Treinador critica estratégia do Estudiantes e explica por que deixou escalação “com mais qualidade” para o Rio de Janeiro
Por Thiago Lima — Buenos Aires, Argentina
Ao analisar o empate sem gols do Flamengo com o Estudiantes, fora de casa, pela ida da semifinal da Conmebol Libertadores, o técnico Leonardo Jardim afirmou que previu o cenário do duelo e reclamou da estratégia do Estudiantes, que abusou das faltas, segundo o treinador rubro-negro. O português também criticou o árbitro da partida.
— E insisto: o árbitro não deixou jogar. Vi situações que o árbitro nem marcou falta e o adversário agarrava, deitava no chão, dava o contato em vez de ir na bola e isso é difícil de jogar. Mas só quem esteve lá pode perceber esse tipo de situação. Eu acredito que no Maracanã o árbitro vai ser mais rigoroso nesse tipo de situação, porque assim vira rúgbi — acrescentou.
Com o empate sem gols, o Flamengo precisa apenas de uma vitória simples contra o Estudiantes, na próxima quinta-feira, para carimbar a vaga na final diante da torcida no Maracanã. Na outra semifinal, o Palmeiras saiu na frente na disputa contra o Fluminense com uma vitória por 2 a 1.
Outras respostas de Jardim
- Jogadores poderiam ser mais enérgicos na cobrança?
Acredito que os jogadores, no início, ficaram revoltados, com três ou quatro faltas que não foram assinaladas, mas o árbitro não mudou com a nossa insatisfação ao agarrar e no contato. Muitas vezes, no um pra um, o adversário nem olhava a bola, mas olhava o contato e assim é difícil de jogar. Com certeza queremos que os árbitros apitem bem. Vejo futebol em outros países e competições, que, quando os jogadores vão falar com o árbitro, ele pega o cartão (e mostra). Por que a gente precisa de atitude agressiva diante do árbitro? Ele tem que analisar bem, na minha opinião. E não acredito que eles sejam influenciados pelos jogadores.
- Demora nas alterações e Freitas ao lado do Pedro
Grande parte do jogo tinha uma presença física muito grande, nos duelos e nas bolas paradas, vocês sabem disso. No nosso elenco, nem todos são tão efetivos nas bolas paradas, e com certeza as substituições tinham que ser muito cirúrgicas. Isto é, não podíamos perder a altura porque, um exemplo, se mantenho esses dois ou três jogadores no banco, tirasse jogadores referências nas bolas paradas, cada cruzamento e escanteio já era um problema; se tivéssemos mais jogadores pequenos, ainda era pior. E vocês sabem disso. Por isso, optamos por manter a equipe organizada com essas valências importantes quando jogamos na Argentina. Mantivemos a estrutura sólida.
Quando tiramos o Paquetá, colocando o Freitas, tivemos que baixar a estrutura. A parte do Pedro e do BH, mantivemos a estrutura para ter um jogo interior melhor e mais agressivo. O Pedro também teve dificuldade de fazer ligação por dentro. Por isso, equilibramos para não desmanchar o que estava planejado. Não quisemos arriscar mudar porque aqui o adversário é muito forte.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2026/i/U/BmMIIZQAKTkqdFs0UEKQ/2026-10-16t003907z-755625126-up1emag01t6su-rtrmadp-3-soccer-libertadores-esu-fla.jpg)
Leonardo Jardim em Estudiantes x Flamengo — Foto: Agustin Marcarian/Reuters
- Nenhuma finalização no gol de Muslera:
Com certeza não chutamos ou atacamos como pretendíamos, também por mérito do Estudiantes. Como falei, muitas vezes fomos anulados com duelos e faltas, e isso matou o jogo. O árbitro foi dar um amarelo só no segundo tempo. Foi difícil jogar. Mas já sabíamos porque já jogamos aqui na fase de grupos. Foi uma luta muito grande, poucas situações de gol dos dois lados, porque é difícil jogar.
- Bruno Henrique x Pedro:
Você sabe melhor que ninguém que, nessa caminhada, somos uma equipe que está invicta, temos a melhor campanha da Libertadores dos últimos anos e, pra jogar a Libertadores, tem que ter certa agressividade, e o Bruno fez isso. O Pedro é um jogador que liga o jogo de outra forma, mas, quando apresenta este tipo de defesa, que é agressiva nos duelos, vocês viram que, em 20 minutos, fresco, ele teve dificuldade de ter a bola, porque não é a característica dele. Ele é um jogador que flutua no espaço e não teve esse espaço, e por isso nossa opção pelo Bruno, que não é surpreendente, porque é o que tem acontecido ultimamente.
