Campo Grande, 26 de maio de 2024

POR QUE OS IDOSOS PODEM E DEVEM APRENDER INGLÊS ?

O envelhecimento é um processo de vida natural que envolve


aspectos físicos, psicológicos e sociais. Embora haja um declínio em
muitas competências e habilidades, o idoso pode aprender novas línguas,
especialmente a inglesa, que é a mais falada mundialmente. Assim sendo,
ampliam-se as possibilidades do mesmo se comunicar globalmente, ampliar
os seus conhecimentos e relacionamentos sociais, expandir seus
entretenimentos na rede internacional de computadores (internet), entre
tantas outras vantagens.
Neste sentido, os autores deste artigo fizeram uma revisão
bibliográfica da literatura mundial, a fim de apresentarem as características
neurobiológicas, neuroplásticas e psicopedagógicas da velhice, a fim de se
comprovar a capacidade cognitiva do idoso para o aprendizado do inglês.
Com o auxílio da neuroplasticidade cerebral, o cérebro do idoso apresenta
capacidade de aprender novas línguas, desde que haja os estímulos
adequados, positivos e significativos dos seus professores. A
neuroplasticidade consiste na capacidade do sistema nervoso sofrer
modificações e adaptações quando exposto a novas experiências. Basta
estar vivo e motivado que se consegue aprender sempre algo novo.
Uma das características da senilidade é o acúmulo de experiências de
vida, conhecidos como conhecimentos prévios, os quais estimulam as
funções executivas e cognitivas, aprimorando as competências e
habilidades para a aprendizagem da língua inglesa. Sendo bilíngues estes
cidadãos, além de ativarem as suas conexões nervosas (tornando-as cada

vez mais complexas), poderão ampliar os seus conhecimentos e ativarem o
funcionamento do seu cérebro, até mesmo prevenindo possíveis lesões
degenerativas do mesmo.

Caso o idoso se sinta incapaz de aprender inglês, saiba que ele pode e
deve viver mais esta experiência em sua vida, pois os seus netos e bisnetos
vão gostar muito de se comunicarem com eles através desta “nova
linguagem”; além disto, ele poderá viajar na imaginação pela internet ou
viajar na realidade para qualquer país do mundo, pois sempre ele estará


apto a se comunicar e conectado mundialmente e, ao mesmo tempo, estará
“exercitando” o seu cérebro. Portanto, aprender a língua inglesa é uma boa
receita de saúde e de convivência social.

Aprendizagem da língua inglesa entre idosos
English language learning among the elderly
Aprendizaje del idioma inglés entre los ancianos

Recebido: 26/09/2020 | Revisado: 01/10/2020 | Aceito: 02/10/2020 | Publicado: 04/10/2020

Carla Cruz Rosa Pires de Souza
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4625-9056
Universidade Católica Dom Bosco, Brasil
E-mail: [email protected]
José Carlos Rosa Pires de Souza
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4460-3770
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Brasil
E-mail: [email protected]
Vítor Cruz Rosa Pires de Souza
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7827-1420
Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal, Brasil
E-mail: [email protected]
Bruno Massayuki Makimoto Monteiro
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1258-4878
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Brasil
E-mail: [email protected]

Resumo
Introdução: o envelhecimento é um processo vital que envolve os aspectos fisiológicos,
psicológicos e sociais. Embora haja um declínio em muitas competências e habilidades nestes
aspectos, o idoso pode aprender novas línguas, especialmente a inglesa, que é a mais falada
mundialmente. Nesse sentido, objetivou-se discutir as características neurobiológicas,
neuroplásticas e psicopedagógicas da senescência, a fim de se comprovar a capacidade
cognitiva do idoso para o aprendizado de novas línguas, especificamente a língua inglesa.
Métodos: realizou-se um estudo de revisão bibliográfica do tipo narrativa, dos artigos
publicados nos últimos 10 anos, sejam eles em português ou em outras línguas, através dos
bancos de dados bibliográficos PubMed, SciELO, Lilacs, SCOPUS, Portal de Periódicos da
Capes, SBU, Google Acadêmico e Psyinfo. Utilizaram-se como descritores os termos

