Conjunto brasileiro fecha competição em Frankfurt com dois ouros, desbanca equipes tradicionais e lidera rankings da temporada
Por Marcos Guerra — São Paulo
“Uau! Surreal!” Era tudo o que Camila Ferezin conseguia pensar quando viu o conjunto do Brasil cravar as duas séries das finais por aparelhos do Mundial de ginástica rítmica. A técnica da seleção brasileira se impressionou com os dois ouros inéditos do último domingo, com direito às maiores notas da temporada nas duas rotinas. E ainda teve o bronze da prova geral, que garantiu ao Brasil antecipadamente a vaga nas Olimpíadas de 2028. Resultados de um fim de semana em Frankfurt que colocaram o país entre as potências da modalidade e consolidaram o status de favorito ao inédito pódio olímpico em Los Angeles.
O topo do ranking
As brasileiras entraram no Mundial de Frankfurt como favoritas ao ouro na prova geral, a prova olímpica, que soma as duas séries. Um status alcançado graças ao desempenho na temporada, chegando à Alemanha com a maior nota do mundo na série simples (29,250) e a segunda maior da série mista (28,900), além do maior somatório em uma única fase de uma competição – conseguiu 58,150 nas finais por aparelhos do Campeonato Pan-Americano.
Top-10 conjuntos de 2026 pós-Mundial
| País | Prova geral | Prova simples | Prova mista | Potencial |
| Brasil | 58,900 (1º) | 29,450 (1º) | 29,450 (1º) | 58,900 (1º) |
| Espanha | 57,650 (2º) | 29,150 (2º) | 29,050 (3º) | 58,200 (2º) |
| China | 57,200 (3º) | 28,900 (3º) | 29,250 (2º) | 58,150 (3º) |
| Bulgária | 57,150 (4º) | 28,400 (4º) | 28,750 (4º) | 57,150 (4º) |
| Japão | 56,700 (5º) | 28,150 (6º) | 28,550 (5º) | 56,700 (5º) |
| Alemanha | 56,250 (6º) | 27,850 (8º) | 28,550 (5º) | 56,400 (7º) |
| Israel | 56,050 (7º) | 28,150 (6º) | 28,300 (7º) | 56,450 (6º) |
| Ucrânia | 54,900 (8º) | 28,300 (5º) | 27,450 (10º) | 55,750 (8º) |
| Rússia | 54,300 (9º) | 27,200 (10º) | 27,500 (9º) | 54,700 (10º) |
| Uzbequistão | 53,950 (10º) | 26,800 (13º) | 28,100 (8º) | 54,900 (9º) |
- Prova geral – soma das duas séries realizadas na mesma fase, classificatórias ou finais.
- Prova simples – cinco bolas.
- Prova mista – três arcos e dois pares de maças.
- Potencial – soma das duas maiores notas de cada série na temporada.
Na ginástica, não há um ranking oficial, uma vez que os critérios de julgamento são ligeiramente diferentes entre as competições por causa do caráter subjetivo da modalidade. No entanto, como o código de pontuação é o mesmo para todas as disputas, é possível comparar as notas conquistadas e ranqueá-las.
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Conjunto do Brasil é bronze no Mundial de ginástica rítmica — Foto: MeloGym/CBG
Domínio das finais por aparelhos
O Brasil teve um feito raro no Mundial de Frankfurt: conquistou dois ouros nas finais por aparelhos do conjunto. A última vez que um país alcançou essa marca em um Mundial foi em 2010, com a Rússia, em casa, em Moscou. Dois anos depois, as russas mantiveram a hegemonia com o título das Olimpíadas de Londres. Maiores campeãs da história da modalidade, as russas são as únicas a dominarem as finais por aparelhos em um Mundial deste século, além das brasileiras – a Grécia de 1999 e a Bulgária de 1987 também alcançaram o feito.
Consistência no pódio
Além dos dois ouros, o Brasil ainda conquistou um bronze na prova geral, mesmo tendo uma falha na série simples no primeiro dia. Isso mostra o potencial das séries brasileiras. Se antes o conjunto verde-amarelo precisava cravar as séries para se aproximar das medalhistas, agora não perde o posto no pódio nem com erro pequeno. A China de 2023 foi o último conjunto a sair de um Mundial com três medalhas e acabou campeã olímpica no ano seguinte, em Paris.
