Campo Grande, 23 de setembro de 2026

REINALDO AZAMBUJA ‘Eu quero ser o senador dos municípios’

Candidato ao Senado pelo PL fala sobre economia, saúde, segurança pública, STF, pesquisas eleitorais, municípios e uma possível participação em eventual governo de Flávio Bolsonaro

O candidato ao Senado por Mato Grosso do Sul pelo PL, Reinaldo Azambuja, participou de entrevista ao Giro Estadual de Notícias, do Grupo Feitosa de Comunicação, e apresentou suas principais propostas para uma eventual atuação no Senado Federal. Ex-governador por dois mandatos, Azambuja falou sobre economia, saúde, segurança pública, fronteiras, relação com municípios, STF, pesquisas eleitorais e a possibilidade de participar de um eventual governo federal de Flávio Bolsonaro.

Ao longo da conversa, o candidato também fez um balanço de sua passagem pelo Governo de Mato Grosso do Sul e afirmou que pretende levar para Brasília uma atuação voltada aos municípios e à busca de investimentos. Confira a entrevista:

A Crítica: Os levantamentos recentes mostram uma disputa acirrada para a Presidência da República. Como o senhor interpreta esse cenário e o que ele revela sobre o sentimento da população?
Reinaldo Azambuja:
Eu vejo que o Brasil passa por uma extrema dificuldade hoje. O custo do Brasil está caro, o comércio não vai bem. A dona de casa, o trabalhador, está endividado. O poder de compra salarial diminuiu. Você não compra a mesma coisa que comprava há quatro anos.

A indústria brasileira está passando por um momento difícil. Ela não é mais competitiva por conta do juro alto, da Selic alta. Então, quando eu entendo que não tem nada de novo para oferecer, e pelo alto índice de rejeição daqueles que aprovam o governo, eu vejo que isso espelha uma realidade daquilo que a população brasileira está sentindo.

Medicina Inscricoes Abertas - Universidad Interamericana
WhatsApp Image 2026 09 23 at 09.59.25 REINALDO AZAMBUJA ‘Eu quero ser o senador dos municípios’
Reinaldo Azambuja durante entrevista ao Giro Estadual de Notícias, em que também falou sobre pesquisas eleitorais e o cenário político nacional – (Foto: Rafael Rodrigues)

A Crítica: Saúde, economia e segurança aparecem entre as principais preocupações dos eleitores. Como um senador pode atuar nessas áreas?
Reinaldo Azambuja:
Na economia, precisamos fazer o que nós fizemos no Mato Grosso do Sul: diminuir o tamanho da estrutura, da máquina pública. Gastar menos com o governo para gastar mais com as pessoas. Para que 38 ministérios? Estados Unidos têm 15, a China tem 25, a Argentina tem nove.

Precisamos diminuir a gastança, fazer um ajuste grande no governo federal, fazer as estatais voltadas ao lucro e cuidar das finanças do Brasil. O governo está gastando acima do que arrecada. Isso gera inflação, aumenta o custo de vida e reduz a atividade econômica.

A Crítica: E na saúde?
Reinaldo Azambuja:
O governo federal congelou a tabela do SUS. Você tem uma fila enorme hoje nos hospitais, de pessoas esperando atendimento, cirurgia eletiva, ultrassom, ressonância e tomografia. Nós precisamos aumentar a tabela SUS.

O Senado pode ajudar nisso. O Senado pode ajudar a fazer as reformas e discutir um modelo que permita que os hospitais tenham condições de atender melhor a população.

A Crítica: Como o senhor pretende atuar na segurança pública?
Reinaldo Azambuja:
Segurança é um tema que precisa de integração. Quem cuida hoje das fronteiras de Mato Grosso do Sul é muito do trabalho da polícia estadual, especialmente do DOF. Nós estruturamos essa polícia, compramos helicóptero, colocamos policiais, fuzis, armamento e viaturas novas.

Mas não dá para fazer sozinho. Eu queria parceria do governo federal, queria a Polícia Federal junto, a Polícia Rodoviária Federal mais aparelhada e com mais pessoas. Precisamos fortalecer a inteligência.

A Crítica: O senhor falou sobre segurança, mas existe também uma discussão institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Qual deve ser o papel do Senado?
Reinaldo Azambuja:
Primeiro, nós precisamos voltar à normalidade. Os poderes, pela Constituição, são harmônicos, mas são independentes. O Executivo executa, o Legislativo legisla, cuida e fiscaliza, e o Judiciário julga quando existe algum conflito.

O STF é uma corte constitucional e deveria estar focado naquilo que a Constituição estabelece. Na minha avaliação, houve uma extrapolação e existem situações sob suspeição que precisam ser analisadas.

A Crítica: O senhor defende um processo de impeachment?
Reinaldo Azambuja:
Se eu for eleito senador, espero que até fevereiro do ano que vem o Supremo cumpra seu papel. Não estamos falando em condenar ninguém. Estamos falando em afastar, investigar e, se houver culpa, punir.

O Senado tem uma prerrogativa constitucional. Se houver provas, o processo deve seguir os procedimentos previstos. Como qualquer cidadão, a pessoa precisa ter direito de defesa e, havendo culpa comprovada, deve responder por aquilo que fez.

