Campo Grande, 28 de fevereiro de 2024

Mudanças no comportamento da criança podem indicar abuso sexual, alerta Polícia Civil

Como evitar que o seu filho seja uma vítima o abuso sexual infantil? A resposta não é tão simples. Estar atento às alterações no comportamento da criança é fundamental. Essas mudanças – que podem ser desde uma conduta mais agressiva até uma automutilação – são sinais de que algo precisa ser averiguado, conforme alerta a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

O delegado Roberto Carlos Morgado Pires, da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), ressalta que, além dos cuidados rotineiros, as mudanças no comportamento da criança devem ser notadas rapidamente, já que podem indicar um possível abuso.

“Essas alterações podem ser sutis ou acontecer de forma mais brusca, por isso é imprescindível se atentar aos detalhes, estar sempre por perto, acompanhar sempre que possível. Com o abuso as vítimas podem ficar mais agressivas, arredias, com medo e desconforto de frequentar o local onde o crime aconteceu ou tem acontecido”.

O delegado alerta também para uma mudança que pode até passar despercebida para os pais, que é a forma de se vestir.  “No caso das crianças mais velhas a mudança na vestimenta pode estar diretamente ligada ao abuso. Usar outros tipos de roupa pode ser um indício de automutilação. Elas começam a se auto machucar e por isso, muitas vezes, passam a usar roupas que escondam o local ferido, como blusas de manga comprida, calças ou roupas mais largas”, explica o delegado Roberto. Segundo ele, deixar de vestir a roupa preferida também pode estar relacionado ao crime.

Quando o assunto é ambiente escolar, a preocupação logo se instala. É difícil encontrar um pai ou uma mãe que nunca tenha, mesmo que por alguns minutos, sofrido com o receio de enfrentar algo tão devastador, como abusos e maus tratos.

De acordo com o delegado, é importante buscar referência sobre escolas, creches e outras instituições onde as crianças serão matriculadas. Também é preciso averiguar se há por parte da instituição o cuidado em checar funcionários, professores, a avaliação de condutas, currículos, entre outras medidas.

“Nestes casos, os pais não têm muito o que fazer. Então, além de referência, a orientação é que fiquem de olhos abertos a quaisquer alterações comportamentais”. O abuso sexual infantil cometido nas instituições escolares pode gerar a desmotivação nos estudos, queda nas notas e até evasão escolar, já que para a vítima aquele passa a ser um ambiente hostil.

Inimigo íntimo

Casos de abuso sexual infantil chocam e deixam um sentimento de impotência e dor; e a vítima nem mesmo precisa ser do nosso convívio para que a revolta surja. Mas quando o crime acontece dentro de casa ou onde a desconfiança não existe, o choque e o desgosto são ainda maiores.

Segundo o delegado, é muito comum que os casos de abuso infantil sejam cometidos por pessoas próximas: familiares ou amigos. “O abuso é cometido, em grande parte dos casos, por madrastas, padrastos, pelos companheiros dos avós, amigos próximos ou até mesmo pelos próprios pais, tios ou outros familiares”.

Abordagem

Se há suspeita de que o abuso sexual esteja de fato acontecendo é necessário fazer a abordagem correta da vítima. Conforme o delegado Roberto, é preciso traçar uma conversa genérica para que a criança não seja induzida a dizer algo irreal por se sentir acuada ou confusa.

“Quando os pais suspeitam que algum tipo de abuso tenha acontecido é preciso abordar a criança, mas com muita sutileza. Deve ser uma conversa que não induza a criança a nada. O melhor caminho é que seja uma conversa genérica, que vá aos poucos fazendo a vítima falar”.

Na DEPCA este acolhimento inicial é realizado pela equipe multidisciplinar, com assistente social e psicólogos. “A equipe tem treinamento específico para este tipo atendimento e está preparada para receber a vítima”, afirma o delegado.

A orientação da Polícia Civil é para que os pais procurem uma unidade policial quando a suspeita do abuso estiver pautada em elementos mínimos que gerem essa desconfiança. “O atendimento na delegacia é realizado inicialmente com os pais para averiguar se há elementos que apontem para o crime ou que sustentem uma oitiva com a vítima”, explica.  Se houver indícios suficientemente claros de que o crime ocorreu, a Polícia Civil instaura inquérito policial para apurar o caso.

DEPCA

A DEPCA atende, em média, 300 crianças por mês – um número que não merece comemorações. O prédio fica na Rua 25 de dezembro, nº 474, no centro de Campo Grande. Hoje, são quase 50 funcionários trabalhando intensivamente para acolher e dar o suporte necessários nos crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes.

Quem precisar de atendimento, deve entrar em contato pelo telefone 3323-2500.

Luciana Brazil, Sejusp

Foto da capa: Saul Schramm

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