A última vez em que uma candidata de oposição ganhou o comando da Fetems foi no início do século, quando a professora Mara Carrara, de Três Lagoas, surpreendeu e comandou a entidade. Ela não conseguiu emplacar o sucessor e perdeu a disputa para Jaime Teixeira, o atual presidente.

“Sempre estive na luta, sempre estive ao lado dos professores”, conta Joaquim, relembrando a participação nas greves históricas da educação sul-mato-grossense.

Bandeiras

Umas das principais bandeiras do candidato de oposição é conseguir a volta da paridade salarial do professor convocado e do concursado. Uma das grandes derrotas da atual gestão foi aprovação do projeto proposto pelo então governador Reinaldo Azambuja (PSDB) em julho de 2019 de pagar metade do salário pago ao efetivo para os professores temporários.

“A atual direção não evitou (a desvalorização salarial) e não cobra o cumprimento da promessa do atual governador”, acusa o professor. Eduardo Riedel (PSDB) prometeu pagar o mesmo salário aos professores efetivos e temporários.

“A Fetems perdeu os objetivos, é preciso de que volte a lutar pelo professor e não defende ideologia partidária”, cutuca Joaquim, sobre a atuação da atual diretoria no momento em que a política brasileira está totalmente polarizada.

Ele critica o uso da entidade na política. O atual presidente, Jaime Teixeira, foi candidato a deputado federal em 2022 e a vereador da Capital no ano passado pelo PT. Ele perdeu as duas eleições. O filho da vice-presidente foi candidato a vereador em Dourados, mas também perdeu.

“A atual diretoria da Fetems não dialoga com o professor”, lamenta o candidato. “Existe um descontamento da categoria com a Fetems”, critica. Ele propõe que a entidade passe a oferecer um atendimento especializado aos filiados.

Outra proposta é que a Fetems passe a oferecer assessoria jurídica invidual aos professores, seguindo o modelo adotado pelos sindicatos e associais das policiais. Não se limite a entrar com ações coletivas.

“É preciso dar apoio jurídico para dar apoio aos professores de forma individual, com orientação jurídica e extrajudicial”, propõe Joaquim.

joaquim soares de oliveira neto4 Professor quer acabar com “trampolim político” e mudar comando da Fetems após 20 anos
Candidato começou a campanha e espera convencer os professores a mudar os rumos da Fetems (Foto: Divulgação)

O candidato

Joaquim Soares de Oliveira Neto é formado em Filosofia pela UCDB. Ele tem concurso no Estado para 40 horas na disciplina de história.

Na gestão do ex-governador Zeca do PT, Joaquim foi assessor da Secretaria Estadual de Administração e coordenador de Políticas Específicas da Secretaria Estadual de Educação. Nas duas áreas, ele atuou quando a secretaria era comandada pelo ex-deputado federal Antônio Carlos Biffi.

Na Educação, Joaquim citou que levou o MOVA (Movimento de Alfatização de Jovens e Adultos) de quatro para 54 municípios. Ele implantou o ensino médio nas aldeias indígenas. Também implantou a EJA (Educação de Jovens e Adultos). Ele ainda trabalhou na Fundação Escola de Governo, onde atuou na formação de professores.

Em 2012, Joaquim se formou em Direito na UCDB.

A eleição da Fetems vai ocorrer no dia 2 de junho deste ano. A entidade conta com 25 mil filiados e é a maior entidade sindical de Mato Grosso do Sul.