Campo Grande, 22 de fevereiro de 2024

Passo a passo da invasão: vídeos evidenciam conivência policial com invasão terrorista ao Palácio do Planalto, Congresso e STF

Por Dimitrius Dantas — Brasília

invasão de manifestantes golpistas às sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto no domingo chamou a atenção não só pelo rastro de destruição deixado como também pela facilidade com a qual os prédios que abrigam o centro do poder do país foram devassados. Uma análise feita pelo GLOBO em mais de cem vídeos e fotos compartilhados na véspera e no dia dos atos mostra o passo a passo de como terroristas chegaram até lá.

As postagem revelam que, embora a ação tenha sido planejada previamente e anunciada nas redes sociais, quase nada foi feito para evitá-la — e, uma vez dentro dos palácios, contaram com a colaboração de agentes de segurança.

Desde os dias anteriores, as publicações evidenciavam um cenário de radicalização do grupo que estava havia dois meses acampado em frente ao Quartel-Geral do Exército, em Brasília. “Reintegração de posse” e “o povo vai subir a rampa” foram alguns termos usados por pessoas que chegavam a Brasília no sábado.

Na véspera, em um show musical no QG, um dos líderes do acampamento inflamou a multidão prometendo uma faxina no dia seguinte: “Vai ser couro, porrada e bomba, mas nós vamos chacoalhar a cidade de Brasília”.

O planejamento previsto pelas forças de segurança do Distrito Federal, porém, não levava esse cenário em conta. Documento interno da Secretaria de Segurança Pública afirmava que, em reunião na sexta-feira, o acordo foi de manter a Esplanada dos Ministério fechada somente para veículos, mas não para manifestantes, que teriam o acesso barrado apenas na região da Praça dos Três Poderes. Segundo o ministro da Justiça, Flávio Dino, contudo, o plano inicial era fechar por completo o acesso à via que dá acesso aos prédios públicos, mas foi alterado na véspera sem aviso prévio.

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Em um vídeo gravado pouco antes dos manifestantes golpistas deixarem o QG, por volta das 13h do domingo, um policial sobe em um palco no local e, ao microfone, orienta o deslocamento até a Esplanada. Ao fim, ele diz que a PM irá “para colaborar, ajudar e fazer a segurança”. Viaturas, então, passam a escoltar o grupo que minutos depois iria vandalizar os prédios públicos.

Ao chegar na Esplanada dos Ministérios, o primeiro bloqueio praticamente não existiu. Imagens mostram manifestantes passando com facilidade por uma linha de policiais que deveria revistar quem chegava.

O grupo que se dirigia à Praça dos Três Poderes só encontrou um segundo bloqueio em frente ao prédio Congresso Nacional, com grades e poucos policiais. Um vídeo mostra que um dos agentes chega a esboçar uma reação quando os golpistas forçam a passagem, disparando spray de pimenta, mas logo recua e se afasta para liberar o avanço da multidão. Em seguida, o grupo sobe a rampa do Congresso.

Imagens de dentro do Palácio do Planalto e do Congresso também mostram a colaboração de agentes de segurança com os terroristas. Em um deles, policiais militares orientam um grupo a subir uma escada que leva ao Salão Verde, área que dá acesso ao plenário da Câmara. Alguns cantam enquanto policiais auxiliam a passagem. Um deles faz sinal de positivo.

Um dos golpistas presos durante a invasão do Palácio do Planalto disse à Polícia Civil que um integrante do Exército tentou ajudar invasores a deixar o prédio antes que fossem presos. No depoimento, obtido pela TV Globo, ele diz que “um comandante do Exército falava para que os manifestantes fizessem uso de uma saída de emergência, convidando-os a sair”.

Em nota, o Exército informou que “ainda não foi formalmente notificado e não há, até o momento, qualquer fato que indique a sua veracidade”. Disse ainda que “tentou evitar que infiltrados danificassem o local ou que machucassem pessoas, tendo inclusive se colocado entre a tropa de choque e os manifestantes”.

Em outro depoimento obtido pelo GLOBO, o responsável pela segurança do Palácio do Planalto, o militar José Eduardo Natale de Paula Pereira disse que havia 40 homens para proteger a sede do Executivo no domingo. Os números reforçam que o contingente era insuficiente. Segundo o militar, só no Salão Nobre do segundo pavimento do Planalto havia cerca de 700 pessoas, ou seja, o equivalente a 17 invasores para cada segurança.

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