Estrelas brasileiras dão adeus aos Jogos Olímpicos entre lágrimas e homenagens
Por Guilherme Costa e Marcos Guerra — Paris, França
As Olimpíadas de Paris marcaram o adeus de alguns astros do esporte brasileiro. Thaísa, Marta, Rafael Silva e Mayra Aguiar são alguns dos medalhistas do Brasil que tiveram seu último ato em Jogos Olímpicos. Há ainda estrelas como Ana Marcela Cunha que deixaram em aberto a participação em Los Angeles 2028. Confira quem faz parte de seleto grupo de atletas campeões e como foram suas despedidas das Olimpíadas entre lágrimas e homenagens.
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Thaísa vôlei Olimpíadas Paris — Foto: Miriam Jeske/COB
“Sai daqui, Gabriela! Esse ponto é meu!” Thaísa brincou com a capitã Gabi, mas de fato fez o ponto que selou a conquista do bronze do vôlei feminino do Brasil em Paris. Aos 37 anos, a bicampeã olímpica teve a honra de fazer o último ponto de sua despedida das Olimpíadas e conquistar sua terceira medalha. A central se emocionou bastante depois da disputa do terceiro lugar com a Turquia. Chorou bastante, especialmente ao falar do apoio do técnico José Roberto Guimarães na recuperação de uma lesão no joelho em 2017 que quase acabou com a carreira da jogadora. Thaísa ainda vai defender o Minas e não confirmou quando vai se aposentar do vôlei, mas a seleção é um belo capítulo encerrado.
Marta e o adeus da rainha
Também foi com lágrimas e medalha no peito que Marta se despediu das Olimpíadas. Aos 38 anos, a jogadora ajudou o Brasil a conquistar a prata em Paris no futebol, sua terceira da carreira. Foi seis vezes eleita a melhor jogadora do mundo. Conquistas que lhe renderam o título de rainha do futebol. O reinado de Marta ainda vai se estender até 2025, quando ela pretende passar a coroa e aposentar as chuteiras depois de mais de 20 anos à frente da seleção brasileira.
Mayra Aguiar e o abraço de acolhimento
Primeira mulher do Brasil a conquistar três medalhas olímpicas – todas de bronze na categoria até 78kg do judô -, Mayra Aguiar pediu um abraço ao repórter Marcelo Courrege, da globo, que prontamente acolheu a judoca. Ele estendeu um ombro amigo para uma atleta que acabara de cair na estreia de Paris diante da atual número 1 do mundo, a italiana Alice Bellandi, que horas depois foi campeã olímpica. Mayra chorou e desabafou em tom de despedida dos Jogos aos 33 anos: “A cobrança interna é muito grande”.
Baby e a última dança
Dono de duas medalhas de bronze entre os pesados do judô (+100kg), Rafael Silva não passou da primeira luta em Paris, caiu diante do azeri Ushangi Kokauri. Saiu do dojô triste. Não queria que sua “última dança” em Olimpíadas fosse daquele jeito. Tão precoce. E não foi. Baby, como é mais conhecido o judoca de 2,03m de altura, voltou a entrar em ação no dia seguinte para ajudar o Brasil a conquistar uma inédita medalha de bronze por equipes mistas. Aos 37 anos, quebrou um recorde de longevidade: tornou-se o judoca mais velho da história a subir em um pódio de Olimpíadas.
Bia Ferreira e um novo ringue
A mãe de todas. Assim Beatriz Ferreira batizou a medalha de ouro das Olimpíadas. Era o foco da pugilista da categoria até 60kg. Depois da prata em Tóquio, queria subir um degrau, afinal é a atual campeã mundial e acabara de se tornar campeã também no boxe profissional. Na semifinal, porém, a irlandesa Kellie Harrington, a mesma algoz dos Jogos do Japão, parou Bia no caminho para o bicampeonato olímpico. A brasileira coube o bronze e o feito de se tornar a primeira atleta do Brasil a conquistar duas medalhas olímpicas no boxe. Foi uma despedida agridoce para Bia, que aos 31 anos vai se dedicar exclusivamente ao boxe profissional.
Huertas e o resgate de um time
Marcelinho Huertas se viu entre os grandes diante de astros da NBA como LeBron James, Stephen Curry e Kevin Durant. O Dream Team dos Estados Unidos não deu chance para o Brasil sonhar nas quartas de final de Paris. Para o armador de 41 anos, porém, o jogo foi especial e selou a despedida da seleção brasileira depois de mais de duas décadas. Deixou o time com a missão cumprida de ter guiado o Brasil de volta aos Jogos após a ausência em Tóquio.
Lucão, Leal e uma cravada
Acostumados a cravar bolas na quadra adversárias, Lucão e Leal cravaram que Paris foi a despedida da seleção brasileira de vôlei. Aos 38 anos, o central encerrou a carreira com o ouro da Rio 2016 e a prata de Londres 2012. Aos 35 anos, o ponteiro de origem cubano só completou o processo de naturalização em 2020 e ficou a uma posição do pódio olímpico em Tóquio. Nas redes sociais, despediu-se da seleção brasileira. Os dois não conseguiram ajudar o Brasil a passar das quartas de final.
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