Campo Grande, 26 de maio de 2024

Diniz aprova atuação da Seleção, alfineta Jorge Jesus e exalta Neymar: “Ídolo muito gigante”

Por Cahê Mota — Belém, Pará

Boa atuação, torcida em festa e goleada. Fernando Diniz teve uma estreia dos sonhos como técnico da seleção brasileira na vitória por 5 a 1 sobre a Bolívia, nesta sexta-feira, no Mangueirão, em Belém, no Pará, pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

Em entrevista coletiva depois da partida, Diniz se mostrou satisfeito com o desempenho brasileiro:

– Antes de começar o jogo, estava desfrutando deste momento, momento único da minha vida como treinador, dirigir a Seleção. Passa aquele filme gostoso de tudo que já vivi aqui para chegar até aqui – iniciou o técnico.

– Em relação ao jogo, tivemos muitas chances criadas de gol. Não tínhamos cedido nenhum chute para a Bolívia até o gol deles. Foi uma atuação particularmente que gostei muito e estou satisfeito.

O treinador interino da Seleção rasgou elogios a Neymar, autor de dois gols. O camisa 10 se tornou o maior artilheiro do Brasil nas contas da Fifa.

 

Logo na primeira resposta sobre Neymar, Fernando Diniz deu uma alfinetada em Jorge Jesus, treinador do atacante no Al-Hilal. No mês passado, o português criticou a convocação do craque para a Seleção, alegando que ele estava machucado e não tinha condições de atuar.

 

Neymar Fernando Diniz Brasil x Bolívia — Foto: Sebastiao Moreira/EFE

Neymar Fernando Diniz Brasil x Bolívia — Foto: Sebastiao Moreira/EFE

– O time precisa estar com esse espírito (de diversão). Tinha gente que não sabia o que ele (Neymar) veio fazer aqui, ele veio fazer isso aí. Fazer gols, quebrar recordes, mostrar que está superafim de viver isso – declarou o treinador, antes de fazer mais elogios ao camisa 10:

– Ele é um ídolo muito gigante. As pessoas tem que reconhecer e aceitar. Ele não faz nada para ter essa adoração do público, é natural pelo talento que ele tem. Pela simpatia e empatia que ele desperta nos torcedores. Foi um começo de um futuro brilhante que ele vai ter aqui na Seleção e onde ele estiver.

A seleção brasileira volta a campo na terça-feira, quando enfrenta o Peru, às 23h (de Brasília), em Lima.

Confira abaixo outros trechos da entrevista coletiva de Fernando Diniz:

Evolução

– Acho que a tendência é melhorarmos. Por nos conhecermos melhor e por todos estarem em melhor forma. No primeiro tempo, criamos muito, mas fizemos só um gol. Goleiro fez duas defesas espetaculares, perdemos um pênalti, não acho que fizemos diferente no segundo. Achei que tivemos uma produção muito grande no primeiro também.

– Algo que gosto muito de fazer é estar no lugar certo. Todo mundo já acolheu (o Richarlison), e a torcida também acolheu, já que ele saiu aplaudido. Isso é uma coisa muito legal que ele desperta no torcedor. Uma coisa carinhosa. Vamos fazer de tudo para que ele possa manter a tranquilidade, porque ele é um jogador grandioso, e a bola dele vai passar a entrar.

– A gente vai pensar no que for melhor para a Seleção. Quanto ao Richarlison, eu acredito muito nele. É um grande jogador. Hoje, a bola dele não entrou. Não acho que ele jogou mal. Se movimentou muito, ajudou na frente. Uma hora a bola vai entrar. É um jogador que ajuda demais em muitas coisas que, pela tua pergunta, você não ocnseguiu ver. Nas paredes, nos retornos, compensando quem estava na frente. Então ele atendeu, e eu gostei da atuação dele.

Gol sofrido

– Isso faz parte do ponto negativo, o gol e mais outro lance. É difícil, com 4 a 0, festa, achamos que o adversário é inofensivo. Nenhum time é inofensivo. Eles jogaram contra o Equador, na casa do Equador, e perderam de 1 a 0, um gol com erro na saída de bola. Então é um adversário que merece todo respeito, como tivemos. Não podemos relaxar achando que nada vai acontecer. Vamos tomar esse gol como lição para que não aconteça nos próximos jogos.

– O futebol tem esse poder de mudar as vidas das pessoas, não colocando à razão. Mas como eu digo, a vida é mais arte do que ciência. Então, o futebol é mais arte que ciência também. Acho que a gente consegue fazer as coisas que aconteçam, como a de 82 fez, que embora não tenha ganhado, cativou corações, e eu fui um deles. A gente queria crescer e ser igual ao Zico, Sócrates, Cerezo e toda a turma. Encantou mesmo sem ganhar, passou por uma injustiça muito grande. As pessoas não podem ser resumidas a uma bola que entra ou não, uma Copa que ganha ou não. Tivemos um dos maiores gênios do futebol que foi o Zico e uma geração que despertou muito desejo de virar jogador de futebol e a gostar de gutebol. Então, ela cumpriu o seu papel.

Posse de bola

– Todo mundo sabe que tenho um apreço muito grande por ficar com a bola. Mais que isso, como tivemos hoje, ser bastante agressivo, criativo e criar chances de gol. Pretendemos fazer isso daqui pra frente. Tivemos uns erros no dia de hoje, mas os pontos positivos superaram e muito o que tivemos de negativo.

