O senador Camilo Santana (PT-CE) será coordenador político; o senador eleito Rui Costa (PT-BA) assume a coordenação da agenda; e Rafael Fonteles (PT-PI) coordenará a comunicação.
Por Guilherme Balza, GloboNews — Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu incluir na coordenação nacional da campanha três políticos nordestinos para tentar mudar os rumos das eleições no segundo turno.
- O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, atuará como coordenador político;
- o senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, assume a coordenação da agenda;
- e Rafael Fonteles (PT-PI), governador reeleito do Piauí, irá coordenar a comunicação.
A chegada dos petistas do Nordeste está relacionada a uma estratégia da campanha de ampliar a votação na região. Há um diagnóstico entre os petistas de que o Nordeste é a região com maior capacidade de Lula obter votos e reverter a vantagem de Flávio.
Em vários estados, o presidente obteve uma votação menor do que em 2022. Os três políticos participaram de reuniões com Lula todos os dias desde a última segunda-feira (5).
De acordo com integrantes da cúpula da campanha, ninguém será retirado da coordenação. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, continuará como coordenador-geral, mas dividirá as decisões com os novos coordenadores.
“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, disse Lula durante uma plenária com parlamentares do PT.
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Da esquerda para direita: Rui Costa, Camilo Santana e Rafael Fonteles — Foto: Reprodução
A declaração estava sendo transmitida pelas redes do PT, mas a transmissão foi tirada do ar logo após a fala. Nos bastidores, há troca de acusações sobre quem foram os responsáveis pelos erros.
As mexidas no comando ocorrem num momento em que a campanha passa por uma mudança de rota após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar o primeiro turno da disputa pela Presidência da República na frente, o que não era esperado pelos petistas.
Edinho tem sido criticado por centralizar demais as decisões e insistir na campanha uma defesa do “legado” de Lula, num momento em que o governo é mal avaliado.
Já o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, tem sido alvo de críticas por focar a campanha na defesa da soberania e das terras raras, em vez de temas que impactam a rotina do eleitor.
Apesar de não estar formalmente na campanha, Sidônio integra uma espécie de núcleo dirigente que auxilia Lula a definir as principais estratégias na disputa eleitoral, ao lado de Edinho, do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Sidônio também é sócio de Raul Rabello, marqueteiro da campanha.
Em uma reunião com integrantes do PT, a ex-senadora Kátia Abreu criticou o que avaliou ser um excesso de protagonismo da primeira-dama Janja da Silva. Ela defendeu que o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), seja incorporado à cúpula da campanha.
O próprio presidente tem sido criticado por aliados por supostamente estar muito fechado e não aceitar sugestões.
Outra mudança de rumos foi adotada na comunicação digital. Nesta quarta-feira (7), Lula se encontrou com influenciadores e parlamentares recém-eleitos que têm familiaridade com o uso das redes sociais. A partir de agora, eles irão atuar numa sala montada no QG da campanha de Lula no Lago Sul, em Brasília.
O presidente tem mudado a própria postura na relação com as redes sociais. Apesar de dizer que não gosta de usar celular e fazer selfies, Lula passou a fazer vídeos neste formato. Também mandou mensagens de voz para apoiadores em grupos de aplicativos de mensagens.
Em relação aos temas, o presidente tem abordado mais os problemas na segurança pública e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), num tom mais duro do que o adotado no primeiro turno.