O Brasil esteve em cinco dos seis pódios possíveis em Mundiais do ciclo olímpico de Los Angeles 2028. Nenhum conjunto foi mais consistente. Além disso, faturou medalhas em todas as competições que disputou.
Desbancando gigantes
Em todos esses comparativos, o Brasil passou a se equiparar a potências da ginástica rítmica. Rússia, China e Bulgária carregam um longo histórico de conquistas, inclusive olímpicas. Foram as três últimas campeãs dos Jogos. Todas essas ficaram para trás, foram desbancadas pelas brasileiras em Frankfurt.
Russas, assim como belorrussas, voltaram ao cenário internacional em 2026, depois de quase quatro anos de suspensão por causa da guerra na Ucrânia. A mais tradicional força da modalidade, porém, vai ter de melhorar para atingir o atual patamar do Brasil. Se repetir em 2027 os resultados de Frankfurt, em que foi a 12ª da prova geral, a Rússia corre o risco de nem se classificar para as Olimpíadas.
Acertando suas séries, o Brasil só mede forças com a Espanha, atual campeã europeia e agora atual campeã mundial da prova geral. O Japão superou as brasileiras na prova geral, mas precisou cravar suas rotinas e contar com uma falha do Brasil.
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Conjunto Brasil Mundial ginástica rítmica — Foto: MeloGym/CBG
Favorita ao pódio em Los Angeles
Todos esses fatores colocam o conjunto do Brasil como um dos favoritos ao pódio nas Olimpíadas de Los Angeles, junto com a Espanha. China, Japão e Bulgária estão logo atrás nessa corrida. Manter esse status no ano que vem, com o Mundial de Baku no caminho, é a nova missão do conjunto brasileiro, mas já de olho em 2028. Tarefa difícil, mas como duvidar diante da consistência de resultados das brasileiras?
Com a vaga assegurada para os Jogos de Los Angeles, a seleção brasileira vai ter mais calma para trabalhar suas séries no ano que vem e, se preciso, resguardar suas ginastas. Tirou dos ombros o peso de brigar pela classificação. O foco agora, mais do que nunca, é a medalha olímpica inédita.
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Conjunto Brasil Mundial ginástica rítmica — Foto: MeloGym/CBG
Todas as medalhistas do Mundial de GR
Conjunto geral
1 – Espanha – 57,450 pontos
2 – Japão – 56,700
3 – Brasil – 55,500
Conjunto simples (cinco bolas)
1 – Brasil – 29,450
2 – China – 28,900
3 – Bulgária – 28,400
Conjunto misto (três arcos e dois pares de maças)
1 – Brasil – 29,450
2 – Espanha – 29,050
3 – Bulgária – 28,750
Individual geral
1 – Darja Varfolomeev (Alemanha) – 119,500
2 – Stiliana Nikolova (Bulgária) – 117,600
3 – Sofia Raffaeli (Itália) – 117,550
Arco individual
1 – Taisiia Onofriichuk (Ucrânia) – 30,700
2 – Sofia Raffaeli (Itália) – 30,500
3 – Darja Varfolomeev (Alemanha) – 30,400
Bola individual
1 – Darja Varfolomeev (Alemanha) – 30,350
2 – Sofiia Ilteriakova (Rússia) – 29,800
3 – Mariia Borisova (Rússia) – 29,150
Maças individual
1 – Stiliana Nikolova (Bulgária) – 30,150
2 – Taisiia Onofriichuk (Ucrânia) – 30,050
3 – Mariia Borisova (Rússia) – 30,050
Fita individual
1 – Darja Varfolomeev (Alemanha) – 30,500
2 – Stiliana Nikolova (Bulgária) – 30,450
3 – Mariia Borisova (Rússia) – 29,900
Equipe (conjunto + individual)
1 – Rússia – 278,300
2 – Bulgária – 276,050
3 – China – 275,400





