Campo Grande, 28 de fevereiro de 2024

Mineiro morre nos EUA, a poucos dias de retornar para a família no Brasil

Por Fran Ribeiro , g1 Vales de Minas Gerais

Com passagem comprada para retornar ao Brasil no dia 3 de dezembro, o valadarense Robert Leno Rosa, de 41 anos, morreu 11 dias antes do embarque. Ele morava em Fall River, Massachusetts, nos Estados Unidos, onde sofreu uma parada cardíaca na última quarta-feira (22).

Robert foi para o país norte-americano em junho de 2021, com a intenção de trabalhar e juntar dinheiro. O retorno para Governador Valadares seria também, para participar do aniversário da filha caçula que completa, nesta segunda-feira, 7 anos.

A morte do valadarense está sob investigação. Cerca de uma hora antes de morrer, ele conversou com a mulher Paula, com quem era casado há 17 anos.

Segundo a esposa, ele estava bem e feliz com a volta para casa. Conforme Paula, ele não tinha nenhum problema de saúde.

No dia da morte, acontecia uma comemoração na casa em que ele morava com outros americanos. Paula ligou para o marido várias vezes até que uma mulher atendeu e disse o que tinha acontecido.

Robert trabalhando com pintura nos EUA — Foto: Arquivo pessoal/Redes sociais

Robert trabalhando com pintura nos EUA — Foto: Arquivo pessoal/Redes sociais

Uma ambulância foi até o local para prestar os primeiros socorros, mas Robert já havia morrido.

Ainda sem acreditar, Paula disse que o marido foi filmado, já sem vida e que a cena mostra Robert deitado sem tênis, depois, sentado numa cadeira, com tênis, e uma garrafa de bebida na mão.

A jovem contou ainda que não sabe quem fez o registro e ninguém entrou em contato para avisar o que estava acontecendo. A polícia local investiga a causa da morte e as circunstâncias.

“Eu estou esperando o detetive entrar em contato comigo para dar mais detalhes. É ele que está investigando a morte. Ainda não saiu o laudo, demora um pouco, acho que de 10 a 15 dias”, explicou Paula.

 

Em busca de respostas, Paula disse que está sem chão.

“Eu queria demais poder fazer alguma coisa pelo meu esposo, sabe? Não consegui fazer em vida porque ele estava lá, e ele não conseguiu retornar. Mas eu queria ter o descanso, pra eu ter um acalento, enterrar ele num lugar decente. Ele trabalhou tanto para dar um conforto pra gente. Isso me deixa muito chateada. Eu fico com a sensação de impotência. De não conseguir fazer o mínimo”, disse Paula.

Os filhos mais velhos já foram informados da morte, mas a filha caçula foi poupada na notícia por causa da expectativa com aniversário. Paula informou que vai contar a ajuda de profissionais para dar a notícia à filha.

A família mobiliza uma campanha para trazer o corpo de Robert para Governador Valadares. Até a publicação desta reportagem, havia sido arrecadado US$ 3.195, dos US$ 15 mil, necessários para fazer o traslado.

“Conseguir despedir não traz a vida dele de volta, mas é pra gente conseguir seguir a vida de uma forma mais tranquila”, desabafou a valadarense.

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