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(CC BY 4.0) | ISSN 2525-3409 | DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v9i10.8811

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senescência, senilidade, desenvolvimento humano, ciclo vital, idoso, velhice, neurobiologia,
neuroplasticidade, cognição, língua inglesa, psicopedagogia e o booleano “e”. Resultados e
discussão: com o auxílio da neuroplasticidade cerebral, o cérebro do idoso apresenta
capacidade de aprender novas línguas, desde que haja os estímulos adequados, positivos e
significativos dos seus professores. Uma das características da senilidade é o acúmulo de
experiências de vida, conhecidos como conhecimentos prévios, os quais estimulam as funções
executivas e cognitivas, aprimorando as competências e habilidades para a aprendizagem da
língua inglesa entre os idosos. Sendo bilíngues estes cidadãos, além de ativarem as suas
conexões nervosas (tornando-as cada vez mais complexas), poderão ampliar seus
conhecimentos e relações sociais.
Palavras-chave: Envelhecimento; Idoso; Língua inglesa; Plasticidade neuronal.

Abstract
Introduction: aging is a vital process that involves physiological, psychological and social
aspects. Although there is a decline in many competences and skills in these aspects, the
elderly can learn new languages, especially English, which is the most widely spoken
worldwide. In this sense, the objective was to discuss the neurobiological, neuroplastic and
psychopedagogical characteristics of senescence, in order to prove the elderly’s cognitive
ability to learn new languages, specifically the English language. Methods: a narrative-type
bibliographic review study was carried out of articles published in the last 10 years, whether
in Portuguese or in other languages, using the bibliographic databases PubMed, SciELO,
Lilacs, SCOPUS, Portal de Periódicos da Capes, SBU, Google Scholar and Psyinfo. The
terms senescence, senility, human development, life cycle, elderly, old age, neurobiology,
neuroplasticity, cognition, English language, psychopedagogy and the Boolean “e” were used
as descriptors. Results and discussion: with the help of cerebral neuroplasticity, the brain of
the elderly has the capacity to learn new languages, as long as there are adequate, positive and
significant stimuli from their teachers. One of the characteristics of senility is the
accumulation of life experiences, known as previous knowledge, which stimulate executive
and cognitive functions, improving skills and abilities for learning the English language
among the elderly. Being bilingual, these citizens, in addition to activating their nervous
connections (making them increasingly complex), will be able to expand their knowledge and
social relationships.
Keywords: Aged; Aging; English language; Neuronal plasticity.

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Resumen
Introducción: el envejecimiento es un proceso vital que involucra aspectos fisiológicos,
psicológicos y sociales. Aunque ha disminuido en muchas competencias y habilidades en
estos aspectos, puede aprender nuevos idiomas, especialmente el inglés, que es el más popular
en todo el mundo. En este sentido, el objetivo es discutir las características neurobiológicas,
neuroplásticas y psicopedagógicas de la senescencia, con el fin de verificar la capacidad
cognitiva de nuevos idiomas, específicamente el inglés. Métodos: Se realizó un estudio de
revisión bibliográfica de tipo narrativo, dos artículos publicados en los últimos 10 años,
similares a ellos en portugués o en otros idiomas, a través de dos bases de datos bibliográficas
PubMed, SciELO, Lilacs, SCOPUS, Portal de Perióticos da Capes, SBU, Google Scholar y
Psyinfo. Se utilizarán como descriptores los términos senescencia, senilidad, desarrollo
humano, ciclo de vida, anciano, vejez, neurobiología, neuroplasticidad, cognición, inglés,
psicopedagogía yo booleano “e”. Resultados y discusión: con la ayuda de la neuroplasticidad
cerebral, el cerebro del anciano tiene la capacidad de aprender nuevos lenguajes, siempre que
existan estímulos adecuados, positivos y significativos por parte de sus profesores. Una de las
características de la senilidad es la acumulación de experiencias de vida, conocidas como
conocimientos previos, que estimulan las funciones ejecutivas y cognitivas, mejorando las
habilidades y habilidades para el aprendizaje de la lengua inglesa entre los ancianos. Al ser
bilingües estos ciudadanos, además de activar sus conexiones nerviosas (haciéndolas cada vez
más complejas), podrán ampliar sus conocimientos y relaciones sociales.
Palabras clave: Anciano; Envejecimiento; Idioma inglés; Plasticidad neuronal.

