Campo Grande, 22 de fevereiro de 2024

Brasil precisa recuperar investimentos em ciência para ter soberania, diz Lula

Durante seu discurso na 74ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) em Brasília (DF), na manhã de hoje, 28, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, caso seja novamente eleito, a educação, a ciência e a tecnologia serão novamente encarados como investimentos e não gastos de governo. O objetivo, segundo ele, é recuperar a soberania do país.

“Eu quero provar, mais uma vez, que a gente vai recuperar este país. E as pessoas têm que aprender uma lição. A primeira lição é que quem tem fome não pode esperar, nós precisamos garantir que as pessoas comam. A segunda lição é que educação, ciência e tecnologia não são gastos públicos, são investimentos para garantir a soberania deste país”, declarou, no auditório da UnB (Universidade de Brasília).

Para o ex-presidente, questionar o valor empregado pelo país em áreas tão estratégicas é a continuidade de uma política de atrasos que acontece há séculos no Brasil.

“A gente precisa se perguntar quanto custou neste país não fazer as coisas no tempo certo, quanto custou a este país não fazer a reforma agrária? Quanto custou a este país acabar com a escravidão e ao invés de dar emprego ao negro, resolveu colocá-lo na rua para chamá-lo de vagabundo e culpá-lo por toda a excrescêcia que acontece? Quanto custou a este país ser o último a fazer a independência? Quanto custou a este país ser o último do nosso continente a ter uma universidade?”, perguntou.

Com o tema “Ciência, independência e soberania nacional”, a reunião da SBPC, que representa os principais anseios da comunidade científica brasileira, teve como centro os 200 anos da independência do Brasil e o centenário da Semana de Arte Moderna. Para Lula, a data tão importante na história do país poderia ser comemorada em um contexto melhor, trazendo mais reflexão.

“Eu fico me perguntando que país é esse, no ano que fazemos 200 anos de independência, no ano que a gente deveria fazer uma avaliação do que aconteceu desde 1822 até agora, o que aconteceu depois da proclamação da República, depois da Constituição de 88. Para que a gente pudesse vislumbrar os próximos 100 anos, para colocar na cabeça dos nossos filhos, desde o momento que eles nascem, o direito de sonhar, o direito de saber que eles poderiam viver num país em que eles teriam oportunidade, de que as chances para todos não seriam distribuídas em função da qualidade do berço em que elas nasceram”, disse.

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