Criado no Paraná, com carreira consolidada na Ucrânia e na Inglaterra e agora com fortes raízes no… Nordeste! Mais especificamente no litoral pernambucano. A ligação com a região ficou tão forte que o volante Fernandinho escolheu o Recife para promover um evento com a taça da Premier League, no último sábado. Lá, em entrevista ao ge, ele falou sobre essa relação e sobre futebol, em especial a respeito de Pep Guardiola no Manchester City.
Fernandinho foi levado para a Inglaterra pelo chileno Manuel Pellegrini, mas foi com Guardiola, com quem começou a trabalhar em 2016, que ganhou um novo papel e virou até capitão. O volante reinventou seu estilo de jogo, ganhou longevidade e virou um dos homens de confiança do treinador dentro do vestiário.
“A gente brinca no futebol que treinador que anda muito dentro do vestiário não é bom treinador.”
– Então, tem que ter alguém ali para cuidar do vestiário, para que o treinador faça as escolhas pensando no bem do time, pensando em tirar o melhor dos seus atletas. A gente troca muita informação, fala bastante. Ele me pergunta como os jogadores estão, como que a gente pode fazer para melhorar o time, para resolver algum problema, e eu me sinto muito feliz de estar nessa posição – afirma .
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Gabriel Jesus e Fernandinho curtem litoral em Pernambuco — Foto: Reprodução / Instagram
O volante lembra que foi justamente o convívio com Guardiola que permitiu deixá-lo chegar aos 36 anos jogando em alto nível. Mesmo assim, o futuro em Manchester é incerto. Uma das possibilidades é o litoral pernambucano, onde trocaria o ofício da bola pelo setor imobiliário.
– Não é por falta de convite… Meu Deus do céu. Falta o quê? Falta eu definir meu futuro.
Presença constante em Muro Alto e Porto de Galinhas, ele explica um pouco dessa relação, no mínimo, surpreendente.
– A minha relação com o Recife é muito próxima, com a cidade e com as pessoas. Tenho laços desde 2003 ou 2004, praticamente, quando conheci o Romarinho, no Athletico. Nos reencontramos depois na Ucrânia e, a partir de 2010, quando foi a primeira vez que vim tirar férias (em Pernambuco). E aí são 12 anos que sempre que tenho a oportunidade venho com minha família. Venho curtir o calor, as águas, o povo – diz o jogador.
A função de capitão de Guardiola
A gente tenta fazer com que ele se preocupe somente em preparar o time para estar bem nos jogos, para que ele possa tirar o máximo possível de cada jogador. E a minha função de capitão é muito baseada nisso, para que eu dê o respaldo fora de campo, dentro do vestiário, onde ele não pode atuar.
A gente brinca no futebol que treinador que anda muito dentro do vestiário não é bom treinador. Então, tem que ter alguém ali para cuidar do vestiário, para que o treinador faça as escolhas pensando no bem do time, pensando em tirar o melhor dos seus atletas. A gente troca muita informação, fala bastante. Ele me pergunta como os jogadores estão, como que a gente pode fazer para melhorar o time, para resolver algum problema, e eu me sinto muito feliz de estar nessa posição.
Chances de ver Guardiola na Seleção
Já é uma história antiga aqui no Brasil, se fala muito dele desde 2012, 2013, mais ou menos. Ele é um treinador muito gabaritado, sem dúvida nenhuma, e, se ele tivesse a oportunidade de treinar a seleção brasileira, acredito eu que ele ficaria muito feliz porque é mundialmente reconhecida. Que treinador que não gostaria de treinar a Seleção? Mas é um assunto que a gente não fala por inúmeras razões.
Volante Fernandinho x volante Guardiola
Ele foi um jogador que jogou na mesma posição que eu, praticamente. Nós tínhamos um estilo diferente de jogo, ele era muito mais técnico, muito mais cadenciado. Aprendi a ser assim devido ao tempo que passei a trabalhar com ele. Eu tinha uma outra característica. Era um jogador mais veloz, que corria mais, era um pouco mais dinâmico dentro de campo.
Esse tempo de aprendizado desde que estou com ele me ajudou muito a entender o jogo da forma como ele vê o jogo: de correr menos, poupar energia, estar no lugar certo na hora certa, no espaço certo para fazer uma cobertura defensiva, fazer uma aproximação ofensiva, fazer um passe que pode gerar um ataque perigoso contra o oponente.
Expectativa pela Seleção na Copa
Vai chegar bem na Copa e vai fazer o trabalho que tem que fazer. E a gente fica como torcedor esperando que a Seleção chegue na final e ganhe o Mundial. Eu já me aposentei da seleção faz tempo. Estou igual a vocês, só torcendo.
Longevidade no futebol
Então, chegar com 30 anos e ser treinado por um dos melhores técnicos da história do futebol me possibilitou chegar aos 36 anos jogando em alto nível. Quando falo alto nível, falo jogar 10 meses numa competição de alta intensidade, com pouco tempo de descanso, principalmente nos meses de dezembro e janeiro. Nesses seis anos, aprendi muito a guardar um pouco de energia quando não era necessário usar. Estou muito feliz em chegar nessa idade com essa condição.
Acompanha o futebol pernambucano
Acompanho até porque tenho muitos amigos que fazem parte do futebol e são apaixonados. Acaba sendo inevitável, um comentário, uma conversa… Acaba falando sobre futebol.
Identificação com os times pernambucanos
Identificação com os times não tenho. Até porque nunca enfrentei nenhum deles quando jogava no Brasil, mas tenho muitos amigos que são torcedores dos três times, do Náutico, do Santa Cruz e do Sport. E obviamente conversamos, vendo as tirações de sarro. Acho bacana e muito natural de nós, brasileiros. Acho muito legal. Quem sabe um dia eu posso vir morar no Recife e acompanhar mais de perto.





