— Não é todo mundo que está acostumado a fazer essa operação de guerra. Quando eu tenho dois pacientes e só um equipamento de oxigênio, tenho que revezar ou priorizar quem tem mais chance de viver. Muitos colegas tiveram que fazer essa escolha e estão adoecendo — desabafou.

Médica Taysa Litaiff Isper Abrahim, que atua no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Manaus Foto: Euzivaldo Queiroz / Agência O Globo
Médica Taysa Litaiff Isper Abrahim, que atua no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Manaus Foto: Euzivaldo Queiroz / Agência O Globo

A médica Monique Santana trabalha no serviço de verificação de óbito domiciliar, que atua quando um paciente morre dentro de casa. Ela concorda que o impacto desse segundo pico na população vem sendo maior do que o do primeiro. Ela, no entanto, tem dúvidas de que a população e o governo tirem alguma lição da tragédia dos últimos dias.

— A população está impactada, sim. Somos notícia mundial de novo. Mas eu tenho poucas esperanças de que isso vai resultar numa mudança de comportamento. Somos o mesmo povo que, em abril, estava chocado com as valas coletivas e, três meses depois, estava fazendo festa de casamento — disse.