Campo Grande, 5 de novembro de 2026

São Paulo x Flamengo: dicas, palpites e chances no Brasileirão

Por Valmir Storti — Rio de Janeiro

São Paulo e Flamengo se enfrentam na estreia do Brasileirão em condições opostas: o Rubro-Negro buscando a contratação recorde de Lucas Paquetá (256 milhões de reais) enquanto o São Paulo tenta equacionar dívidas com seus atletas, em uma crise que parece não ter fim, mesmo após a queda do presidente.

Curiosamente, ambos enfrentam dificuldades nos estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro. Únicos clubes que nunca foram rebaixados na Série A, agora se veem entre as piores campanhas campeonatos locais, cada um deles com uma vitória, um empate e três derrotas em cinco jogos.

Favoritismos #1 - São Paulo x Flamengo — Foto: Gato Mestre

Favoritismos #1 – São Paulo x Flamengo — Foto: Gato Mestre

No São Paulo, não foi isso: desde o início do Paulista, os titulares tinham média de idade de pelo menos 28 anos.

Agora começa o Brasileirão, e os três pontos na primeira rodada são necessários para estabilizar o dia a dia de uma das equipes. Principalmente no São Paulo, que é muito dominante quando recebe o Flamengo pela Série A: desde 2006, foram dez vitórias e apenas três derrotas (2011, 2021 e 2022) em 20 jogos, com sete empates. É um confronto em que o clube coloca energia extra em campo e uma derrota seria um golpe duríssimo de assimilar.

Não é uma missão simples. Mesmo fora de casa, o Flamengo estreia como o atual campeão, e os gráficos de xG evidenciam o abismo entre as equipes, com as linhas pretas representando que o São Paulo ao longo do Brasileirão do ano passado fez finalizações contra seus adversários com um nível de ameaça de potencial estatístico para virar por volta de um gol por partida (a média nas 38 rodadas foi 1,16), enquanto o Flamengo por vezes finalizou com potencial para mais de dois gols e a média em toda a competição alcançando 1,66 xG por jogo (43% a mais).

Ainda que o Flamengo tenha grande potencial ofensivo, nos jogos em que o clube se mobiliza de forma determinada por um objetivo, o trabalho defensivo faz uma imensa diferença, o que fica evidente quando o Palmeiras, na final da Libertadores, ou Fluminense e Vasco no Carioca e no Brasileirão conseguem fazer, se conseguem, uma finalização certa na partida, como ocorreu no ano passado e no Carioca deste ano. São dados registrados.

A linha amarela do gráfico de xG representa a diferença entre o potencial das finalizações feitas e sofridas. Quando está acima da linha tracejada azul, é porque o time impôs um nível de ameaça maior do que sofreu na média dos últimos cinco jogos; quando a linha amarela está abaixo do tracejado azul, é porque os adversários construíram mais probabilidade de gol: a linha amarela do Flamengo praticamente nunca é negativa, diferentemente da do São Paulo. Não basta atacar.

Considerados prováveis para a partida de estreia, Arrascaeta e Luciano representam os extremos entre Flamengo e São Paulo: no Brasileirão do ano passado, Arrascaeta foi estatisticamente o atleta mais eficaz ao fazer 75 finalizações com nível de ameaça para 9,5 gols pelas métricas de xG e conseguir 18 gols (estatisticamente 8,5 a mais do que o esperado), mesmo sem contar pênaltis (potencial para 7,4 gols e 16 marcados, 8,6 a mais do que o estatisticamente esperado).

Muito próximo do extremo oposto desse quadro está Luciano, que fez uma finalização a menos (74), com características para virarem 11,7 gols, mas ele conseguiu fazer nove (o que não é pouco, é apenas 2,7 a menos do que o esperado), o que se repete quando descartados pênaltis (potencial para 10,3 gols e oito marcado, ineficiência de 2,3 gols.

De modo geral, o Flamengo no ano passado finalizou mais (557 vezes) e melhor (um gol a cada 7,1 tentativas), enquanto o São Paulo em 432 conclusões fez um gol a cada 10,1.

O Flamengo teve o ataque mais produtivo em finalizações, o São Paulo, o quinto menos produtivo. Junte a isso a eficiência, e o Flamengo marcou 78 gols enquanto o São Paulo fez 43. Ou seja, o Flamengo fez 81% mais gols do que o São Paulo no Brasileirão passado.

Conheça a análise dos outros jogos da rodada clicando nos links abaixo

Quarta-feira

19h

19h30

20h

21h30

Quinta-feira

20h

21h30

*As probabilidades de ocorrência de cada resultado são calculadas pelo economista Bruno Imaizumi com a aplicação de modelos estatísticos sobre microdados coletados desde 2013 pela equipe do Gato Mestre, formada pelos jornalistas Agnes Rigas, Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, Leandro Silva, Matheus Guimarães, Millena Paes Leme (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.

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