Campo Grande, 12 de abril de 2024

Outubro Rosa: Com apoio da família e muita fé, Micheli venceu o câncer de mama

Receber o diagnóstico de um câncer de mama não é fácil, especialmente após o período de ápice da pandemia da covid-19. E foi de forma inesperada que a aposentada, Micheli Almeida Santos Goulart, 41 anos, recebeu a notícia sobre a doença. “Quando eu descobri o câncer eu desabei, chorava sem parar, eu não sei como eu não caí em depressão”.

Micheli ia com frequência ao médico, fazia regularmente seus exames preventivos e foi durante o banho que sentiu um nódulo no seio direito, identificado no autoexame. Sem histórico de câncer na família, imediatamente marcou consulta, realizou exames e o resultado do ultrassom apresentou alterações. Após receber o resultado da biópsia, em novembro de 2021, Micheli deu início à sua luta contra a doença. Ela foi diagnosticada com câncer de mama triplo negativo, considerado o mais agressivo.

“Fácil não é, mas não desistir é essencial. O câncer é uma doença perigosa, às vezes você pensa em largar tudo, porque a ficamos com muitas dúvidas, será que vou me curar? Mas não desistir, ter a sua família perto e não perder a fé ajuda muito, sem isso, é difícil conseguir, você não consegue segurar essa ‘rocha’ sozinha, a luta é grande e a batalha é maior ainda”, disse Micheli.

O câncer de mama triplo negativo tem menos opções de tratamento do que outros tipos de câncer de mama invasivo. Isso ocorre porque as células cancerígenas não têm receptores de estrogênio ou progesterona ou quantidade suficiente da proteína HER2 para que a hormonioterapia ou a terapia alvo respondam.

Devido ao tipo de câncer que acometeu Micheli, o ponta pé inicial para o tratamento foi a cirurgia para a retirada do nódulo, em fevereiro de 2022, pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Após alguns meses, em maio do mesmo ano, ela dava início a uma nova fase, a quimioterapia.

Micheli personagem cancer de mama 03 outubro rosa 23 arquivo pessoal Outubro Rosa: Com apoio da família e muita fé, Micheli venceu o câncer de mama

O tratamento traz efeitos colaterais físicos, e também psicológicos. A queda do cabelo e a retirada da mama costumam balançar a autoestima da mulher, pois impacta em áreas do corpo muito relacionadas à feminilidade, e com Micheli não foi diferente. Logo após as primeiras sessões de quimioterapia seus cabelos já começaram a cair. “Eu não estava esperando, foi muito rápido. Depois que fiz a segunda sessão de quimioterapia, no que eu levantava da cama eram tufos de cabelo”.

Abalada com a situação, ligou para o marido, Marcos Goulart, que sempre alto astral disse que não tinha problema, que cabelo cresce novamente e, se preciso, mandaria fazer uma peruca para ela. O marido, os filhos e um amigo próximo, em um gesto de amor e solidariedade ao momento que ela estava vivendo, rasparam seus cabelos. Marcos chegou em casa alegre, brincando com a situação – falando que estava até mais bonito – e incentivando Micheli a também raspar seus cabelos, já que naquele momento, era necessário.

“Eu não esperava essa atitude do meu marido e dos meus filhos, até briguei com eles por terem feito isso. Sabia que era comigo, era o meu cabelo, mas quando o Marcos viu eu já na terceira sessão de quimioterapia já tinha caído muito cabelo mesmo, ele já raspou o cabelo dele, no dia seguinte o Leonardo e depois o Bruno. Até o pai da minha nora resolver raspar o cabelo para dizer que estava comigo nesse momento. Isso foi tudo para mim, eu não esperava”.

Micheli passou por seis sessões de quimioterapia realizadas a cada 21 dias, e foi no dia 21 de setembro que encerrou esse ciclo de tratamento. Como símbolo de vitória, Micheli também teve a oportunidade de tocar o sino instalado no Hospital do Câncer, que é tocado sempre que um paciente finaliza o tratamento de quimioterapia. “Tocar aquele sino foi a melhor coisa da minha vida e, a partir daquele momento, era vida nova, curada, meu cabelo vai crescer de novo, tocar o sino é uma sensação maravilhosa”, descreveu.

Marcos começou e terminou as sessões de quimioterapia acompanhando Micheli, que também foi recebida em sua última sessão por Antônio, acompanhado pela esposa e filhos, Leandro, Mariana, Camila e Darlan.

Foram os cuidados que recebeu durante todo o tratamento que deram ânimo para que ela conseguisse seguir para a próxima fase – 16 sessões seguidas de radioterapia. Micheli ainda tem um caminho pela frente para encerrar de vez sua batalha contra o câncer de mama, pois ainda está em fase de acompanhamento médico.

