Campo Grande, 22 de fevereiro de 2024

PRF que matou empresário durante briga no trânsito se entrega à polícia em Campo Grande

O Policial Rodoviário Federal (PRF) Ricardo Hyun Su Moon se entregou à Delegacia Especializada Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), na tarde de sábado (23), em Campo Grande (MS). O agente foi condenado a 23 anos e 4 meses pela morte do empresário Adriano Corrêa do Nascimento, em dezembro de 2016, após uma briga de trânsito.

Por volta das 17h10 de sábado, o PRF se entregou ao Garras, conforme confirmado pelo delegado João Paulo Natali Sartori. O mandado de prisão contra Moon foi expedido pela Justiça de Mato Grosso do Sul, na última sexta-feira (22).

Em maio de 2021, a Justiça Estadual entendeu que a prisão do policial deveria ocorrer apenas após o julgamento dos recursos nos tribunais superiores, mas, recentemente o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida chegou à conclusão que os recursos apresentados pela defesa de Moon estavam adiando a prisão.

O mandado expedido tem validade até maio de 2039 e deverá ser cumprido por policiais da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio (DEH). Em 2019, Ricardo Hyun Su Moon foi condenado a mais de 23 anos de prisão pela morte do empresário e outras duas tentativas de homicídio.

Empresário foi morto a tiros em briga de trânsito com policial — Foto: Reprodução/ TV Morena

Empresário foi morto a tiros em briga de trânsito com policial — Foto: Reprodução/ TV Morena

A prisão de Moon é definitiva, com isso ele deve ocupar uma das celas do presídio de segurança máxima de Campo Grande.

Relembre o caso

 

O crime aconteceu na avenida Ernesto Geisel, em frente ao Horto Florestal, no começo da manhã do dia 31 de dezembro de 2016. O policial alega que estava a caminho do trabalho, quando teria sido fechado no trânsito pela caminhonete conduzida pelo empresário Adriano Corrêa do Nascimento.

Motorista de caminhonete foi morto depois de briga no trânsito — Foto: Marcos Ribeiro/TV Morena

Motorista de caminhonete foi morto depois de briga no trânsito — Foto: Marcos Ribeiro/TV Morena

No veículo estavam também Aguinaldo Espinosa e Vinícius Cauã Ortiz, à época menor de idade, enteado de Aguinaldo. Eles saíam de uma boate onde estavam consumindo bebida alcoólica, conforme depoimentos juntados ao processo.

O policial afirmou em depoimento que imaginou tratar-se de um atentado, por isso teria descido do carro armado e abordado o motorista. Segundo Moon, ao perceber que os ocupantes estavam embriagados, chamou a Polícia Militar (áudios da ligação foram anexados ao processo) a fim de impedir que Adriano seguisse dirigindo. Ele afirma que o condutor avançou com o veículo em sua direção, momento em que atirou

Adriano morreu no local. Após os disparos, sem controle, a caminhonete bateu em um poste. Vinícius foi atingido na perna.

O policial foi recolhido à viatura da Polícia Militar e chegou a ficar preso, sendo libertado após o prazo com medidas restritivas. Ele continuou servindo junto à PRF, mas em funções administrativas.

Em entrevista exclusiva ao g1 em 2018, Moon afirmou que, por conta do que aconteceu, todos os seus anos de estudo não valeram de nada. “O que eu mais prezo é a minha honra e, se eu morrer hoje, ao invés do cara estudioso, vão lembrar apenas do policial assassino“, declarou.

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