Card teve três vitórias brasileiras, princípio de confusão com irmão de Johnny Walker e homenagem a australiana do breaking que viralizou durante as Olimpíadas
Por Combate.com — Perth, Austrália
O MMA, definitivamente, não é o telecatch. É real. Por mais que se criem histórias e narrativas para vender as lutas, nem sempre o desfecho é o esperado. O UFC 305, na madrugada deste domingo, foi mais um exemplo disso. O cenário estava criado para que Israel Adesanya, o nigeriano radicado na Oceania, reconquistasse o cinturão do peso-médio ante seus fãs, contra o arquirrival Dricus du Plessis, sul-africano que ajudou a transformar o duelo num referendo sobre os efeitos da colonização europeia sobre a África.
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Dricus du Plessis comemora a vitória sobre Israel Adesanya no UFC 305 — Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC
Mas Adesanya precisava fazer sua parte. E não fez. Quando parecia ter a luta sob controle, baixou a guarda e sofreu um golpe que deu a chance que Du Plessis precisava. O campeão peso-médio venceu por finalização aos 3min38s do quarto round, manteve o cinturão e colocou a rivalidade no passado.
– Nunca tive a intenção de diminuí-lo. Este cara é uma lenda. Acreditem, não quero sofrer mais chutes dele! Se esta tiver sido sua última luta, foi uma honra dividir o octógono contigo – disse Du Plessis, que cumprimentou, abraçou e convidou Adesanya a visitá-lo na África do Sul.
– Sei que vocês querem me ver perder, mas adivinha: eu não vou embora. Eu não vou embora! – disse o nigeriano, com uma citação do filme “O Lobo de Wall Street”.
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Dricus du Plessis finaliza Israel Adesanya no UFC 305 — Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC
Já era o quarto round e a luta caminhava para o desfecho do herói. Após um primeiro round equilibrado e um segundo assalto em que escapou de uma tentativa de finalização, Adesanya cresceu a partir do terceiro período. O nigeriano desfilava seu kickboxing repleto de fintas e golpes certeiros na longa distância, enquanto Du Plessis parecia cansado, jogando golpes cada vez mais lentos. O desafiante o tratava como um toureiro trata um touro.
Carlos Prates nocauteia em performance de gala
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Carlos Prates nocauteia Li Jingliang no UFC 305 — Foto: Paul Kane/Getty Images
O “Pesadelo” chegou de vez na elite do peso-meio-médio. No dia de seu aniversário de 31 anos, o brasileiro Carlos Prates tirou para nada o duro chinês Li Jingliang e impôs sua primeira derrota por nocaute na carreira, aos 4min02s do segundo round.
O lutador paulista foi senhor do combate por toda sua duração. Com paciência, foi machucando a perna esquerda de Jingliang com chutes baixos e abalou o adversário com uma série de diretos de esquerda no primeiro assalto. No segundo assalto, Prates magoou o chinês com uma joelhada no corpo, conectou diretos em sequência e um chute alto, e mandou Jingliang a knockdown com uma sequência de jab e direto. Ele levantou, mas o brasileiro o perseguiu até acertar um cruzado de esquerda que finalizou a luta.
Valter Walker vence em luta com princípio de confusão
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Valter Walker (de amarelo) finaliza Junior Tafa no UFC 305 — Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC
Numa luta entre dois lutadores com irmãos que também são do UFC, melhor para a família brasileira. O brasileiro Valter Walker, irmão mais novo de Johnny Walker, venceu Junior Tafa, irmão mais novo de Justin Tafa, por finalização aos 4min56s do primeiro round, na última luta do card preliminar.
Tafa machucou o brasileiro ainda no primeiro minuto com um direto de direita. Valter imediatamente partiu para a luta agarrada e botou o australiano sobre quatro apoios. Tafa tentou se levantar, mas o brasileiro insistiu na queda e progrediu até colar as costas do adversário na lona. Ele trabalhou até encaixar uma chave de calcanhar nos segundos finais. Tafa desistiu verbalmente, e Walker tinha sua primeira vitória no UFC.
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Junior Tafa (esq.) faz gesto obsceno para Valter Walker após derrota no UFC 305 — Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC
O australiano, contudo, não gostou da atitude do brasileiro, se levantou e foi tirar satisfação. Ele deu um tapa no algoz, antes de ser separado por funcionários da comissão atlética. Mesmo no anúncio do resultado, Junior seguiu chamando o brasileiro para a briga fora do octógono e fez um gesto obsceno para ele, que foi muito vaiado pelo público.
– Ele falou do meu irmão, agora eu quero pegar o irmão dele, vou acabar com a família toda dele – desafiou Valter.
Carcacinha vence duelo apertado
O peso-pena campineiro Ricardo “Carcacinha” Ramos voltou à coluna de vitórias com um triunfo por decisão dividida contra Josh Culibao no card preliminar. Foi com emoção: o brasileiro precisou mostrar resiliência após ter a perna esquerda bastante magoada pelos chutes baixos do australiano logo no primeiro round.
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Ricardo Carcacinha vibra com treinador após ser anunciado vencedor no UFC 305 — Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC
Pouco depois de acusar os golpes na panturrilha, um choque acidental acabou rendendo uma queda oportuna para Carcacinha, que tratou de pegar as costas e fechar o triângulo na linha de cintura. Ele fechou dois mata-leões muito ajustados e Culibao por pouco não dormiu, mas escapou das duas posições.
No segundo assalto, o australiano voltou a mirar a perna esquerda de Carcacinha, que caiu com um dos chutes na panturrilha. Culibao, contudo, gastou muito tempo buscando um ângulo para atacar o brasileiro no chão e, esbanjando confiança, começou a zombar dele. No terceiro assalto, o campineiro mudou para a base canhota e equilibrou a trocação. A um minuto e meio do fim, Carcacinha emplacou uma queda, pegou as costas e transitou para a meia-guarda. Foi o suficiente para lhe dar a vantagem nos cartões de pontuação de dois dos três juízes.