A Crítica: O senhor aparece em posição de destaque nas pesquisas para o Senado. Como recebe esses números?
Reinaldo Azambuja:
Eu vou voltar um pouco no tempo. Em 2012, fui candidato a prefeito de Campo Grande. Você lembra do Ibope? O Ibope mentiu. Em 2014, mentiu de novo, quando ganhei as eleições para o governo. Em 2018, mentiu novamente.

Então, pesquisa é metodologia. Eu agradeço por estar aparecendo bem, mas acredito na pesquisa do dia 4 de outubro. Essa é o espelho da vontade do eleitor.

A Crítica: O senhor atribui sua posição nas pesquisas ao trabalho realizado como governador?
Reinaldo Azambuja:
Eu acredito que o reflexo de estar bem nas pesquisas é de um governo que olhou pelo social, que cuidou das pessoas, que foi municipalista e levou obras e investimentos às 79 cidades.

Eu fico muito feliz quando entro em um município e recebo um abraço, aperto uma mão e escuto um agradecimento pelo trabalho realizado. Isso mostra que valeu a pena estruturar o governo e fazer Mato Grosso do Sul crescer e se desenvolver.

A Crítica: Qual seria a principal característica do seu mandato no Senado?
Reinaldo Azambuja:
Eu quero ser o senador dos municípios. Eu fui o governador que olhou pelos municípios. Quero levar recursos, abrir portas e ajudar os prefeitos e as cidades.

No Senado, cada Estado tem três senadores. Um senador de Mato Grosso do Sul tem o mesmo peso de um senador de São Paulo. É diferente da Câmara Federal, onde a representação é proporcional à população.

A Crítica: Existe a possibilidade de o senhor assumir um ministério caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente?
Reinaldo Azambuja:
Primeiro, para um presidente nomear ministro, ele precisa ganhar a eleição. Houve uma conversa comigo e com o Rogério Marinho sobre ajudar na transição do governo, caso isso aconteça.

Eu não fujo dos desafios de ajudar o Brasil. Mas sou candidato ao Senado e quero chegar ao Senado para defender Mato Grosso do Sul.

A Crítica: Então o Senado continua sendo sua prioridade?
Reinaldo Azambuja:
Sem dúvida. Quero defender o sul-mato-grossense, a reforma tributária, as fronteiras e os interesses do nosso Estado.

Se for chamado para ajudar o Brasil, não vou fugir da raia. Mas minha prioridade é o nosso povo, nossa gente e Mato Grosso do Sul.

WhatsApp Image 2026 09 23 at 09.59.25 2 REINALDO AZAMBUJA ‘Eu quero ser o senador dos municípios’

A Crítica: Como o senhor avalia a decisão de Nelsinho Trad de deixar a disputa e ser seu primeiro suplente?
Reinaldo Azambuja:
O Nelson é uma pessoa de grupo e companheiro. Ele abriu mão de uma candidatura muito possível de ser reeleito para ajudar na unidade do grupo.

Foi um gesto de grandeza. Ele tem uma história por Campo Grande e por Mato Grosso do Sul e vai contribuir muito conosco, ajudando os municípios e o governo em Brasília.

A Crítica: O senhor faria alguma coisa diferente nos seus oito anos de governo?
Reinaldo Azambuja:
Eu repetiria tudo o que foi feito para salvar Mato Grosso do Sul. As reformas tiraram o Estado de uma situação difícil e permitiram que ele tivesse condições de fazer políticas públicas, gerar empregos e atrair investimentos.

O que eu faria diferente é a comunicação. Eu comunicaria melhor as reformas. Explicaria por que a reforma da Previdência precisava ser feita e por que determinadas medidas foram necessárias.

A Crítica: Caso o senhor seja eleito senador e Fábio Trad seja eleito governador, como seria essa relação?
Reinaldo Azambuja:
Eu fui deputado federal com Dilma presidente. Era oposição e fazia meu papel de oposição, criticando e apontando aquilo que considerava errado.

Depois fui governador com ela presidente durante dois anos. Também tivemos uma relação institucional. Depois veio Michel Temer, Bolsonaro e agora o governador Eduardo Riedel governa com Lula na Presidência.

É possível governar bem mesmo quando existem diferenças políticas. O que importa é defender Mato Grosso do Sul.

A Crítica: Quais pautas estaduais o senhor pretende levar ao Senado?
Reinaldo Azambuja:
Quero reajustar a tabela SUS, trazer de volta a ferrovia para Mato Grosso do Sul, liberar a hidrovia e olhar pelos municípios e pelos Estados brasileiros.

Também precisamos concluir obras importantes. Eu assinei a ordem da ponte da Rota Bioceânica em dezembro de 2022. Agora precisamos garantir os acessos e a infraestrutura necessária para que ela tenha efetivamente o impacto econômico esperado.

A Crítica: Para encerrar, qual mensagem o senhor deixa ao eleitor?
Reinaldo Azambuja:
Eu quero agradecer pelas oportunidades que Mato Grosso do Sul me deu, pelos espaços que ocupei para defender o Estado e nossa gente.

Quero pedir um voto para senador, mas também reforçar que a escolha pertence ao eleitor. Minha intenção é chegar ao Senado para defender Mato Grosso do Sul, os municípios e ajudar nas mudanças que o Brasil precisa.

Compartilhe

Facebook
Twitter
WhatsApp