1. Introdução

O avançar da tecnologia e da medicina possibilitou uma maior longevidade da vida
humana, ou seja, a população está vivendo cada vez mais (Nguyen et al., 2019). Quando se
analisa essa última fase do ciclo vital, observam-se decréscimos nas aptidões física, cognitivas
e neurobiológicas do indivíduo, quadro que é denominado de senescência. Todavia, se essa
evolução cronológica se der patologicamente, isto é, manifestando-se em doenças crônicas e
alterações acentuadas de humor, então se esta perante a um fenômeno chamado de senilidade
(Ciosak et al., 2011).
Não obstante, há de se ter em mente que, nessa faixa etária, não só muitas experiências
de vida foram acumuladas, mas também o ato de pensar, raciocinar e memorizar ainda estão
presentes (Nguyen et al., 2019; Santos & Mendonza, 2017). Com isso, tem-se a possibilidade

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de adquirir novos conhecimentos e aprendizados, não só na sua vida pessoal, mas também na
aquisição de línguas estrangeiras, como a língua inglesa (Santos & Mendonza, 2017).
É sabido que, por mais que esteja em processo de senescência, o cérebro possui a
capacidade da neuroplasticidade e, por isso, tem a chance de mitigar seus efeitos prejudiciais
(Rehfeld et al., 2018). Com essa habilidade plástica, tal estrutura humana consegue promover
novas sinapses, cada vez mais complexas, que facilitam a aquisição de novos conteúdos; isto
só ocorre, porém, se houver os devidos estímulos externos, que devem ser o mais
individualizados possível, haja vista que cada Sistema Nervoso Central (SNC) é composto por
um cérebro e uma medula com características singulares. Afinal, cada cérebro humano é
diferente do outro e, portanto, um mesmo estímulo pode responder diferentemente; além
disso, até no mesmo cérebro podem existir diversas reações, conforme momentos de vida
distintos (Ferreira et al., 2019).
Baseado em tais premissas, é importante a procura de meios que favoreçam um
envelhecimento em que se reduza esse processo de declínio (Nguyen et al., 2019; Rehfeld et
al., 2018). Além de tais estratégias, pode-se trazer aquelas ligadas à cognição, como o
aprendizado de línguas estrangeiras, como a inglesa. De acordo com autores, a educação para
idosos contribui para a renovação dos conhecimentos incorporados ao longo de suas vidas, o
aumento de relações sociais e um despertar para essa fase que demanda aceitação e
enfrentamento (Tavares & Menezes, 2020). Todavia, o professor precisa saber diferenciar as
características individuais de cada um de seus alunos, como é caso daqueles acima dos 60
anos que, de acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), há de se ter maior atenção
quanto a suas necessidades e cuidados (e.g., as nuances neuropsicomotoras) (Tavares et al.,
2017).
No sentido contrário ao estigma e o preconceito relacionado à “melhor idade”, a
também chamada “terceira idade”, está o fato de os idosos estarem cada vez mais ativos e
produtivos na sociedade, tanto na cultura, mercado de trabalho, empreendedorismo, entre
outros, como também na conectividade das redes sociais, adesão à rede internacional de
computadores (internet) e sistema educacional em geral (e.g., alunos e educadores) (Tavares
& Menezes, 2020). Em certos países europeus, como a Itália, a senilidade prevalece em
relação às outras faixas etárias; o Brasil encontra-se no mesmo caminho, visto que o aumento
da expectativa de vida do brasileiro nos últimos anos tem aumentado (Camargos et al., 2019).
Portanto, os idosos estão cada vez mais independentes, sendo capazes de procurarem
novas formas de adaptação aos novos tempos; estão ávidos por conhecimentos e
entretenimentos, necessitando de comunicação poliglota para poderem usufruírem da melhor

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maneira possível da tecnologia globalizada. Neste contexto, este artigo tem como objetivo
discutir as características neurobiológicas e psicopedagógicas da senescência, a fim de
comprovar a capacidade cognitiva do idoso para o aprendizado de novas línguas,
especificamente a língua inglesa.

