O surto de Covid-19 acomete a Ponte Preta desde a estreia no Campeonato Paulista, mas teve um amento de 100% nos casos depois de três jogos fora de casa, com viagens para enfrentar Corinthians (São Paulo), Gama (Luziânia) e Botafogo-SP (Ribeirão Preto).
O número dobrou de 16 para 32 pessoas afetadas no clube em menos de uma semana, por exemplo – sendo 12 de uma só vez.
Para a infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp, não trata-se de uma coincidência, e a explosão de casos entre os profissionais da Macaca indica que há falhas nos protocolos.
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Treino da Ponte orientado por Fábio Moreno — Foto: Diego Almeida/PontePress
A situação que ocorreu na Ponte depois do jogo com o Botafogo-SP é emblemática, segundo ela. O lateral-esquerdo Yuri, então negativado e assintomático, apresentou sintomas apenas horas antes do jogo, já no sábado, depois de ter passado três horas no ônibus com a delegação na viagem para Ribeirão Preto. Ele foi isolado a partir das reclamações.
Os demais começaram a ter sintomas na volta para Campinas, no domingo. Depois de novos exames, o clube confirmou na última quinta-feira mais 12 profissionais contaminados, incluindo oito atletas e o técnico Fábio Moreno – antes do duelo com o Botafogo-SP, logo na sequência da partida contra o Gama, na quarta-feira anterior, quatro jogadores já tinham testado positivo.
– As recomendações são muito claras e não mudaram durante esse um ano de pandemia: pessoas com sintomas respiratórios devem ser isoladas até que se confirme ou afaste que seja Covid. Isolados e sozinhos por dez dias desde o início dos sintomas. E todos os seus contatos próximos, ou seja, que ficaram 15 minutos próximos de você, também devem ser isolados individualmente por 14 dias e fazer o exame RT-PCR no quinto dia do contato. Todos que estavam no ônibus e que tiveram contato próximo já deveriam ter sido isolados logo no início, do seu convívio, do seu núcleo social do dia a dia, do seu alojamento ou dos familiares também. Houve, com certeza, quebra de protocolo, e isso favoreceu essa transmissão grande entre os colegas do clube – completou a especialista.
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Yuri apresentou sintomas depois de ter viajado com o time de ônibus — Foto: Diego Almeida/PontePress
Em entrevista na quinta, o coordenador médico da Ponte, Felipe Abreu, disse ser “impossível” precisar onde aconteceu o contágio e afirmou que o clube segue “à risca os protocolos”. Diante do atual cenário, o clube adotou medidas ainda mais restritivas no dia a dia, como o veto a dirigentes nos treinos e o fechamento do Estádio Moisés Lucarelli.
Passo a passo
Dentro da cronologia, vale lembrar que dias antes de jogar contra Gama e Botafogo-SP, o time encarou o Corinthians, que atravessava um surto, com 14 desfalques por conta do coronavírus. Até então, a Macaca tinha tido um “hiato” nos casos.
Os primeiros casos entre jogadores apareceram às vésperas da estreia no Campeonato Paulista, quando os goleiros Ygor Vinhas e Guilherme, titular e reserva imediato, respectivamente, perderam o olfato e o paladar. Os testes deram negativos, mas, devido aos sintomas, eles foram afastados. Os dois dividiam o mesmo quarto na pré-temporada em Itu e também a mesa nas refeições.
No dia do jogo contra o Novorizontino, o volante Barreto, que tinha testado negativo no teste pré-jogo, teve dor de cabeça e acabou afastado. Ele foi positivar no exame seguinte, antes do duelo com o Santo André, pela segunda rodada, assim como o goleiro Pedrão, o zagueiro Rayan e o meia Camilo.
Depois de encarar o Santo André, a Ponte teve o Corinthians pela frente, sem baixas por Covid entre um jogo e outro em relação a atletas – nesse intervalo, quatro integrantes da comissão técnica testaram positivo. O jogo com o Timão foi em um domingo.
