Campo Grande, 25 de setembro de 2021

FLAMENGUISTAS CHEGAM A LIMA: 5.500 QUILÔMETROS E 108 HORAS DE VIAGEM

A jornada dos torcedores do Flamengo no ônibus que saiu do Rio de Janeiro na última segunda-feira chegou ao fim nesta sexta-feira (22), por volta das 22h (no Brasil, 0h de sábado) com a chegada a Lima –  19 horas antes do início da final da Libertadores contra o River Plate.

Prevaleceu um sentimento de empolgação e alívio após o esforço de cada para acompanhar o clube do coração.

O ponto final da viagem foi em uma das avenidas que corta o imponente Estádio Monumental de “U”, já envelopado e decorado para a decisão.

No total, a viagem durou 108 horas, após mais de 5.500 km. O ônibus cruzou quatro países da América do Sul e realizou dez paradas à beira da estrada.

Em cinco dias, foi possível tomar banho seis vezes, almoçar cinco e jantar em três oportunidades.

A passagem pela fronteira da Argentina foi a que exigiu mais tempo. No Chile, foi preciso superar barreiras e protestos. O grupo esperou por nove horas a liberação de uma rodovia bloqueada por protestos.

Para obter a autorização para seguir viagem, os flamenguistas acabaram confraternizando com os manifestantes chilenos. E houve até dança do torcedores no meio da pista ao fim da negociação.

“Foi difícil por ficar parado por 9h, mas foi indescritível poder dançar com eles [manifestantes] depois”, disse Danilo Mello, 32 anos, um dos passageiros da viagem.

Após conversar com todos os passageiros, concluo que a avaliação geral foi positiva.

Quando cruzamos o portal com a mensagem “Bienvenidos a Lima”, um rubro-negro foi às lágrimas. Era Sidney Adriano, de 27 anos, que vai assistir pela primeira vez a jogo oficial do Flamengo.

Sem dinheiro e com responsabilidade de cuidar da casa desde criança, só conseguiu realizar esse sonho após ser sorteado na promoção de um patrocinador do Flamengo.

“Sempre me imaginei em um estádio. Imagino milhões de pessoas torcendo para um único time, por um único propósito. Sempre tive vontade de ir, mas priorizava outra coisas. Minha mãe era autônoma e sempre separava meu tempo para estudar e ajudar em casa. Coloquei na balança o que valia mais, e ela sempre pesava mais”, relata o torcedor, que atualmente está desempregado.

A mãe é a animadora de eventos Adriana Vicente, 42, que também divide o sonho de ver o Flamengo pela primeira vez dentro de um estádio junto ao filho.

Ela conta uma história curiosa: quando Sidney tinha três anos, ela o presentou com uma agendada assinada por todos os jogadores do Flamengo que foram campeões brasileiros em 1992. Com um detalhe: ela mesma tentou refazer as assinaturas.

Na viagem, com a intimidade proporcionada por horas de conversa, os dois acabaram sendo chamados de “mamãe” e “bebezão” pelo grupo.

Silvio Vieira, pai de Sidney, faleceu quando o garoto tinha um ano e dois meses, sendo criado apenas pela sua mãe. No primeiro semestre de 2019, o torcedor perdeu o emprego, a namorada e foi assaltado. Entrou em depressão que agora está sendo vencida com o amor pelo Flamengo.

“Meu filho estava em depressão, desempregado, trancando matrícula na faculdade e foi largado pela namorada. Ver ele feliz, sorrindo, interagindo com as pessoas, vale

muito para mim. Esse sorteio animou ele”, completa a mãe Adriana.

Todos os sorteados na viagem patrocinada pela empresa Buser ficarão no mesmo hotel, a vinte minutos do Estádio Monumental de “U”.

A volta está marcada para este domingo (24), dia seguinte à final.

AS DICAS DE VIAGEM DO ÔNIBUS RIO-LIMA

Roteiro : a escolha foi seguir por Argentina e Chile para chegar ao Peru. Caso o ônibus optasse por ir por cima do Brasil (passando por Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia e Acre), iria cruzar 770 km a mais do que o nosso trajeto. Pela estrada, passamos por florestas, desertos, Cordilheiras, conhecemos o Oceano Pacífico e encontramos até lhamas.

Higiene : não é sempre que uma ducha estará disponível para tomar banho. A solução em algumas ocasiões é mesmo tomar o “banho de pia”, usando a torneira de banheiros de postos de gasolina na beira da estrada. Encarar a água fria recorrente nessas paradas é outro desafio.

Alimentação : Em solo brasileiro, foi fácil encontrar restaurantes, mas as opções ficam mais restritas nas estradas internacionais. Me surpreendi positivamente com o frango peruano e o churrasco chileno. Como refrigerante, a ‘Inca Cola’ também é uma boa pedida.

Internet : a melhor opção é contratar um plano que te permita usar internet em vários países da América do Sul.

Dinheiro : ter um cartão internacional facilita bastante a vida, afinal não é sempre que terá uma casa de câmbio aberta.

Época/Marcello Neves

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