2. Métodos

Realizou-se uma revisão bibliográfica narrativa, dos artigos publicados nos últimos 10
anos (2010-2020), sejam eles em português ou em outras línguas, através dos bancos de dados
bibliográficos National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online
(SciELO), Lilacs, SCOPUS, Portal de Periódicos da Capes, SBU, Google Acadêmico e
Psyinfo. Para isso, utilizaram-se como descritores os termos “senescência”, “senilidade”,
“desenvolvimento humano”, “ciclo vital”, “idoso”, “velhice”, “neurobiologia”,
“neuroplasticidade”, “cognição”, “língua inglesa”, “psicopedagogia” e o booleano “AND”.
Ao serem levantados os artigos, leram-se o título e o resumo e, caso não estivessem no
escopo da proposta do presente manuscrito (i.e., que se tratassem da neurobiologia e
psicopedagogia envolvendo idosos e aprendizagem), eram retirados. Desta forma, traçou-se
uma linha de raciocínio narrativo que englobasse o tema e, sequencialmente, estipularam-se
três tópicos, considerados coerentes e didáticos, iniciando com (1) ciclo vital da senescência e
suas peculiaridades neuropsicomotoras, (2) neuroplasticidade e cognição na senilidade e (3)
aprendizagem da língua inglesa por idosos.
Paralelamente, convém destacar que os artigos de revisão bibliográfica são
imprescindíveis não apenas para se aprofundar o debate científico mas também para se expor
uma percepção mais completa acerca da temática pretendida (Depolito et al., 2020). A revisão
do tipo narrativa é bem aceita, embora seja criticada por ser mais difícil de reproduzi-la
(Rother, 2007).

3. Resultados e Discussão

3.1. Ciclo vital da senescência e suas peculiaridades neuropsicomotoras

O ciclo vital é estudado desde a gravidez, infância, adolescência, idade adulta e
envelhecimento, através das características biológicas, psicológicas, comportamentais,
culturais, históricas e espirituais do ser humano (Araujo et al., 2020). Uma das preocupações

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do idoso é perder a sua autonomia, a sua saúde física e mental, o seu nível de independência
de locomoção, as suas atividades neuromotoras, sociais, ambientais e culturais. Por conta
disso, é necessário que haja políticas públicas sociais e de saúde que incentivem o bem-estar
dos idosos, ainda que este seja um aspecto subjetivo, uma vez que os interesses e expectativas
de cada pessoa se diversificam; afinal, o que pode ser de interesse para um, pode não o ser
para outro. Diante disso, cabe a estimulação e investigação das multifacetas que abranjam a
atividade cognitiva e neuropsicomotora de cada indivíduo senil, sendo estas compostas por
uma emoção positiva, compromisso, sentido, realização e relacionamentos positivos
(Knappem et al. 2015).
A Organização Mundial de Saúde descreve a senescência como um processo único e
que não existe um idoso típico, mas sim que há muitas diversidades entre eles, principalmente
nas suas capacidades, expectativas, preocupações e necessidades, as quais advêm de eventos
que ocorreram ao longo do desenvolvimento da sua vida (Tavares & Menezes, 2020). Apesar
de inúmeras investigações a respeito do assunto, o envelhecimento é um processo
idiossincrásico e irreversível, para onde todos os seres humanos caminham (OMS, 2015).
Nessa perspectiva, com o envelhecer da idade cronológica, ocorrem deficiências
físicas, cognitivas e comportamentais, devido a alterações biológicas que desencadeiam uma
série de eventos moleculares e celulares, gerando os radicais livres, mudanças proteicas e
morte de células. No SNC, ou mais especificamente no cérebro, ocorrem alterações em
diversos âmbitos neurobiológicos e neurofisiológicos, como a diminuição das conexões
nervosas (sinapses), lentidão do processo de regeneração do axônio dos neurônios,
decréscimo na plasticidade; neuroquímicos (alterando o ciclo colinérgico, em nível de
monoaminas) e estruturais (alteração do neocórtex, do complexo hipocampal e dos núcleos da
base). No parâmetro morfológico, o cérebro do idoso diferencia-se do jovem, porque há
redução do seu tamanho e peso; ocorrendo particularmente naquele idoso que sofreu um
envelhecimento patológico, podendo apresentar alargamento tanto dos ventrículos como dos
sulcos, bem como afinamento dos giros (Fries & Pereira, 2011).

