Após desistência de Cláudio Castro e prisão de Márcio Canella, cenário do palanque bolsonarista no estado é de terra arrasada
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O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), está diante de uma encruzilhada na definição dos candidatos ao Senado em sua chapa no Rio de Janeiro.
Com o esfacelamento da chapa prevista antes das operações sobre Cláudio Castro (PL) — e agora sobre Márcio Canella (União Brasil) — tinha ficado definido que os novos candidatos do partido seriam escolhidos a partir de pesquisas internas e com a chancela de Jair Bolsonaro.
Só que essas pesquisas já foram feitas e o ex-presidente já foi consultado pelo assunto, e até agora nada foi decidido — o que preocupa os aliados e chegou inclusive a levantar especulações de que o próprio Flavio esteja “guardando lugar” na chapa para o caso de algo implodir sua candidatura presidencial. A carta do pai divulgada pelo próprio Flávio neste final de semana, em que Bolsonaro se refere ao filho como seu porta-voz e confirma a candidatura, diminuiu a boataria, mas não resolve o principal dilema da direita bolsonarista no Rio.
A escolha dos Bolsonaro para o Senado, entre o senador Carlos Portinho e os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, não é simples.
Primeiro porque as pesquisas internas vêm indicando de forma consistente que os três tem mais ou menos a mesma pontuação, com oscilações muito pequenas, em diversos cenários testados.
Jordy e Portinho, respectivamente, têm demonstrado um desempenho ligeiramente melhor do que Sóstenes, líder da bancada na Câmara. Em todos os cenários, a disputa é liderada por Benedita da Silva (PT), da chapa do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD).
Mas, com a sequência de operações sobre os políticos fluminenses, pontuar bem nesses levantamentos já não é mais um indicador decisivo.
Na última quarta-feira, Márcio Canella foi preso durante a sexta etapa da Operação Unha e Carne. O ex-prefeito de Belford Roxo é apontado pelas investigações como o braço político de um esquema de fraudes em postos de combustíveis que sustentava a lavagem de dinheiro de organizações criminosas. Ele foi solto neste sábado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, mas continuará na mira da PF.
Além disso, no início de julho houve também uma operação sobre pessoas ligadas a Sóstenes, batizada de Operação Rent a Car, como parte de uma investigação da PF de desvio do dinheiro da cota que os parlamentares tem para gastos com o mandato.
O problema maior agora é escolher um candidato e correr o risco de ele ser alvo de novas operações. Jordy, por exemplo, já esteve na mira da primeira fase da Rent a Car, junto com Sóstenes agora. “Fica difícil decidir com o risco de o candidato receber a PF outra vez e a chapa acabar implodida”, diz um dos interlocutores dos Bolsonaro sobre esse assunto.





