Senador afirmou que gesto de ex-presidente ‘evita que existam falas conflituosas ou direções diferentes’. No mês passado, Flávio e ex-primeira-dama Michelle trocaram acusações nas redes sociais.
Por Isabella Calzolari, Ana Clara Alves, g1 e TV Globo — Brasília
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) leu neste sábado (11) uma carta em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o aponta como seu “porta-voz” e pré-candidato à Presidência da República.
A carta foi lida em uma trasmissão ao vivo feita por Flávio nas redes sociais. Bolsonaro disse confiar em seu filho como “melhor opção” para combater a corrupção, a violência e empobrecimento no Brasil.
“Carta aos brasileiros:
Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento.
Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.
Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade”.
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Carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e lida pelo senador Flávio Bolsonaro neste sábado (11) — Foto: Divulgação
Durante a transmissão, o senador ainda agradeceu Bolsonaro por apontá-lo como porta-voz.
“Muitas pessoas parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para rua para resgatar o Brasil… Agradecer ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que porventura alguém possa estar seguindo”, afirmou Flávio Bolsonaro.
➡️ Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar. Desde novembro do ano passado, ele cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão por ter sido considerado líder de uma organização criminosa que tentou dar um golpe de estado para mantê-lo no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022.
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Michelle e Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução
Crise na família Bolsonaro
Segundo o blog da jornalista Andreia Sadi, a fala da ex-primeira-dama teve como objetivo passar o recado de que, mesmo sem ser uma Bolsonaro de sangue, Michelle se coloca como alguém que cumpre a palavra do líder e respeita os acordos firmados em seu nome.
Com isso, Michelle tentou uma diferenciação implícita em relação aos filhos do ex-presidente — especialmente no episódio do Ceará, quando defenderam uma aproximação com Ciro Gomes, crítico histórico tanto de Jair Bolsonaro quanto de seus filhos.
Nos bastidores, aliados de Flávio admitiram preocupação com o impacto do depoimento, especialmente entre mulheres e evangélicos, segmentos nos quais Michelle construiu forte identificação política. Ao se apresentar como alvo de humilhação e desrespeito, a ex-primeira-dama reforçou a imagem de lealdade ao ex-presidente e de vítima de um conflito interno, enquanto Flávio acabou associado ao desgaste familiar.
Flávio Bolsonaro reagiu novamente à publicação. “Quando ela pega um vídeo do Garotinho — quem é do Rio de Janeiro conhece o Garotinho —, bota na rede social dela insinuando que eu posso estar na festa de Vorcaro, ela está completamente desinformada”, disse o senador.
Em meio à crise, Michelle decidiu deixar a presidência do PL Mulher. A renúncia foi acertada em reunião entre a ex-primeira-dama e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto
“Michelle é uma pessoa especial. Ela tem talento, é uma grande líder, e nós precisamos dela com a gente. Nós não podemos sair brigando dentro de casa. Temos que acertar isso aí em 20 dias pra gente tomar um rumo”, afirmou Costa.
Segundo o blog do jornalista Valdo Cruz, a reconciliação entre a ex-primeira dama e o senador é considerada impossível até pela cúpula do PL.
A convenção nacional do partido está marcada para o dia 25 de julho.
Ataques nas redes
O atrito entre Flávio e Michelle Bolsonaro também tem como pano de fundo a projeção nas redes sociais.
Ela externou no seu vídeo com críticas ao pré-candidato à Presidência uma reclamação que vinha fazendo com aliadas. A de que estava sofrendo uma onda de ataques de aliados do seu enteado, provocando uma queda de seguidores.
Levantamento da AtivaWeb mostrou que, até o vídeo, ela vinha num ciclo de mais de 20 dias de perdas de seguidores nas redes sociais. O vídeo inverteu o cenário negativo. Ela acabou virando o jogo e registrando um engajamento mais de três vezes superior ao de Flávio Bolsonaro nas redes.





