Em sua segunda partida à frente do Fluminense, o técnico Roger Machado – ainda sem os titulares à disposição-, voltou a escalar o time sem um centroavante de referência. E assim como em parte do Fla-Flu, Ganso atuou como um “falso 9”. O meia marcou o gol da vitória sobre o Bangu por 1 a 0, mas o resultado não significa necessariamente que a formação tática da equipe funcionou. Contra um adversário limitado, o Tricolor até controlou as ações, mas criou pouco, chegou ao gol em breve momento de pressão e ainda levou sustos.
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Ganso toca na saída do goleiro para marcar o gol da vitória do Fluminense sobre o Bangu — Foto: André Durão
O Fluminense foi a campo com a seguinte escalação: Marcos Felipe, Igor Julião, Frazan, Matheus Ferraz e Danilo Barcelos; Wellington, Yuri e Michel Araújo; Caio Paulista, Gabriel Teixeira e Ganso.
Ainda sem poder contar com os titulares, Roger explicou que optou por esta formação para se adaptar aos jogadores que tinha à disposição, embora tivesse no banco os jovens Samuel e John Kennedy que podem fazer a função de centroavante.
– É uma adaptação aos jogadores que tenho à disposição. São alternativas encontradas para este momento. Eu não tenho preferência por nenhum sistema. Mas é um sistema que eu gosto de jogar também. Já joguei de todas as formas e quero ter alternativas para sobrepor as dificuldades que forem apresentadas nas partidas de acordo com as características e qualidades de adversário.
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Roger Machado, técnico do Fluminense — Foto: André Durão
No meio de campo, os três jogadores do setor formaram uma trinca. Wellington jogou, mais atrás, como um primeiro volante, enquanto Yuri e Michel saíam mais para o jogo e para dar combate. No ataque, Gabriel atuou aberto pela esquerda, e Caio pela direita, enquanto Ganso flutuava à frente dos meias e entre os atacantes.
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Disposição tática do Fluminense contra o Bangu — Foto: ge.globo
Sem um homem de referência na área, o Tricolor baseava sua construção em triangulações e infiltrações, mas pecava em não conseguir concluir as jogadas. E quando chegava à linha de fundo em avanços pelas laterais, faltava presença de área para dar opções para cruzar. Ganso, por suas características de meia-armador, não tem tanto cacoete para fazer este papel.
E foi justamente em uma das poucas vezes que Ganso pisou na área e se apresentou como um atacante em uma jogada de linha de fundo que o Fluminense chegou ao gol. Aos 5 minutos do 2º tempo, o camisa 10 tirou com categoria do goleiro após receber passe de Igor Julião.
– O Paulo (Henrique Ganso) chegando à frente como falso 9 deu uma dinâmica interessante. O que eu pedi no intervalo era que, quando ele não tivesse participando estivesse dentro da área, e foi assim que ele conseguiu fazer o gol, o gol da vitória – explicou Roger.
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Ganso comemora seu gol pelo Fluminense contra o Bangu — Foto: André Durão
O início da segunda etapa, aliás, foi o único momento de grande pressão do Tricolor na partida. Logo na sequência, a equipe reduziu a pressão e vieram também as substituições em série, que quebraram o ritmo do jogo. Lucca, Samuel, Kayky, Matheus Martins e André entraram ao longo dos 45 minutos finais. Com Samuel, a equipe passou a jogar com um centroavante de referência, mas pouco aproveitou. As muitas mudanças fizeram o time sentir a falta de entrosamento e a produção foi baixa na reta final.
Lá atrás, o Flu, que havia feito um primeiro sólido defensivamente, deixou a desejar no segundo tempo. O Bangu chegou a fazer um gol, anulado por impedimento pela arbitragem em um lance que gerou muitas dúvidas (não há VAR nesta fase da competição), e levou perigo mais duas vezes, uma em uma rebatida mal feita de cabeça de Julião e outra em que Marcos Felipe salvou ao sair nos pés do atacante.
Há, claro, de se levar em consideração que ainda é início de temporada, o Fluminense joga com um time formado por reservas e garotos oriundos do sub-23 e da base e Roger Machado ainda está em fase de conhecimento das peças. As atuações ainda não empolgaram e algumas opções técnicas do treinador causaram estranhamento em torcedores e analistas. Ao menos, tudo isso foi em meio a duas vitórias em dois jogos.
É preciso esperar Roger ter todas as peças à disposição para ter uma noção melhor dos caminhos que o treinador poderá encontrar à frente do Fluminense. Na próxima terça-feira, o clube enfrenta o Boavista, às 18h, em Bacaxá, pela quinta rodada da Taça Guanabara. E em razão do curto intervalo até lá, ainda não deverá ser dessa vez que veremos os titulares em ação nas mãos do treinador.
Por Felipe Siqueira — Rio de Janeiro






