Campo Grande, 21 de setembro de 2021

Mandetta diz a Bolsonaro que, enquanto for ministro, vai contrariá-lo se orientação não for técnica

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, avisou ao presidente Bolsonaro que faria um “freio de arrumação” durante a entrevista coletiva deste sábado (29) com a equipe da pasta sobre o combate o coronavírus.

Desde a última quarta-feira (25), um dia após o pronunciamento do presidente na TV que contrariou autoridades de saúde e o próprio ministério do governo de Bolsonaro — atitude que deixou políticos perplexos —, Mandetta estava sendo cobrado por uma posição dura, que reverberasse o trabalho dos técnicos de sua equipe. Mas a resposta técnica do ministro não veio nas 24 horas que se seguiram ao pronunciamento presidencial. Pelo contrário: Mandetta, em entrevista coletiva na quarta-feira, se ajustou ao tom do discurso politico do presidente, afirmando que havia exageros no confinamento social para combater o coronavírus.

A postura de Mandetta irritou aliados, como parlamentares e governadores, e decepcionou técnicos da pasta — sua equipe — e a comunidade científica. A turma do Ministério da Saúde pediu uma postura mais dura de Mandetta, que reagiu dizendo que não tinha flexibilizado sua posição, apenas dera um prazo para o presidente pensar melhor e recuar. Mas não foi isso que ocorreu, pelo contrário.

Antes da entrevista coletiva de Mandetta da tarde de quarta-feira, Bolsonaro dobrou a aposta já pela manhã, dizendo que pediria ao ministro para determinar o isolamento parcial, só confinado o grupo de risco.

Aliados de Mandetta também viram no pronunciamento do presidente na TV um subtexto: uma provocação para que o ministro reagisse e pedisse demissão, livrando o presidente do desgaste de demitir, hoje, o fiador do governo na área da Saúde, que tem apoio de técnicos e da população, além de interlocução com governadores e a comunidade científica.

Por esse motivo, Mandetta justificou a aliados que não agiria de cabeça quente e pediu a conversa de sábado com o presidente no Alvorada para se reposicionar e chancelar a equipe do Ministério da Saúde.

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