3.2. Neuroplasticidade e cognição na senilidade

A neuroplasticidade é essencial para terceira idade está relacionada com aos processos
cognitivos. Estes, por sua vez, compõem a tríade do processo de aprendizado humano
juntamente com as funções conativas (i.e., motivação, personalidade individual e emoções) e
executivas (que coordena a função tanto da cognição quanto da conação) (Fonseca, 2014).

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Disso, é interessante lembrar que a plasticidade neuronal é definida como a adaptação
dos neurônios a novas situações e estímulos. É reconhecido que o SNC e, especialmente, os
neurônios modificam-se de acordo com as mudanças das condições do ambiente, que ocorrem
no dia a dia da vida das pessoas. Anteriormente, pensava-se que os neurônios não se
regeneravam; entretanto, com os avanços da ciência, mostrou-se que o cérebro possui a
habilidade de se adaptar, perante a estímulos ambientais ou por necessidade, alterando sua
estrutura, função e perfil químico, seja temporária ou permanentemente; tal fenômeno é
denominado de neuroplasticidade (Ferreira et al., 2019).
A cognição é uma função psíquica complexa e versátil, que é cada vez mais
aprimorada dependendo das motivações e necessidades individuais. As funções mentais,
essencialmente, a atenção, memória, pensamento e inteligência caminham lado a lado no
sentido de integrar a capacidade de novos conhecimentos às bases neurobiológicas. Enquanto
o ser humano está em estado de vigília, tanto a atenção voluntária como a involuntária são
influenciadas por uma série de informações; entretanto, o cérebro não é capaz de as processar
simultaneamente. Por conseguinte, faz-se necessário um mecanismo de regulação, seleção e
organização da sensopercepção, por meio de um mecanismo eletroquímico e neurológico
realizado pelas funções executivas. Estas fazem o planejamento e a autorregulação do
comportamento para predisporem uma ação; visando a metas em curto e longo prazo, com a
utilização de estruturas pré-frontais em comunicação com áreas subcorticais e gânglios da
base (Nguyen et al., 2019; Shigaeff et al., 2011).
No envelhecimento saudável, sem a presença de processos demenciais deteriorantes, é
possível se interligarem as funções executivas e a cognição, com o auxílio da
neuroplasticidade, no propósito de aquisição de novos conhecimentos, como, por exemplo, o
aprendizado de uma língua estrangeira, tal qual a inglesa. A plasticidade cerebral pode ser
regenerativa, axônica, sináptica, dendrítica, somática e de habituação; esta última é uma de
suas formas mais simples, na qual pode ter valor compensatório, embora não ocorra com
frequência (Saraulli et al., 2017).
A neuroplasticidade nem sempre ocorre de forma perfeita, fato que demanda ativações
sucessivas e estímulos de novos aprendizados. Sendo assim, junto com as funções executivas,
visam ao controle e regulação do processamento das informações no cérebro, com diversos
recursos cognitivos, motivacionais, emocionais e comportamentais (Nguyen et al., 2019).
Ademais, esta função de execução, conhecida como controle inibitório, e a flexibilidade
cognitiva atuam nas transformações nucleares, durante o desempenho de outras atividades
mentais mais complexas, como aprender novas palavras estrangeiras; nesse sentido, as

