Treinador foi disputado para comerciais em cachês que podem bater R$ 10 milhões; saiba os bastidores de produções
Por Raphael Zarko — Rio de Janeiro
Na beira da praia, o alinhado sapato preto de Carlo Ancelotti aparou a redonda. O técnico pega a bola de jornal amassado e lê no recorte: “O Brasil acredita no hexa”. A cena dura apenas 12 segundos, no finzinho do vídeo viral que já tem mais de 12 milhões de visualizações apenas no Youtube.
Mas é o bastante. Do seu jeitão e de sobrancelha arcada, o italiano é a atração de poucas marcas nesta Copa do Mundo. Um papel que muitas vezes coube a craques como Romário e Ronaldo, por exemplo. Ancelotti foi procurado por diversas marcas desde que chegou ao Brasil – mas fechou com poucas. Fez campanhas com a Brahma, a Volkswagen e a Amazon, todas também patrocinadoras da CBF.
– É claro que os valores para se trabalhar com uma figura do tamanho do Ancelotti não são usuais. Acaba tendo um pouco do topo da pirâmide apenas para ter essa capacidade de investimento de trabalhar com um nome como esse – comenta Bernardo Pontes, publicitário e CEO da Alob Sports e ex-diretor de marketing de clubes como Flamengo, Vasco e Fluminense.
– Aqui na agência, tivemos algumas procuras para trabalhar com o Ancelotti. Algumas não conseguiram por questões orçamentárias, mas tivemos também procuras de patrocinadores concorrentes da CBF.
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Ancelotti de olho no canarinho no carro de patrocinadora da Seleção — Foto: Reprodução Volkswagen
Os valores de cachê de Ancelotti não são nada baratos, como era de se esperar. Se Tite, ex-técnico do Brasil, fechava comerciais na casa dos R$ 2 milhões, Ancelotti tem acordos bem superiores e em outra moeda, em euros – fechou campanhas de aproximadamente R$ 10 milhões.
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Ronaldo e Ancelotti no bar com a cervejaria que os patrocina — Foto: Divulgação Brahma
Desde que foi garoto-propaganda de lançamento da Volkswagen – com direito a participação na cerimônia dentro da CBF -, Ancelotti anda para cima e para baixo no carro da montadora alemã. Para a Brahma, fez circuito de Carnaval em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro.
– A gente trouxe o Ancelotti como esse novo símbolo de ele que resgatou um pouco aquele “humm… talvez dê para o Brasil” – diz Guilherme Almeida, diretor de marketing da Brahma.
As palavras do diretor da Brahma retratam o conceito do filme dirigido por Gustavo Moraes e Marco Lafer. O vídeo traduz a desconfiança do torcedor brasileiro, principalmente por um ciclo de mudança de presidentes e de treinadores na Seleção. Até chegar um certo italiano.
– Quando ele pega o jornal e mostra “o Brasil acredita no hexa”, ele está muito simbolizado na vinda dele para o Brasil – opina Marco Lafer.
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Carlo Ancelotti em comercial de Madri: técnico cobra caro para fazer propagandas — Foto: Reprodução de vídeo
Em outras Copas, Dunga usava a imagem de valentia para dizer também para a Brahma que “em campo tem que ser guerreiro”. Tite fez propaganda de marca de televisão, de banco e do Mcdonald´s.
Na propaganda da Volks, Ancelotti sonha acordado – “todo santo dia”, diz com sotaque – com o título mundial e avista um canarinho amarelo quando sai do carro. Leva até banho de gelo dos “jogadores”.
– Ele não tenta ser um grande ator. A sinceridade dele eu acho que é importante, a forma como ele entrega a fala, até na sobrancelha. É ele – brinca um dos diretores do comercial.






