Campo Grande, 8 de dezembro de 2021

YouTube tira do ar canal do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos

O YouTube tirou do ar, na noite desta quarta-feira, dois canais do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, investigado nos inquéritos que apuram a disseminação de fake news e a organização e financiamento de atos antidemocráticos. Aos usuários que tentam acessá-los, por meio de um buscador, aparece a mensagem informando que a página está “indisponível”.

Já na busca interna da própria plataforma, não aparece nenhum resultado quando o termo “Terça Livre” é informado – o canal “reserva” também foi bloqueado. No site mantido pelo blogueiro, um texto informa que o administrador do canal foi avisado de que as contas foram derrubadas por “violar os termos e serviços do YouTube”.

Recentemente, o Terça Livre já tinha recebido dois avisos de possíveis violações de privacidade emitidos pelo Google. Um deles era referente a questões de direitos autorais. O outro incluía um discurso em que Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, comentava a invasão ao Capitólio, sede do Legislativo americano.

Há um mês, o movimento Sleeping Giants Brasil vinha mobilizando empresas que tinham anúncios veiculados em vídeos do Terça Livre para que elas ajudassem a desmobilizar o canal. A rede de farmácias Raia Drogasil foi uma das companhias que aderiu à iniciativa e impediu seu conteúdo publicitário de aparecer no canal de Allan dos Santos.

Em novembro, o Twitter chegou a tirar do ar, por algumas horas, o perfil do “Terça Livre”. Na ocasião, a rede social informou que o bloqueio foi feito por medidas de segurança. Meses antes, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos, havia determinado que o Twitter e o Facebook suspendessem as contas de uma série de investigados, incluindo Allan dos Santos.

Após o episódio, ele informou em uma transmissão ao vivo que estava se mudando para os Estados Unidos. O blogueiro criou uma outra conta no Twitter depois que a original foi bloqueada.

Allan dos Santos ganhou notoriedade nas redes sociais, ainda na campanha presidencial de 2018, por se posicionar a favor de Jair Bolsonaro e atacar adversários. A proximidade se intensificou durante o governo – o blogueiro se mudou para Brasília –, mas as acusações de promover desinformação e as investigações posteriores no Supremo estreitaram o alcance da atuação do blogueiro.

João Paulo Saconi/ O Globo

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