– Eu acho que é simbólico e muito importante tudo que aconteceu hoje. A vitória por cinco gols, a troca de passes, o volume. E de maneira especial, para falar do Neymar. “Ah, o Neymar fazia muito tempo que não jogava”. Ele veio para fazer isso. Temos que conversar, saber o que ele quer, estabelecer bons vínculos. Acho que isso que consegui fazer com ele. Temos que entender que o jogador é a obra-prima do futebol. São os grandes ídolos e heróis que despertam nas crianças o desejo de ser jogador e estar perto. Ele é um desses caras muito diferentes. Temos que saber, respeitar e olhar pras coisas postivias que ele representa.

– Vocês não conhecem o Neymar na intimidade. Não sou o primeiro a falar isso. Investiguem como ele é na intimidade. Se ele é egoísta, ou não, bondoso… E passem isso para o grande público. Porque isso só vai ajudar. Vai ajudar as crianças que gostam dele, a sociedade, e vai ser muito legal que a verdade sobre ele apareça.

 

Fernando Diniz e Neymar em Brasil x Bolívia — Foto: Carl de Souza/AFP

Fernando Diniz e Neymar em Brasil x Bolívia — Foto: Carl de Souza/AFP

– Eu me sinto preparado totalmente. Não encaro a Bolívia diferente de como encaro a Argentina ou a Colômbia. Preparo o Brasil para fazer o melhor que pode, independentemente do adversário. Tratamos a Bolívia com muito respeito e por isso conseguimos jogar bem. Quando chegarem esses adversários, a gente vai tratar da mesma forma que tratamos o de hoje.

Posição dos atletas nos clubes e na Seleção

 

– Eu não sou um treinador muito preso à posição que o jogador joga. Eu me atento ao que está acontecendo no jogo e faço as mudanças que acho válidas. Até pela maneira que eles jogam, ocupam posições diferentes no campo. Lodi, Rodrygo e Neymar jogaram tanto por dentro como por fora, o Casemiro talvez fazia muito tempo que vocês não viam na área do adversário. Essa mobilidade é uma característica do meu trabalho. Por isso que alguns momentos tento aproveitar jogadores que não são daquela posição, mas para determinados momentos dos jogos, eles possam melhorar o time fazendo aquela função, quando necessário.

Desfrutou o jogo?

– Eu sempre aproveito quando estou no campo. Fico muito concentrado. Não fico me deleitando, jogo junto. Me divirto, de certa forma, com eles. mas, na maioria das vezes, estou mais sério para que as coisas aconteçam da mlehor maneira possível. É um tipo de desfrutrar, não como um torcedor. Também desfrutei do jogo, obviamente. O quinto gol hoje acho que foi o mais bem trabalhado nesse sentido. A bola foi pra frente e para trás e depois saiu o gol. Então desfruto, mas diferente do modo do torcedor.

– A nova geração tem muitos jogadores diferenciados. De qualidade raras no futebol mundial. Com técnica, velocidade, drible, agilidade… Acho que a estrutura tática que temos que promover é que não exista dependência de um jogador, porque determinado jogador pode não estar num dia bom. Ele (Neymar) sempre vai ter esse brilho, mas quanto mais gente brilhar junto, melhor.

Ultrapassagens dos laterais

 

– A seleção de 82 tinha coisas parecidas e até diferentes. Foi um time fantástico. Era uma alternativa para o jogo de hoje, o jogo estava congestionado, então podíamos explorar as laterais. O Renan tem essa característica de ser mais ofensivo. Teve muita jogada com o Danilo também, entrando mais de meia, e Raphinha usando mais as jogadas individuais. Fizemos muitas jogadas e gols dois dois lados. Tivemos muito leque de opções. Movimentação de ataque, transições longas, foi um jogo bem interessante da parte ofensiva.

Calor da torcida

 

– Aproveito para agradecer tudo o que o povo do Pará fez. O esforço do governador que fez tudo para o gramado estar bom também. Mas de maneira especial ao povo, essa paixão pelo jogo, acho que a equipe soube corresponder. O futebol é isso. É a coisa mais bonita do jogo. Quando tem essa conexão do jogador com o povo. Espero que hoje seja o início de uma conexão cada vez mais forte, que o torcedor goste de ir ao estádio assistir e também ver na televisão.

– Ele é um jogador muito grande. Extremamente técnico. Conheço desde o São Paulo, que jogava de 8, então estamos retomando o que ele fez no início da carreira. De fato, tive essa conversa com ele. Acho que ele vai se beneficiar muito. Porque ele tem muito jogo que as vezes fica numa situação de mais proteção e que não aparece tanto. Ele fez treinos brilhantes, e hoje uma partida brilhante.

Avaliação

 

– Muito positiva não só de tudo que aconteceu no jogo, mas nos treinamentos também. O time vai crescer, melhorar e é isso que espero. Melhorar não é ganhar sempre de 5, mas é de inventar novas ideias, conhecer mais os jogadores, saber como tirar o melhor de cada um. A tendência é seguir sempre positiva.

Bruno Guimarães

 

– Eu já falei um pouco antes, tenho que agradecer porque de fato o esforço foi muito grande. Dar parabéns ao pessoal pelo gramado. O Bruno é uma felicidade tripla, porque o vi subindo no Audax, o reencontrei no Athletico, participei daquele momento de ascensão, então ele é um dos grandes exemplos no futebol que tenho pra contar. É batalhador e merecedor de tudo que está acontecendo. Costumo dizer que, se não fosse jogador, ele seria médico, advogado ou qualquer coisa, que seria muito bom no que fizesse.

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