Campo Grande, 25 de setembro de 2021

‘Tapa-mamilo’ ganha adeptas no pré-carnaval do Rio

“Tapa-mamilo”, “tapa-peito”, “tapa-teta”, nipple pasties, nipple tassels. São vários os nomes para o acessório que já é tendência no pré-carnaval do Rio em 2020. A moda, adotada em folias anteriores por famosas como Cléo Pires e Anitta, tem cada vez mais adeptas pelos blocos da cidade. O adorno, com várias possibilidades de estilos, cobre apenas o mamilo e garante um visual à vontade.

As meninas que usam garantem que há várias vantagens: o calor passa longe, o conforto é garantido, mas a sensação de liberdade é citada como a melhor parte de transitar pela folia com os seios enfeitados.

A artista circense Elisa Caldeira, de 26 anos, foi uma das pioneiras no uso dos tapa-peito nos blocos de rua no Rio. Ela trouxe a referência do universo burlesco e, para ela, usar o acessório tem a ver com libertação.

Para quem decide comprar, os preços variam muito. Os modelos mais baratos custam em torno de R$ 5 e alguns mais caros e de grife podem passar de R$ 150.

A dentista Natália Santos experimentou o look pela primeira vez no pré-carnaval desse ano -- e pretende repetir  — Foto: Arquivo pessoal

A dentista Natália Santos experimentou o look pela primeira vez no pré-carnaval desse ano — e pretende repetir — Foto: Arquivo pessoal

A dentista Natália Santos, de 29 anos, estreou seu primeiro tapa-mamilo neste ano, na abertura não-oficial do carnaval do Rio, no início de janeiro.

“Eu curto carnaval de rua já tem anos e sempre saí fantasiada, mas o verão no Rio é sempre muito quente e estar no meio da multidão cheia de roupa me incomodava. Esse ano, decidi ficar mais confortável e fui sem blusa mesmo, não tem porque me cobrir inteira e morrer de calor. Se não é errado um homem sair sem blusa no carnaval, não tem que ser errado para nós mulheres também”, diz ela, que adorou a experiência e vai voltar a usar.

A designer Paula Cosentino virou adepta do nipple-tassels: "Quanto mais pelada no carnaval, mais feliz eu fico e com menos calor", diz — Foto: Arquivo pessoal

A designer Paula Cosentino virou adepta do nipple-tassels: “Quanto mais pelada no carnaval, mais feliz eu fico e com menos calor”, diz — Foto: Arquivo pessoal

“Eu queria colocar o peito para fora no carnaval única e exclusivamente porque eu posso, porque é o único espaço em que é permitido, e eu queria sentir como seria. Decidi que eu ia me empoderar dessa liberdade, não tem um homem que aguente ficar de camisa no carnaval, e quanto mais pelada eu saio, mais feliz eu fico, menos calor, menos coisa me pinicando”, conta ela, que diz que passou a se sentir mais confortável por encontrar meninas com diferentes tipos de corpos usando o adereço.

A produtora cultural Ana Carolina testou e aprovou o look  — Foto: Arquivo pessoal

A produtora cultural Ana Carolina testou e aprovou o look — Foto: Arquivo pessoal

A produtora cultural Ana Carolina, de 30 anos, também quis experimentar o acessório e ver como se sentiria com os peitos de fora.

“Eu andava pensando nisso há alguns carnavais e me senti confortável de tentar entender como era essa liberdade para uma mulher gorda fora do padrão”, conta ela, que escolheu usar com uma blusa arrastão por cima, para compor o look.

Isso porque, embora no ambiente dos blocos alternativos o acessório esteja em alta, pegar transporte público e andar pelas ruas nem sempre é tranquilo.

“Eu costumo sempre usar um lenço ou amarrar um pano entre um bloco e outro, já passei por situações desagradáveis. Uma vez, eu estava na perna de pau, usando tassels e um cara já beijou minha bunda”, lembra ela.

Procurar ficar em “lugares seguros” também é uma preocupação.

“Acho que nunca poderia chegar de nipple tassel em um mega bloco, porque já presumo que o tipo de cara que frequenta esse bloco vai achar que meu corpo é propriedade pública. Em blocos alternativos, de alguma forma, há mais segurança. Não que seja alguma garantia, mas eu percebo que rola uma sensação de rede de segurança, sei que posso recorrer a quem está ali em volta caso algo aconteça”, diz Juliana.

Na Sapucaí, moda já pegou

Cléo Pires foi a camarote com corações cobrindo os seios — Foto: Gabriel Barreira/G1

Cléo Pires foi a camarote com corações cobrindo os seios — Foto: Gabriel Barreira/G1

Em ambientes fechados, como camarotes e em desfiles da avenida, a moda de mamilos cobertos já vem fazendo sucesso há alguns carnavais entre as famosas. Em 2018, Cléo Pires usou um em um camarote para assistir aos desfiles e outras famosas também já foram vistas com o look bem à vontade. Anitta também usou um mais básico, dourado, durante a folia em um ano anterior.

 Em Salvador, Anitta cobre apenas os mamilos e sensualiza em foto — Foto: Reprodução/Instagram

Em Salvador, Anitta cobre apenas os mamilos e sensualiza em foto — Foto: Reprodução/Instagram

A diferença é que as folionas que vêm tomando as ruas estão em espaços públicos e, consequentemente, mais expostas. A atitude, que afirma igualdade e liberdade, exige respeito pelos corpos das mulheres que curtem o carnaval de rua do Rio.

E como faz para colar?

Colar os acessórios pode ser um desafio: precisa fixar de forma que não solte e, ao mesmo tempo, não pode machucar o mamilo.

Os materiais mais usados para garantir que o adereço dure até o final da folia são a cola para perucas e a cola para cílios, no entanto, a dermatologista Simone Stringhini alerta para o uso desses materiais.

“A cola de peruca cola bem, mas pode machucar a pele e danificar o mamilo. Já a cola para cílios é menos forte e não segura tanto, mas, mesmo assim, não tem nenhum tipo de cola que não corra o risco de machucar a pele, porque a pele do mamilo é muito sensível e mais suscetível a machucados”, explica ela.

Acessórios que cobrem apenas os mamilos viram tendência no carnaval do Rio — Foto: Pâmela Perez Fotografia

Acessórios que cobrem apenas os mamilos viram tendência no carnaval do Rio — Foto: Pâmela Perez Fotografia

A redatora publicitária Juliana Sacramento vê relação entre os seios livres e liberdade: "Quando você se sente livre, se sente mais empoderada do seu corpo e das suas escolhas", diz — Foto: Arquivo pessoal

A redatora publicitária Juliana Sacramento vê relação entre os seios livres e liberdade: “Quando você se sente livre, se sente mais empoderada do seu corpo e das suas escolhas”, diz — Foto: Arquivo pessoal

A artista circense Elisa Caldeira, uma das primeiras a aderir os 'nipple pasties' no carnaval do Rio: 'Forma de me libertar' — Foto: Pâmela Perez Fotogragia

A artista circense Elisa Caldeira, uma das primeiras a aderir os ‘nipple pasties’ no carnaval do Rio: ‘Forma de me libertar’ — Foto: Pâmela Perez Fotogragia

Por Elisa Soupin, G1 Rio

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