Campo Grande, 10 de outubro de 2026

CPI: Plantonistas da Prevent falavam para pacientes que precisavam entregar ‘kit Covid’ para não serem demitidos, diz advogada

A advogada Bruna Morato, representante de 12 advogados da Prevent Senior, disse que ouviu relatos de plantonistas dizendo a pacientes que eram obrigados a prescrever o “kit Covid”, senão seriam demitidos.

“Chegou a um ponto tão lamentável, na minha opinião. Esse kit era composto por 8 itens. O plantonista dizia para o paciente: ‘Preciso te dar. Se eu não der, sou demitido. Se você for tomar, toma só as vitaminas e proteínas. Os outros [medicamentos], além de não terem eficácia, são muito perigosos'”, relatou Morato.

A advogada é responsável por ajudar médicos a elaborar um dossiê com denúncias envolvendo a Prevent Senior.

O material compilado pela advogada foi entregue à comissão e cita uma série de irregularidades cometidas pelo plano de saúde durante a pandemia de Covid-19 – entre as quais, a ocultação de óbitos pela doença e a prescrição de remédios sem eficácia.

Interesse ‘vinculado ao governo’

 

À CPI, Morato também disse que informada de que, em 2020, o governo federal não queria lockdown e que a empresa, num interesse vinculado ao governo, agiu para tentar validar a eficácia do “kit Covid”, que a ciência já provou ser inútil para tratar a doença.

“A informação que me foi passada é que havia interesse inicial vinculado ao governo federal de que o Brasil não podia parar. Estavam preocupados com a possibilidade de lockdown. Por conta disso, as informações levadas aos médicos em uma reunião promovida pela instituição foi a seguinte: existira uma colaboração com relação à instituição Prevent Sênior na produção de informações que convergissem com essa teoria, de que é possível utilizar determinado tratamento como proteção. No começo, se chamava de tratamento preventivo e depois, com estudos, entendeu-se que não era preventivo, e sim, precoce”, disse Morato.

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