpa pela pandemia de Coronavírus no mundo tem nome e sobrenome. É do Partido Comunista Chinês”.

Procurado, o Itamaraty não se manifestou na noite desta quarta-feira.

O comportamento de Eduardo mimetiza o do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem chamado a Covid-19 de “o vírus chinês”, expressão considerada racista. Em uma entrevista nesta quarta-feira, Trump voltou a usar o termo, falando em uma “guerra dos EUA contra o vírus chinês”.

— Não sei se podemos dizer que a China é culpada — disse Trump. — Mas veio da China e não há dúvidas sobre isso.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil, e  figura como uma das principais fontes de investimento estrangeiro direto no país. Em 2019, a balança comercial com o país asiático teve superávit de mais US$ 30 bilhões de dólares: o Brasil exportou US$ 65,3 bilhões, e importou US$ 35,8 bilhões.

A China controlou internamente a pandemia de coronavírus, e não reportou nenhum caso de transmissão local nesta quinta-feira (hora local). O país tem buscado usar a pandemia e o controle interno dela no país como uma poderosa arma de soft power, oferecendo auxílio técnico e financeiro a diversos países.

Nesta quarta-feira, o governo chinês anunciou que enviará mais de dois milhões de máscaras à União Europeia (UE) para combater o novo coronavírus, alegando que “a luta contra a doença é global e devemos nos ajudar nesses tempos difíceis”. O material a ser entregue “em breve” incluirá 2 milhões de máscaras cirúrgicas, 200 mil máscaras N-95 e 50 mil testes de triagem.

O governo chinês está ansioso para reivindicar vitória no que o líder da China, Xi Jinping, descreveu como uma “guerra popular” contra o vírus. Neste sentido, empreende uma campanha abrangente para eliminar a dissidência internamente, e tem subido o tom contra Washington.

A crise diplomática deve estremecer a harmonização das relações com Pequim e Washington que o governo Bolsonaro — após, em seu início, maldizer a primeira e louvar a segunda — buscou estabelecer nos últimos meses.

Na semana passada, o principal militar dos Estados Unidos para a América Latina disse que Washington pretende usar o Brasil para conter a influência de Pequim na região.

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