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Ponte enfrentou o Corinthians quando adversário encarar surto de Covid — Foto: Agência Corinthians
Todo o elenco também negativou para pegar o Gama, pela Copa do Brasil, na quarta-feira. Já na sexta-feira, o lateral-direito Apodi, o goleiro Luan, o volante Dawhan e o meia Renan Mota testaram positivo para coronavírus. O caso de Dawhan, aliás, trata-se de reinfecção, já que ele tinha tido Covid em dezembro, durante a Série B.
Na última leva, além de Yuri, foram contaminados os volantes Léo Naldi, Marcos Júnior e Igor Maduro, o lateral-esquerdo Jean Carlos, os zagueiros Thiago e Anderson e o meia-atacante Papa Faye. O técnico Fábio Maduro também estava na lista.
Ao todo, 18 jogadores da Ponte foram afetados pelo coronavírus desde o início da temporada. Desses, continuam afastados das atividades os oito diagnosticados na relação acima.
Já Apodi, Dawhan, Renan Mota e Luan tinham a previsão de retornar neste domingo após o período de isolamento de pelo menos dez dias.
A relação completa de profissionais afetados até agora – positivados ou afastados por apresentar sintomas:
Jogadores:
- Camilo (meia)
- Apodi (lateral-direito)
- Barreto (volante)
- Dawhan (volante)
- Guilherme (goleiro)
- Igor Maduro (volante)
- Luan (goleiro)
- Pedrão (goleiro)
- Rayan (zagueiro)
- Renan Mota (meia)
- Ygor Vinhas (goleiro)
- Yuri (lateral-esquerdo)
- Anderson (zagueiro)
- Jean Carlos (lateral-esquerdo)
- Léo Naldi (volante)
- Papa Faye (meia-atacante)
- Thiago (zagueiro)
- Marcos Júnior (volante)
Comissão técnica e staff
- Fábio Moreno (técnico)
- Juvenilson Souza (preparador físico)
- Betão (preparador de goleiros)
- Dr. Reginaldo (médico)
- Rogério (massagista)
- Casão (roupeiro)
- William Guiga (preparador físico)
- Caio Bueno (fisioterapeuta)
- Cláudio Henrique Albuquerque, o Kiko (supervisor)
- Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho (presidente)
- Rodrigo Maranhos (preparador físico do sub-20)
- Neves (chefe de segurança)
- Humberto (motorista)
- Thiago Toledo (assessor)
E agora?
À espera da definição sobre a sequência do Campeonato Paulista, a Ponte mantém a rotina de trabalhos com aqueles atletas que estão disponíveis.
Em reunião na quinta, a FPF suspendeu a quinta rodada, que aconteceria neste fim de semana, quando a Macaca enfrentaria o Santos com um número de opções extremamente reduzido e ainda sem o técnico Fábio Moreno à beira do gramado.
Um novo encontro virtual entre representantes da FPF e os clubes da elite estadual para discutir os próximos passos do torneio está marcado para segunda-feira. A entidade não descarta levar as rodadas seguintes para fora do estado.
Por enquanto, a judicialização da questão está descartada. O placar da votação que decidiu que, neste momento, a FPF não entrará com uma ação contra o governo do estado foi de 9 a 7. A Ponte esteve do lado da maioria.
A princípio, o próximo jogo marcado da Macaca é o dérbi contra o Guarani, inicialmente previsto para 24 de março na tabela, no Majestoso, mas as atividades esportivas estão suspensas em todo o estado durante a fase emergencial do Plano SP para conter o avanço da pandemia.
Raquel Stucchi defende a paralisação do futebol neste momento em que os números de casos, internações e mortes crescem a cada dia e com o sistema de saúde em colapso.
– Nenhuma atividade que possa fomentar aglomeração deve existir neste momento da pandemia. A todos nós, que acompanhamos futebol, a gente vê em vários momentos que há quebra, sim, de todos os protocolos em relação a distanciamento e a contato físico entre os jogadores. Não podemos submeter uma equipe de 30, 40 pessoas que vão se deslocar de uma cidade para a outra, às vezes de um estado para o outro, expondo todas essas pessoas e, depois, durante o jogo, mais o dobro de pessoas para, neste momento da pandemia, onde temos uma alta taxa de transmissão e com colapso no sistema de saúde. Estamos na situação mais grave da pandemia e teremos dias ainda mais difíceis. Não se justifica a manutenção do futebol agora.
Ponte Preta






