Campo Grande, 13 de julho de 2024

Atlético-MG faz VAR agir, erra no ataque, se defende bem e leva bom resultado da Argentina

Apenas seis times brasileiros conseguiram derrotar o Boca Juniors na Bombonera, em jogos da Copa Libertadores da América. Poucos estádios assustam tanto. Sem torcida, o medo é menor. O Atlético-MG não entrou na estatística, mas o objetivo não é esse. Nos primeiros 90 minutos da disputa das oitavas de final, o Galo está bem vivo, após empate de 0 a 0 na Argentina.

Se faltou mais criatividade para escapar da boa marcação da equipe “azul y oro”, os alvinegros souberam se portar bem sem a bola. O maior susto do Galo foi corrido graças, também, à perspicácia de quem está acostumado a jogos grandes. O gol do Boca tinha tudo para ser validado, mas – de maneira justa – Nacho pressionou, o sinal do VAR voltou e o árbitro viu a falta de Briasco em Nathan – um leve toque é suficiente para deslocar um zagueiro que ataca a bola pelo alto.

Réver e Briasco: duelo físico e plástico (para a foto) — Foto: Staff Image/Conmebol

Réver e Briasco: duelo físico e plástico (para a foto) — Foto: Staff Image/Conmebol

Empatar na Bombonera nunca é mau resultado, ainda que seu time possa jogar muito mais do que jogou. Cuca sabe disso. Até porque, foi com um 0 a 0 na semifinal da Libertadores 2020, na ida, em Buenos Aires, que o treinador despachou o Boca com o Santos e foi para mais uma final do torneio.

Nacho Fernández foi uma surpresa na escalação. Havia feito poucos treinos após recuperação de lesão. Com ele ocupando várias faixas do gramado, o Atlético jogou com Savarino (muito apagado) mais pela direita, com Zaracho atrasando pela esquerda. Com marcação firme, principalmente Mariano, um dos melhores em campo, e Allan esperto no combate central, o Galo viu um Boca de baixo poder técnico, mas que correu, e foi taticamente bem, não deixando os atletas mais criativos do time mineiro se conectarem.

Não havia tanta profundidade na esquerda, ainda que Junior Alonso seja uma opção interessante na falta de Guilherme Arana. Com as trocas imediatas – Jair e Vargas – Cuca tirou os amarelados (Zaracho e Allan), e tentou atacar mais pelas pontas. Conseguiu. Jogadas mais perigosas num segundo tempo em que o Galo pouco chegou à área de Rossi.

Atacante Hulk na Bombonera — Foto: Pedro Souza/Atlético-MG

Atacante Hulk na Bombonera — Foto: Pedro Souza/Atlético-MG

Na defesa, Réver falhou em alguns momentos, como no gol anulado do Boca, mas teve batalha física com Briasco vencida. Mariano precisou lidar com Villa no primeiro tempo, e Pavón no segundo. São as duas armas mais perigosas, e o lateral pode dizer que jogou muito na Bombonera.

Tradicionalmente, equipes argentinas não costumam sentir a falta de mando e se dão bem quando decidem fora de casa. O Boca já aprontou várias vezes assim, ganhou Libertadores no Pacaembu e no extinto Olímpico. O resultado não foi ruim, mas não há grande vantagem. Empate com gols, por exemplo, no Mineirão, é adeus ao Atlético. Em Belo Horizonte, na terça-feira que vem, o Alvinegro terá pouco espaço para atacar, mas precisará fazer do domínio de posse de bola sinal de criação de oportunidades, algo que faltou em Buenos Aires.

Por Fred Ribeiro — Belo Horizonte

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