Campo Grande, 21 de setembro de 2021

O grande debate inútil

O Flamengo perdeu para o Liverpool por 1 a 0 – encerrando com ligeiro azedume o ano mais doce de sua história recente. A bola mal havia esfriado no deserto de Doha – e torcedores, comentaristas e flatuiteiros já se engalfinhavam em mais uma contenda virtual pós-jogo. De um lado – aqueles que defendiam que o Flamengo fez uma grande partida e jogou de igual para igual. De outro – os campeões da tese de que o Liverpool jogou com freio de mão puxado – dosando seu ritmo.

O leitor atento talvez observe que as duas teses não são necessariamente excludentes. E provavelmente anote inutilidade do debate. Que diferença faz quem jogou melhor?

Salah e Bruno Henrique Flamengo e Liverpool — Foto: REUTERS/Ibraheem Al Omari

Salah e Bruno Henrique Flamengo e Liverpool — Foto: REUTERS/Ibraheem Al Omari

Para o torcedor médio – as vitórias do seu time são apenas parte de uma história maior – aquela que confirma sua superioridade eterna sobre todas as outras tribos (ou torcidas). Sob esse prisma, 2019 foi um cruzamento de nirvana com paraíso para o torcedor do Flamengo. Tudo deu certo em todas as direções desde o momento em que o clube trouxe Jorge Jesus até a virada épica contra o River Plate.

Foi o ano da redenção. Do reencontro com a arrogância perdida. De exorcizar o odiado cheirinho. Durante anos, o Flamengo – apesar de ter mais dinheiro que os outros – amargou micos internacionais. A tradicional empáfia rubro-negra soava risível fora do Rio de Janeiro (onde a incompetência do trio rival cuidava de sublinhá-la). O Flamengo era uma espécie de Maurício Mattar que acordava todo dia achando que era o George Clooney – até que o espelho (na forma de um time sul-americano qualquer) trazia a má notícia.

– Olha, Maurício…

O roteiro ameaçou se repetir em 2019 – o time esteve perto de ser eliminado pelo Peñarol… depois pelo Emelec (do qual se safou nos pênaltis). Mas de repente… o elenco milionário encaixou, o time passou a jogar um futebol de almanaque, a encantar e liquidar adversários. O evangelho de Jorge Jesus terraplanou o Brasileirão – e, na Libertadores, fez uma vítima atrás da outra até chegar ao confronto final – em Lima.

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