Pedido para investigar Lulinha aprofunda tensão sobre a condução das apurações; PF diz que questiona decisões do STF desde janeiro, enquanto gabinete do ministro cobra esclarecimentos sobre o inquérito.
A abertura de uma nova frente de investigação no caso do INSS, agora envolvendo um pedido da Polícia Federal para investigar Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, acabou escalando uma crise já instalada nos bastidores entre setores da Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.
A sequência foi a seguinte: a Polícia Federal pediu a abertura de um novo inquérito, o caso chegou ao STF durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes, foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República e, com o parecer favorável da PGR para a instauração da investigação, acabou distribuído para André Mendonça, que já relata o inquérito principal do INSS.
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Ministro André Mendonça. — Foto: Luiz Roberto/TSE
Do outro lado, a Polícia Federal rejeita essa leitura. A PF nega qualquer irregularidade na condução do caso e sustenta que os procedimentos seguiram critérios técnicos.
Esse mal-estar também aparece em outro episódio. A Polícia Federal chegou a provocar a Advocacia-Geral da União para avaliar medidas em relação a restrições impostas pelo ministro André Mendonça sobre a comunicação de informações da investigação com superiores de delegados da PF.
Fontes da Polícia Federal contestam essa interpretação e afirmam que não houve qualquer tipo de atuação indevida, mas não concordam com decisões que interfiram nas suas competências.
Segundo essas fontes, desde janeiro a PF vinha recorrendo à AGU para questionar medidas que considera interferência nas atribuições da corporação. Naquele momento, o relator do caso no STF ainda era o ministro Dias Toffoli, e a manifestação inicial à AGU foi feita de forma verbal. Posteriormente, em maio e junho, os pedidos passaram a ser formalizados.
A PF sustenta que essa movimentação antecede o pedido de investigação envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, investigado por suspeitas de corrupção e tráfico de influência.e, por isso, não teria relação com esse novo desdobramento do caso.
Paralelamente, há ainda o capítulo envolvendo o senador Jaques Wagner. Com a retirada parcial do sigilo de documentos do caso, surgiu também a suspeita de vazamento de informações, hipótese que passou a constar nas petições do processo e ampliou ainda mais o ambiente de tensão.
O resultado é que o caso do INSS deixou de ser apenas uma investigação criminal e passou a revelar também uma disputa institucional entre setores da Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça sobre a condução e o controle dessas apurações.





