Campo Grande, 23 de maio de 2022

General Braga Netto exerce cada vez mais a função de presidente operacional

A influência do general Walter Braga Netto já ultrapassa oficialmente suas funções de ministro chefe da Casa Civil, exercendo agora o papel de coordenar o grupo focado na recuperação econômica; Bolsonaro vai sendo isolado

Jair Bolsonaro e General Braga Netto
Jair Bolsonaro e General Braga Netto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Por Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual – Diante da incapacidade de liderança e articulação do presidente Jair Bolsonaro, escancarada pela sua postura frente à pandemia do novo coronavírus, a influência do general Walter Braga Netto já ultrapassa oficialmente suas funções de ministro chefe da Casa Civil, exercendo, cada vez mais, as atribuições de “presidente operacional”. O Diário Oficial da União desta terça-feira (14) publicou uma resolução pela qual cria um grupo de trabalho interministerial que irá coordenar ações de recuperação da economia, integrado por membros de 15 ministérios e a Advocacia Geral da União.

Leia a resolução aqui.

O “Grupo de Trabalho para a Coordenação de Ações Estruturantes e Estratégicas para Recuperação, Crescimento e Desenvolvimento do País”, como é denominado, deverá apresentar a Braga Netto relatórios parciais de suas atividades a cada 15 dias.

O grupo – claro esvaziamento dos poderes do “superministro” da Economia, Paulo Guedes – atuará por até 90 dias, segundo prevê a resolução. Ao final desse prazo deverá apresentar ao ministro Braga Netto um Plano de Trabalho com “proposta de ações estratégicas para recuperação e retomada do crescimento econômico”.

Entre as atribuições do grupo de trabalho está a de “propor diretrizes para a destinação de emendas parlamentares por meio de articulação com o Congresso Nacional”.

Outras competências são propor “ações estruturantes para a retomada das atividades afetadas pela covid-19 em âmbito nacional” e fazer a articulação com estados, municípios, Distrito Federal e empresas públicas e privadas de ações coordenadas para a retomada.

Para ele, o horizonte é nebuloso. “Entre o final de maio e o mês de junho, o Brasil assistirá ao encontro, no alto, de duas curvas: a da pandemia de coronavírus, com suas consequências, e a curva da recessão, da parada da economia. E o fundo dessas duas crises é outra crise, a institucional” diz.

Em sua opinião, a esse quadro caótico, se avizinha para o segundo semestre outra grave crise, a social. “Qualquer que seja o governo vigente em julho, porque nós não sabemos, será um governo sem força, sem legitimidade, institucionalmente fraco e sem liderança nacional.”

Já na questão do emprego, depois de quatro anos de crescimento fraco e uma expansão “pífia” de 1,1% do PIB em 2019, o cenário é igualmente preocupante. Segundo cálculos do Dieese, os desempregados devem passar dos 17 milhões e podem chegar a 20 milhões de desempregados nos próximos meses.

Na opinião de Amaral, a esquerda brasileira não está devidamente esclarecida sobre o que está por vir. “Não estou vendo a gente se preparar para essa grande crise social do segundo semestre. Estamos nos perdendo na análise do aqui e agora, nas aparências e superficialidades. Por exemplo, se (o ministro da Saúde Luiz Henrique) Mandetta cai ou não cai, se o ‘capitão’ foi à padaria, se não foi, quando a coisa é mais profunda.”

Do lado do comando do país, no momento de uma crise inédita que abarca todos os setores, o país precisaria de um governo que o liderasse, considerando inclusive o modelo de regime  presidencialista vigente. “Não há nenhuma condição do Bolsonaro liderar o país, até porque ele tem demonstrado que não está interessado nisso, mas em liderar uma facção.”

Roberto Amaral mora no Rio de Janeiro e diz à reportagem que está seguindo a quarentena rigorosamente. “Porque tenho 80 anos. Minha filha faz as compras e deixa na portaria. É muito complicado”, diz.

Os números oficiais mais recentes da pandemia de coronavírus, divulgados nesta terça, avançam no país, que registrou 204 mortos nas últimas 24 horas, chegando a um total de 1.532 óbito, com o número de casos chegando a 25.262.  O estado de São Paulo registrou 9.371 casos confirmados e 695 mortos, dos quais 87 nas últimas 24 horas, recorde até o momento.

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