Campo Grande, 25 de outubro de 2021

Com empresa em crise, presidente da Evergrande fez fortuna de US$ 8 bilhões com companhia

Apesar do caos em torno das preocupações com o pagamento da dívida da incorporadora imobiliária chinesa Evergrande, seu fundador e presidente Hui Ka Yan permanecerá rico —  mesmo se a empresa entrar em colapso. Da fortuna atual estimada em US$ 11,5 bilhões de Hui, a Forbes calculou que US$ 8 bilhões tem como origem os dividendos pagos em dinheiro desde a abertura de capital, o IPO, da Evergrande em 2009 na Bolsa de Valores de Hong Kong.

Os dividendos foram basicamente para o bolso de um homem — Hui possui 10,2 bilhões de ações da Evergrande, uma participação de 77% na empresa.

A empresa pagou dividendos de 1,13 yuans por ação (US$ 0,17) para o ano de 2017 e 1,419 yuans por ação (US$ 0,22) para 2018, resultando em mais de US$ 4 bilhões em receitas para o presidente apenas nesses dois anos.

Durante esse período, a dívida de Evergrande aumentou de US$ 179 bilhões para US$ 243 bilhões. No final de 2020, a Evergrande tinha US$ 302 bilhões em passivos, ante US$ 7,7 bilhões em 2009, quando abriu capital.

Como ficam os credores

A Evergrande levou o mercado imobiliário da China à beira do desastre na semana passada, quando alertou os bancos que não seria capaz de fazer o pagamento de suas dívidas com vencimento neste mês. Até agora, as ações da empresa já caíram em 80%.

“A responsabilidade recai sobre os credores. Se os credores estão cientes do fato de que o uso dos recursos é para financiar dividendos, eles devem ser mais cuidadosos ”, disse o consultor de finanças corporativas Robert Willens à Forbes. “Freqüentemente, em casos como este, o credor pede uma garantia por parte do acionista principal”, explica.

Fundada há 25 anos em Guangzhou, a Evergrande se tornou a segunda maior incorporadora imobiliária da China sob a liderança de Hui, atrás da Country Garden Holdings. Mas as preocupações com a dívida crescente da companhia, e sua incapacidade de pagar juros, levaram à queda acentuada de suas ações neste ano.

A companhia ainda deve cerca de 1,6 milhão de apartamentos inacabados a compradores que já deram entrada nos empreendimentos.

ÉPOCA NEGÓCIOS

 

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