Campo Grande, 26 de maio de 2024

Entrevista exclusiva: Leila Pereira abre o jogo sobre trajetória, machismo, Palmeiras e poder: ‘Quem tem a caneta sou eu’

“Posso chamar a doutora Leila?” Foi com esta pergunta que a entrevista abaixo foi iniciada, em uma sala virtual, à distância. A doutora, para os funcionários da Crefisa, empresa de crédito pessoal, é a Leila Pereira. Ou Tia Leila, para os torcedores do Palmeiras. Aos 57 anos, é presidente de ambos e também da Faculdade das Américas. Bilionária, iniciou sua trajetória no clube paulista como patrocinadora master, apenas para alegrar o marido José Roberto Lamacchia, palmeirense, que se recuperava de um câncer. Ele e o clube saíram da UTI.

Com o título da Recopa Sul-Americana, Leila se tornou a primeira presidente mulher campeã internacional na América do Sul. Isso pouco menos de dois meses no comando do clube, com direito ainda a final do Mundial de Clubes. Ela, que entrou de sola no Clube do Bolinha, diz ser um trator, admite que “dinheiro traz felicidade” e afirma que a pressão dos torcedores, mesmo sem ter esquentado a cadeira de presidente, vem do fato de ser mulher. “Só que quem tem a caneta sou eu”.

É verdade que seu pai, que era médico, queria que você fosse dona de casa? Como foi ultrapassar essa primeira barreira dentro de casa?

Meu pai, já falecido, era médico. Assim como meus dois irmãos. E sim, meu pai queria que eu fosse dona de casa. E digo isso pela atitudes. Ele nunca virou para mim e disse que queria isso. Ele sempre se preocupou muito com a formação dos meus irmãos. Meu pai direcionou a carreira deles. Mas a minha, não. Nunca me disse que precisava ser médica nem fazer faculdade… Sempre trilhei meu caminho. Hoje penso que ele não achava importante a mulher se destacar, se aprimorar. Acho que pensava que não precisava se preocupar porque ele estaria sempre ao lado, me sustentando.

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Você deixou Cabo Frio para estudar o ensino médio e fazer faculdade. Quem te apoiou nessas decisões?

Minha mãe fez faculdade de Letras, depois de casada e com filhos adultos. Minha mãe nunca trabalhou fora (de casa). Mas sempre quis que eu trabalhasse.

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Leila Pereira cumprimenta jogadores do Palmeiras, que venceram a Copa São Paulo de Futebol Júnior, no Allianz Parque Foto: Fabio Menotti / Ag. Palmeiras
Leila Pereira cumprimenta jogadores do Palmeiras, que venceram a Copa São Paulo de Futebol Júnior, no Allianz Parque Foto: Fabio Menotti / Ag. Palmeiras

Você se formou em jornalismo…

Sempre quis trabalhar, ser independente. Nasci em Cambuci, fui criada em Cabo Frio e, com 17 anos, fui para o Rio de Janeiro para fazer faculdade. Aos 18 anos, eu conheci meu marido, José Roberto Lamacchia. Influenciada por ele também cursei Direito. Nunca fui uma estudante brilhante, mas era esforçada. Cheguei a estagiar na antiga TV Manchete e, por incrível que pareça, eu era uma pessoa extremamente tímida. E aquilo me incomodava muito. E tudo que me incomoda, me faz crescer. Eu sempre quis e quero superar as minhas limitações. Quando olho para trás, falo meu “Deus do céu, como que eu poderia imaginar?” Sei que é uma construção. Fui trabalhando dia a dia. E meu marido é uma pessoa fundamental na minha vida. Jamais seria a pessoa que eu sou se não fosse o José Roberto, que sempre acreditou na minha capacidade. É importante ter alguém que te fale que você é capaz.

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