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funções executivas trabalham em parceria com todas as outras funções cerebrais. Contudo,
ressalta-se a sua estreita relação com os processos de memória (Rocha et al. 2014).
As funções executivas estão ligadas a um contexto com vários tipos de atividades e,
dependendo do desenvolvimento do ciclo vital das pessoas, estas se tornam indispensáveis,
emocional e cognitivamente, para uma vida estável (Ferreira et al., 2019). Como exemplos de
funções executivas, destacam-se a sustentação do foco, através da atenção voluntária
(tentando superar a involuntária, quando o foco se dispersa por estímulos diversos); o acesso à
percepção por meio da sensibilidade, da integração analítica e sintética do ser humano; a
memória de trabalho que fará com que a pessoa faça a sua recuperação, julgamento e
utilização das informações que lhes são relevantes; o controle através do esforço da inibição,
autoavaliação, improvisação, raciocínio lógico não apenas indutivo mas também dedutivo e
conclusão de tarefas (Fonseca, 2014).
Ainda no que toca as funções executivas, tem-se a planificação, antecipação, ordem e
hierarquia na predição de tarefas, com o objetivo de atingir os resultados; cabendo aqui
ressaltar que estas últimas são imprescindíveis no processo de aprendizado de novas línguas
como a inglesa. Não obstante, ainda há a função da flexibilização com autocrítica, alterando
as condutas que são estratégias para a mudança dos erros e a resolução de obstáculos; a
metacognição que envolve a sistematização, automonitorização, revisão e supervisão; a
capacidade de decisão com a aplicação de diferentes resoluções de problemas, com a gestão
adequada do tempo de execução, com a finalização e verificação das atividades (Fonseca,
2014).
Desse modo, quando se entrar em contato com elementos novos, a serem aprendidos;
o cérebro, como o do indivíduo senil, estabelece-se relações com conhecimentos anteriores
adquiridos. Consequentemente, formam-se pensamentos que será mais eficaz à medida que
lhe apresentarem objetos de estudo relacionados com seu contexto e/ou vivências; para que
assim, o aluno ativamente trace ligações lógicas e psicocognitivas diante de seus estudos
(Agra et al., 2019). Nesse contexto, tratando-se de aprendizagem de novas línguas, como a
inglesa, é essencial que quem ensina esteja ciente desses processos, a fim de se obterem
maiores resultados na prática educativa; afinal, assim como ocorre na educação de crianças e
jovens, a receptividade bem como a satisfação são muito maiores quando o aprendiz percebe
que o que se aprende possui pontos em comum com a sua realidade ou suas lembranças
(Monteiro et al., 2020).

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3.3. Aprendizagem da língua inglesa por idosos

