Campo Grande, 3 de agosto de 2021

Flamengo e torcida se reencontram: os próximos passos e o impacto de 497 dias de separação

Foram 497 dias de espera até o reencontro, que não será total e acontecerá longe de casa. Mas nesta quarta-feira o Flamengo jogará novamente com sua torcida por perto. A partida contra o Defensa y Justicia, pelas oitavas de final da Libertadores, marcará o primeiro jogo da equipe novamente com público desde o fechamento dos estádios devido à pandemia de coronavírus.

Até o reencontro, o caminho não foi simples. O palco da partida atesta isso: ainda sem liberação para jogar no Maracanã, o Flamengo levou o jogo para o Mané Garrincha, em Brasília, onde o governo local divulgou um decreto liberando até 25% da capacidade do estádio – cerca de R$ 18 mil pessoas.

Foram 497 dias de espera até o reencontro, que não será total e acontecerá longe de casa. Mas nesta quarta-feira o Flamengo jogará novamente com sua torcida por perto. A partida contra o Defensa y Justicia, pelas oitavas de final da Libertadores, marcará o primeiro jogo da equipe novamente com público desde o fechamento dos estádios devido à pandemia de coronavírus.

Até o reencontro, o caminho não foi simples. O palco da partida atesta isso: ainda sem liberação para jogar no Maracanã, o Flamengo levou o jogo para o Mané Garrincha, em Brasília, onde o governo local divulgou um decreto liberando até 25% da capacidade do estádio – cerca de R$ 18 mil pessoas.

A busca pela liberação

 

No dia 9 de julho, a Prefeitura liberou 10% de público no Maracanã para a final da Copa América, entre Brasil e Argentina. A autorização das autoridades gerou desconforto no Flamengo, que já tivera solicitação negada na final do Carioca.

– Há um mês, o risco no Rio saiu de muito alto para alto. Pela legislação, podia ter jogo de futebol com 10% de público. Com base nisso, o Flamengo trabalhou junto à Prefeitura para que liberasse para o Flamengo também. Não dá para ter dois pesos e duas medidas – explicou Dunshee ao ge.

Torcedores na final da Copa América, entre Brasil e Argentina, no Maracanã — Foto: André Durão

Torcedores na final da Copa América, entre Brasil e Argentina, no Maracanã — Foto: André Durão

Depois que a Conmebol liberou a presença de público nas oitavas de final da Libertadores, o Flamengo enviou protocolo à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), basicamente o mesmo que o usado pela Conmebol na Copa América, com pequenas alterações. A SMS retornou pedindo alguns ajustes, mas o clube segue confiante de que em breve conseguirá a liberação para jogar no Maracanã.

– O índice, agora, caiu de alto para moderado. É o índice mais baixo da fase pandêmica na legislação atual do município. Agora, já pode ter pelo menos 20% do público. O Flamengo está trabalhando com isso, mas quando não houve uma sinalização positiva (para o Maracanã), a gente começou a trabalhar Brasília. Entendemos que os índices de queda são públicos e notórios. Todas as atividades já voltaram parcialmente – completou Dunshee.

Prejuízo de até R$ 150 milhões

 

Do ponto de vista financeiro, a necessidade do Flamengo em voltar a ter público nos jogos fica latente nos balanços divulgados. No balancete do primeiro trimestre de 2021, o mais recente publicado, o clube estimava um prejuízo entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões com bilheteria e sócio-torcedor desde o fechamento dos estádios.

Somente em 2020, o vice-presidente de finanças, Rodrigo Tostes, estima que o clube deixou de ganhar R$ 110 milhões.

Bilheteria e sócio-torcedor são duas das principais fontes de receita do Flamengo. Sem elas, a readequação financeira do clube chegou ao futebol. O sócio-torcedor, por exemplo, tem hoje cerca de 53 mil membros – em 2019, o programa tinha pouco mais de 120 mil pessoas.

O orçamento traçado para 2021 previa originalmente uma receita de R$ 100 milhões com bilheteria, com retomada de público em abril. Com a segunda onda de Covid no início do ano, o documento precisou ser readequado, a expectativa de torcida foi para setembro.

– Estamos fazendo testes, dando uma colaboração para a sociedade. Estamos super sacrificados pela falta de público. A margem de lucro no futebol é muito apertada. Na medida em que você perde R$ 150 milhões por ano, você entra em déficit. Não podemos matar o futebol brasileiro. Eu acho que no Rio de Janeiro faltou esse olhar para o futebol, que também é uma atividade geradora de emprego – argumentou Dunshee.

 

O orçamento também deixou clara a necessidade de manter a saúde econômica através de vendas de jogadores. A saída de Gerson, vendido ao Olympique de Marselha por 25 milhões de euros em junho, foi o maior exemplo disso. Em outro cenário, seria possível manter o volante, um dos principais jogadores do elenco.

A diferença de receita no Flamengo

Primeiro trimestre de 2021 Primeiro trimestre de 2020
Bilheteria 0 R$ 21,8 milhões
Estádio 0 R$ 4,9 milhões
Sócio-torcedor R$ 9,6 milhões R$ 21,3 milhões
Total R$ 9,6 milhões R$ 48,1 milhões

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