Campo Grande, 27 de julho de 2026

Morre de covid, aos 78 anos, o ex-presidente da bolsa Raymundo Magliano Filho

Faleceu nesta segunda-feira, aos 78 anos, Raymundo Magliano Filho, ex-presidente da Bovespa. Ele sofria de asma e estava há 50 dias internado no Hospital Albert Einstein, com coronavírus.

Magliano foi um dos grandes precursores do desenvolvimento do mercado financeiro no Brasil, à frente da primeira corretora da bolsa de valores brasileira, a Magliano Investe, fundada por seu pai. Foi presidente da Bovespa e um dos grandes responsáveis pelo movimento de popularização da bolsa.

Ele assumiu a Bolsa de Valores de São Paulo, a então Bovespa, em janeiro de 2001, seguindo os passos de seu pai, que foi presidente do conselho de administração da bolsa. Logo destacou-se pelo apoio dado ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, ainda no início da campanha presidencial, em 2002, integrando depois o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o Conselhão, criado pelo governo Lula em 2003.

Uma das principais marcas de sua administração da bolsa – entre 2001 e 2008, quando houve a fusão com a BM&F – foi o esforço de popularização do mercado acionário. Durante seus mandatos, foi criado o Bovespa Vai Até Você, um programa no qual um carro da bolsa, apelidado de BovMóvel, percorria praias, clubes, shopping centers, estações de metrô, cidades do interior e de outros Estados e empresas explicando o que é a bolsa de valores e divulgando o investimento em ações como alternativa de formação de poupança de longo prazo. A seguir vieram programas para públicos específicos, como o Bovespa Vai à Fábrica, em parceria com a Força Sindical, e o Mulheres em Ação.

Nascido em São Paulo em 12 de junho de 1942, Magliano conheceu cedo o mercado de capitais, trabalhando na corretora do seu pai, a Magliano S.A Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, a primeira inscrita na Bovespa, fundada em 1927. Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, foi um estudioso de temas humanísticos relacionados à filosofia, antropologia e ciência política.

Magliano sempre tentou usar esse conhecimento humanístico em sua gestão na Bovespa, voltada para a popularização do mercado de capitais e a adesão das empresas a níveis diferenciados de governança corporativa.

Admirador da obra de Norberto Bobbio, Magliano sempre citava o pensador italiano e sua teoria segundo a qual uma sociedade democrática se apoia nos pilares da visibilidade, transparência e acesso. A aplicação desse princípio rendeu, por exemplo, a criação do cargo de ombudsman da Bovespa, um mediador independente de eventuais conflitos entre corretoras e investidores.

Mas a menina-dos-olhos de Magliano foi o projeto de popularização da bolsa, iniciado em meados de 2002. Juntamente com a melhora do mercado acionário ao longo de 2003 e 2004, o programa permitiu o crescimento dos negócios de pessoas físicas na bolsa, de 20% para 30% do volume negociado no mercado. O número de clubes de ações também cresceu, passando de 442 para 910 em outubro de 2004.

Valor

 

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