Como já mencionado anteriormente, o termo “envelhecer” mudou seu significado
tanto na sociedade, quanto na mentalidade das pessoas em idades mais avançadas. Os idosos
assumiram um lugar de ação e estão inseridos em cada vez mais em atividades que antes se
afirmava que não eram capazes de aprender. Sabendo disso, muitas instituições educacionais
do curso superior têm aberto cursos para esta população (Martins, 2017; Tavares & Menezes,
2020). Segundo estudos, procuram-se com maior frequência aqueles voltados ao aprendizado
de uma nova língua, já que autores defendem que aprender uma língua estrangeira incita os
processos cognitivos de modo a mitigar muitos dos efeitos degenerativos decorrentes do
envelhecimento (Martins, 2017).
Nesse contexto, é interessante rememorar que, com o passar do tempo, muda-se o
paradigma educacional e, com o ensino de línguas, não é diferente. O aluno precisa ser tratado
como alguém que é filho de seu tempo, ou seja, é um ser histórico que leva consigo marcas de
sua vida e de seu contexto sociocultural. Educadores progressistas já vêm defendendo isso há
décadas e muitas universidades estão adotando modelos inovadores de ensino, utilizando de
tais preceitos (Junior & Maknamara, 2019)
Quando se adentra no âmbito do ensino da língua inglesa, é imprescindível motivar o
aluno, bem como incentivar sua autonomia. Para que isso ocorra, as questões ligadas ao
indivíduo, às instituições, ao social e governamental devem ser levadas em consideração
dentro das salas de aula, fato que colabora para a construção de um ambiente escolar mais rico
e complexo. Se por um lado, o professor deve estar atento a tais detalhes, por outro, os
discentes precisam participar autônoma e ativamente no processo ensino/aprendizado das
línguas. Dessa forma, constroem um conhecimento rico em significado, haja vista que, ao se
colocar mais significância nessa trajetória, maiores relações podem ser feitas no aprendizado
em línguas (Martins, 2017).
Ao trazer tal conjuntura para os alunos idosos, deve-se prestar atenção para suas
necessidades. Está documentado que, à medida que se avança no desenvolvimento, as
capacidades de aquisição de aprendizado mudam. De forma geral, as crianças possuem maior
inclinação para adquirirem uma conversação mais fluente, ao passo que os mais velhos, uma
prática vocabular e gramatical melhor. Isso ocorre devido às diferentes associações que a
população dos adultos e dos cabelos brancos conseguem fazer, a partir de seus conhecimentos
prévios (Martins, 2017).

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A partir do exposto, é possível notar mudanças estruturais e, por conseguinte,
funcionais no sistema nervoso do idoso que implicam prejuízos relativos em sua vida. Tal
processo, como visto anteriormente, pode ser minimizado desde que haja estímulos
específicos, como as intervenções educativas, pois atuam nos processos de aprendizagem e,
consequentemente, na neuroplasticidade. Saber dessas peculiaridades é uma fonte preciosa
para os educadores; afinal, abre-se mais uma porta para que possam intervir
pedagogicamente. As possibilidades de como colocá-lo em prática são inúmeras; por
exemplo, poderiam questionar aos alunos os motivos pelos quais querem aprender; visto que,
disso, surgiriam ideias de como contextualizar as dinâmicas e tarefas abordadas em sala de
aula.

4. Conclusão

O envelhecimento traz consigo diversas modificações físicas, psicológicas e sociais,
como também a diminuição de competências e habilidades. Além disso, mesmo que a
senilidade seja uma fase do ciclo vital que sofra de muitas interferências ambientais e
culturais, como preconceitos, estigmas e (sub)valorização pessoal, muitos idosos podem e
devem aprender uma língua estrangeira, especialmente a inglesa, uma vez que é a mais falada
no mundo. Isto é facilitado por estímulos cognitivos e comportamentais, sendo o mais
positivo e significativo possível, pois há condições neurobiológicas e neuroplásticas para tal.
Ademais, a senescência será mais proveitosa (levando em consideração a globalização do
conhecimento e das relações humanas), se houver expansão da comunicação, que se inicia
com o aprendizado de uma nova língua, em especial a inglesa.

Conflitos de Interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências

Agra, G., Formiga, N. S., Oliveira, P. S. D., Costa, M. M. L., Fernandes, M. D. G. M., &
Nóbrega, M. M. L. D. (2019). Análisis del concepto de Aprendizaje Significativo bajo la luz
de la Teoría de Ausubel. Revista Brasileira de Enfermagem, 72(1), 248-255.

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Araujo, W. R. M., Santos, I.S., Menezes Filho, N.A., Souza, M. T. C. C., Cunha, A. J. L. A.
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revisão de escopo. Revista de Saúde Pública, 54(48). https://doi.org/10.11606/s1518-
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Porcentagem de contribuição de cada autor no manuscrito

Carla Cruz Rosa Pires de Souza – 25%
José Carlos Souza – 25%
Vítor Cruz Rosa Pires de Souza – 25%
Bruno Massayuki Makimoto Monteiro – 25%

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