Campo Grande, 16 de setembro de 2021

Governo do DF pede explicações sobre possível omissão de infectados em hospital onde Bolsonaro fez teste de Covid-19

A Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) pediu ao Hospital das Forças Armadas (HFA) que preste esclarecimentos sobre suposta omissão de dados de pessoas com o novo coronavírus diagnosticadas no hospital.

Na semana passada, a unidade de saúde entregou ao governo do DF uma lista com 17 casos, após determinação da Justiça Federal, mas não informou os nomes dos pacientes. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, duas pessoas foram omitidas do documento.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a primeira-dama Michelle Bolsonaro e integrantes do governo federal fizeram testes de Covid-19 no HFA após viagem aos Estados Unidos. Questionado pela reportagem, o hospital negou qualquer omissão e disse que divulgou todas as informações às autoridades (veja íntegra abaixo).

Até segunda-feira (23), pelo menos 23 pessoas que tiveram contato com o presidente durante a viagem aos EUA foram diagnosticadas com o vírus.

Pedido

Na nova petição apresentada à Justiça Federal, a PGDF cita a reportagem da Folha de S. Paulo e pede que o hospital seja intimado a esclarecer porque o total “informado pelo HFA não coincide com o divulgado por diversos órgãos da imprensa nacional”.

“Com efeito, à vista do que tem noticiado a mídia nacional, há divergência quanto à existência de 2 (dois) pacientes cujos nomes não teriam sido informados pela ré”, diz o pedido.

Divulgação de pacientes

A decisão que mandou o HFA informar ao GDF os nomes dos pacientes diagnosticados com Covid-19 no local foi assinada na sexta-feira (20) pela juíza Raquel Soares Chiarelli, da 4ª Vara Federal Cível do DF. A magistrada determinou multa de R$ 50 mil por “por paciente cuja a informação for sonegada”.

Na ação, o governo local alegou que o hospital se negou a fornecer a lista de pessoas diagnosticadas na unidade. Segundo a juíza, “já é notório que a devida identificação dos casos com sorologia positiva para o COVID-19 é fundamental para a definição de políticas públicas para o enfrentamento urgente e inadiável da pandemia”.

No sábado (21), o HFA informou à Justiça que entregou as informações à Secretaria de Saúde do DF. No entanto, não repassou os nomes dos infectados sob a alegação de que pretendia “evitar a exposição dos pacientes e em virtude direito constitucional de proteção à intimidade, vida privada, honra e imagem do cidadão”.

O que diz o HFA

Veja íntegra do posicionamento do Hospital das Forças Armadas sobre o caso:

“Acerca de recentes reportagens publicadas na imprensa, sobre supostas omissões de nomes na lista dos pacientes para a COVID-19, o Hospital das Forças Armadas (HFA) esclarece o seguinte: O HFA reitera que todas as informações, relativas aos pacientes no contexto da Pandemia da COVID-19, foram repassadas às Autoridades Epidemiológicas, sejam federais ou distritais, via sistemas regulamentares, cumprindo rigorosamente todas as normas em vigor. Ao contrário do que foi divulgado, não há qualquer omissão de informações relativas a pacientes que testaram positivo.”

Testes no HFA

Bolsonaro, Mandetta, Guedes e Moro usam máscara em coletiva no Planalto sobre o coronavírus — Foto: Reprodução/GloboNews

Bolsonaro, Mandetta, Guedes e Moro usam máscara em coletiva no Planalto sobre o coronavírus — Foto: Reprodução/GloboNews

Pessoas que estiveram em contato com o presidente durante a viagem começaram a fazer exames para a Covid-19 depois que o secretário de Comunicação Social do governo, Fábio Wajngarten, foi diagnosticado com o novo coronavírus.

Entre as pessoas que tiveram material recolhido para teste por equipes do HFA estão o presidente Jair Bolsonaro; o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno; a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, entre outros.

As 23 pessoas que estiveram com o grupo na viagem e estão com o novo coronavírus são:

  • Marcelo Thomé da Silva de Almeida, presidente da Federação de Indústrias de Rondônia
  • Major Mauro César Barbosa Cid, ajudante de ordens do presidente
  • Coronel Gustavo Suarez da Silva, diretor adjunto do Departamento de Segurança do GSI
  • Filipe Martins, assessor especial da Presidência
  • Embaixador Carlos França, chefe do cerimonial da Presidência
  • Sergio Segovia, presidente da Apex
  • Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia
  • Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional
  • Daniel Freitas, deputado federal
  • Flavio Roscoe, presidente da Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg)
  • Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia
  • Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
  • Fabio Wajngarten, secretário de Comunicação da Presidência da República
  • Nelsinho Trad (PSD-MS), senador
  • Nestor Forster, encarregado de negócios do Brasil nos Estados Unidos
  • Samy Liberman, secretário Especial Adjunto de Comunicação Social da Presidência
  • Francis Suarez, prefeito de Miami
  • Sérgio Lima, publicitário que trabalha com a família Bolsonaro na criação do partido Aliança pelo Brasil
  • Karina Kufa, advogada de Jair Bolsonaro
  • quatro integrantes da equipe de apoio da comitiva

A maior parte do grupo, no entanto, teve resultado negativo. Estão nesta lista o presidente Jair Bolsonaro, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e os ministros Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Ernesto Araújo (Relações Internacionais).

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