Central se emociona depois da conquista da medalha bronze pela equipe feminina de vôlei nos Jogos Olímpicos de Paris
Por Redação do ge — Paris, França
Muito emocionada, Thaísa se despediu, neste sábado (10), da seleção brasileira feminina de vôlei em Olimpíadas. Com a conquista do bronze nos Jogos Olímpicos de Paris, a central de 37 anos chorou, em entrevista à TV Globo, ao falar sobre o encerramento de uma trajetória vitoriosa, com três medalhas olímpicas, sendo duas de ouro (Pequim 2008 e Londres 2012).
— Acabou. Quando eu abracei meu marido, eu falei isso. Eu falei ‘acabou’. É o ‘acabou’ de encerrou o ciclo. Foi uma vida dentro da seleção, tanto de base quanto adulta. Só a gente que está aqui sabe tudo que a gente passa, tudo que a gente tem que superar e aguentar de estar aqui. Não é fácil. Mas é muito amor pelo que a gente faz. E acabou — disse Thaísa, muito emocionada.
Thaisa também se recordou do apoio de Zé Roberto para que permanecesse praticando o esporte. A dupla tinha uma relação fria, apesar dos bons resultados em Pequim (2008) e Londres (2012). Mas em 2017, a jogadora sofreu uma grave lesão no joelho e ficou perto de encerrar a carreira aos 29 anos.
Mas o técnico não deixou. Ele levou Thaisa para o Barueri, prometeu salário, plano de saúde e fisioterapia sem saber se a atleta voltaria a pisar os pés nas quadras.
— Se não fosse ele, eu provavelmente não teria voltado a jogar. Eles me deram muita estrutura, quando todos viraram as costas. Foi o momento mais difícil da minha vida e eles me deram a mão. Só tenho a agradecer, provavelmente minha carreira teria acabado ali. Ele pegou pela mão: “cara, isso não vai acontecer com você, estou com você”. Ele me trouxe de volta à vida, depois à seleção e depois conseguimos uma medalha juntos. Vou lembrar para o resto da vida, vai ficar para a história. Só tenho que agradecer. Coração cheio de gratidão pelo grupo, pelo Zé e família dele – disse, aos prantos.
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Thaisa emocionada em entrevista à TV Globo após conquista da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 — Foto: Reprodução/TV Globo
Ela fez questão de destacar a força do grupo, para o qual se tornou referência, como veterana do vôlei brasileiro.
— Eu agradeci muito às meninas, por tudo que elas fizeram, se esforçaram por mim. Eu queria muito trazer o ouro para elas, mas este bronze, para nós, vai valer bronze, porque este grupo merece esses louros. Eu nunca vi um grupo tão dedicado, um grupo querer tanto de verdade. A minha geração também queria, mas era diferente. Eu senti uma gana diferente neste grupo. Eu tenho muito orgulho de ter feito parte disso. Mas dói, eu estou feliz e triste ao mesmo tempo — continuou Thaísa, que chegou a dizer, depois da dolorida derrota na semifinal para os Estados Unidos, que a medalha de bronze seria “muito pouco”.
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Thaisa, Brasil x EUA – semifinal do vôlei feminino nas Olimpíadas de Paris 2024 — Foto: Reuters
— Para mim é isso. O empenho, o esforço, a dedicação, o querer demais, o querer fazer. Não é só na quadra que a gente tem todo esse foco e essa dedicação. É para tudo na nossa vida. É quando a gente está no quarto e quando a gente está de folga, é tudo. A gente trabalha o tempo inteiro, é 24 horas, pensando nisso, principalmente quando está nesta situação de campeonato, a gente não vive outra coisa. Muitas vezes a gente deixa de lado família, a gente mal fala, quando acontece alguma coisa em casa, ‘não fala comigo, não quero saber, depois a gente conversa’. Você abdica de tudo para estar aqui — disse Thaisa.
— Vira uma família mesmo, uma dando suporte para a outra. Elas me ajudaram muito, porque não é simples. Para mim, está sendo muito difícil. Estou com algumas dores, algumas coisas que todo mundo já sabe. É normal, atleta é isso. É superar mesmo, vai ter dor mesmo e paciência. Eu escolhi estar aqui. Se eu escolhi estar aqui, eu tenho que dar o meu jeito de performar e ajudar o time. Eu só tenho gratidão. Essa medalha coroa, sim, toda essa trajetória e essa dificuldade que eu tive de passar para estar aqui de volta. Mas não seria nada sem as meninas, não seria nada sem o grupo, sem uma por uma dando o seu melhor. Eu não ganharia nada sozinha. Eu não iria conseguir fazer sozinha.
Veja outras respostas da jogadora:
O último ponto do jogo
— Falei agora há pouco. Essa bola eu falei: “sai, Gabriela, vai ser minha”.
Despedida da seleção
— Sim, está se encerrando um ciclo, por isso chorei tanto. Uma vida inteira dedicada a isso, seleção, vôlei. Vou continuar no clube, mas a seleção é muito desgastante. Tem meninas voando, principalmente no meio peguei a Diana pelo braço e falei: “cara, está contigo. Estou passando o bastão para você, você tem condição de levar esse tive, você é muito boa”. É isso, um legado que deixo. Tentei dar meu melhor errando ou acertando.
A importância do bronze
— Queria ter ajudado mais pelo ouro. Mas o bronze é um ouro para gente. Falei que o bronze é pouco porque perguntaram se era pouco, era pouco porque eu queria o ouro. Não que o bronze fosse pouco. Mas falei que daria meu melhor pelo bronze e foi isso que a gente fez, demos tudo. Doeu muito aquela derrota. O esporte é muito ingrato, foi muito no detalhe. Depois jogamos de novo para superar a dor. Foi um dia ruim, triste, também foi bom, porque Deus deu oportunidade de fazermos diferente. Tivemos apoio do Zé e do Radamés. Dói para caramba, mas conseguimos dar a volta por cima juntas, conversamos muito para dar certo, para irmos juntas. Foi uma tônica grande desse grupo. Estão de parabéns demais. Encerro aqui, não quero falar sobre isso, porque volto a chorar, me emociona muito. Espero ter deixado coisa boa em cada coração das meninas, de todos com quem trabalhei. Não sou uma pessoa fácil de lidar em alguns momentos, mas com certeza estou dando o melhor que posso, isso que espero ter deixado.