- Qual a maior dificuldade de montar a equipe sem Jorginho e Arrascaeta?
Acho que nossa força é o nosso coletivo. Jorginho é um jogador muito importante para nós, Arrascaeta também, não é necessário falar a importância que tem para nós. Eu vi, no planejamento deste jogo, os 11 que jogaram aqui, neste estádio, contra este adversário (na fase de grupos), há quatro ou cinco meses. Jogaram Evertton (Araújo) e Jorginho no meio-campo, a zaga com Vitão e Danilo, e na frente o Paquetá também não jogou. Estamos falando de cinco ou seis jogadores que mudaram, e o resultado foi o mesmo. Isso quer dizer que temos elenco, temos jogadores para arrematar as situações e as oportunidades do futebol. A gente não pode lamentar os que não estão. Temos que rentabilizar e apoiar aqueles que estão disponíveis para lutar pela camisa do Flamengo.
O Flamengo não veio por um empate. E você conhece muito bem a Libertadores. Esses jogos têm uma dificuldade grande, e temos que ser competitivos, não podemos ser românticos. Temos que ser efetivos, com certeza que não jogamos o que gostaria que jogassem, sinceramente. Mas dentro do que foi o jogo, da luta, foi difícil jogar. Por isso eu aceito que nós, que somos a equipe que faz mais gols nas temporadas, que produz mais situações de ataque, hoje não conseguimos, por um mérito do adversário. E pelo impacto físico, que foi tão grande, com umas 40 faltas para cima. Muitos duelos, corpo a corpo, o que gerou dificuldade, principalmente aos nossos jogadores mais técnicos. Perdemos a competitividade, mas o equilíbrio não. Isso era importante, não podíamos ir para um segundo jogo e entregar o primeiro. A luta continua no Maracanã e queremos ser mais competentes.
- Torcida no jogo de volta e confronto do fim de semana, contra o Bahia
Com certeza que jogar em nossa casa, com os nossos torcedores, é sempre motivante e importante pra nós sermos competentes. Nesse primeiro passo, nada foi feito, pois teremos um jogo na nossa casa em que temos que ser competitivos também. Queremos ter mais qualidade técnica do que tivemos hoje, fazer gols, mas ainda temos domingo, que é meu foco nesse domingo para o campeonato, e temos que recuperar também, recuperar os jogadores com a fisiologia, pra um jogo contra o Bahia, que está fresco e tem uma boa equipe.
- Atuação de Carrillo, que foi seu jogador:
Carrillo é um jogador especialista no jogo aéreo. Foi meu jogador, vim à Argentina buscar para levá-lo para o Monaco. Era um especialista, na frente do ataque tínhamos Falcao (García), Mbappé, Valère (Germain) e Carrillo. Mas o especialista do jogo aéreo, principalmente contra equipes fechadas, era Carrillo. Porque, em cruzamentos, bolas paradas, fim de jogo dentro da área, ele era e continua a ser muito forte. Não é fácil marcá-lo. Hoje ganhou algumas bolas, mas sempre com um duelo muito forte, por isso cabeceou para a torcida muitas vezes. Porque tinha logo uma pressão sobre a bola, não subia sozinho para cabecear. Isso era difícil para nossos jogadores, ter o impacto que tem, porque ele é um dos melhores do mundo no jogo aéreo.
Faltou atacar um pouco mais e fazer os gols que não fizemos.
- Atuação de Rossi:
O Rossi esteve bem, acaba por fazer uma defesa mais importante, depois foram defesas que são o papel dele. Na saída de bola também procurou sempre ter a bola no chão, que é nossa forma de jogar. Quando não tinha opção, dava na frente e pronto. Acho que é a competência que ele tem mostrado e eu confio totalmente nas suas capacidades.
Competimos porque equiparamos algumas situações de duelos, no alto. Perdemos um pouquinho de qualidade técnica. Às vezes, no futebol, os baixinhos não podem jogar todos. Eu gostaria que os baixinhos fossem altos. Mas não, são baixinhos. E nesse jogo às vezes não dá para ter todos os baixinhos. Hoje, por exemplo, se eu tivesse que colocar o Varela ou mais dois outros jogadores no jogo, poderia. Mas perderíamos o jogo aéreo, em escanteios, laterais, e o adversário é especialista nisso, especialmente aqui em sua casa. Tenho visto muitos jogos aqui na Argentina, e quem abdica de ter uma equipe equilibrada acaba sofrendo muito nesse tipo de lance. Joga melhor, mas perde na bola parada.