Micheli personagem cancer de mama 02 outubro rosa 23 arquivo pessoal Outubro Rosa: Com apoio da família e muita fé, Micheli venceu o câncer de mama

Hoje aos 43 anos, Micheli também buscou trazer esperança a outros pacientes que passam pelo mesmo desafio, para que se mantenham firmes em seus processos de cura. “Tem muitas mulheres iguais a mim, outras que às vezes não fazem o exame de rotina, mulheres mais novas. É necessário que se cuidem, façam o autoexame e caso estejam com câncer de mama, que não desistam, não desanimem. Eu venci e acho que todas podem vencer”.

Outubro Rosa

Com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre o câncer de mama, a campanha Outubro Rosa ajuda a fortalecer as recomendações do Ministério da Saúde para prevenção, diagnóstico precoce e rastreamento da doença e, desta forma, contribuir para a redução da incidência e da mortalidade pela doença.

Para este ano, a campanha traz o tema: ‘Câncer de mama: vamos falar sobre isso?’. Ainda que seja um tema complicado de tratar, falar abertamente sobre o câncer pode ajudar a esclarecer mitos e verdades e, com isso, aumentar o conhecimento e diminuir o medo associado à doença.

Durante a campanha Outubro Rosa, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) reforça a importância do autoexame, da mamografia de rastreamento e, principalmente, do diagnóstico e tratamento precoce.

Conforme dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer) o câncer de mama, depois do câncer de pele, é o mais incidente na população feminina brasileira. Para o ano de 2023 foram estimados 73.610 novos casos de incidência por 100 mil habitantes. Em Mato Grosso do Sul, a estimativa é que ocorra 910 novos casos de incidência por 100 mil habitantes.

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. Atualmente, conforme dados referentes ao mês de setembro de 2023 das UNACONs (Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia), 1.608 mulheres estão em tratamento contra a doença no estado.

Câncer de mama

O câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. É uma doença resultante da multiplicação de células anormais da mama, que forma um tumor capaz de tomar outros órgãos. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns se desenvolvem rapidamente, e outros, não. A maioria dos casos tem bons resultados ao tratamento, principalmente quando diagnosticado e tratado no início.

Alguns tipos de câncer, entre eles o de mama, apresentam sinais e sintomas em suas fases iniciais. Detectar os sinais e sintomas precocemente traz melhores resultados no tratamento e ajuda a reduzir a mortalidade. É importante lembrar que o câncer de mama não acomete somente mulheres, raras vezes, homens também estão suscetíveis à doença.

Sinais e Sintomas

Entre os principais sinais e sintomas de câncer de mama o caroço (nódulo) endurecido, fixo e geralmente indolor é a principal manifestação da doença, estando presente em mais de 90% dos casos. Também podem ocorrer alterações no bico do peito (mamilo), pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço, saída espontânea de líquido de um dos mamilos e a pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja.

Fatores de risco

  • Obesidade e sobrepeso;
  • Sedentarismo;
  • Consumo de bebida alcoólica;
  • Exposição frequente a radiações;
  • Não ter tido filhos;
  • Primeira gravidez após os 30 anos;
  • Parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos.
  • Ter feito uso de pílula anticoncepcional por tempo prolongado.
  • Histórico familiar de câncer de ovário, câncer de mama em homens, câncer de mama em mãe, irmã ou filha, principalmente antes dos 50 anos.

Essas alterações precisam ser investigadas o quanto antes, mas podem não ser câncer de mama. Qualquer caroço na mama em mulheres com mais de 50 anos deve ser investigado e em mulheres mais jovens, qualquer caroço deve ser investigado se persistir por mais de um ciclo menstrual.

Todas as mulheres, independentemente da idade, podem conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. Grande parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres. Em caso de alterações, procure pelo serviço de saúde do seu município.

Câncer de mama em homens

Apesar de raro, o câncer de mama também pode acometer homens. A doença é causada pela multiplicação desordenada de células anormais, formando um tumor que pode invadir localmente a parede torácica ou outros órgãos (metáteses).

Há vários tipos de câncer de mama. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente. A maioria dos casos, quando tratados adequadamente e em tempo oportuno, apresentam bom prognóstico.

Homens não têm as mamas desenvolvidas, porém, assim como as mulheres, possuem tecido mamário, ainda que plano e pequeno, e podem desenvolver a doença.

Prevenção

 Recomenda-se os cuidados alimentares, a prática esportiva regular e o abandono de hábitos ruins, como consumir álcool e tabaco, além de evitar a exposição ao sol em demasia e cuidar o histórico familiar.

Sintomas

 Os possíveis sinais de câncer de mama em homens incluem:

  • Protuberância ou inchaço, geralmente (mas nem sempre) indolor;
  • Pele ondulada ou enrugada;
  • Retração do mamilo;
  • Vermelhidão ou descamação da pele da mama ou do mamilo;
  • Inchaço nos linfonodos axilares.

Kamilla Ratier, SES
Fotos: Arquivo pessoal

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