Campo Grande, 7 de novembro de 2026

Análise: mais um gol de bola aérea e lesões dão sabor de derrota a empate do Flamengo com o Palmeiras

Por Fred Gomes — Rio de Janeiro

O Flamengo empatou por 1 a 1 com o Palmeiras, no Maracanã, mas o sentimento é de derrota. Perdeu a oportunidade de retomar a liderança com um jogo a menos em relação ao Botafogo. Perdeu Everton Cebolinha para o restante da temporada, e há um risco enorme de perder Viña também. Para completar, o frustrante empate veio no repetido roteiro de gols na bola aérea, calcanhar de Aquiles de Tite. Foi um domingo de muitas perdas.

Flamengo perde Cebolinha mais uma vez precocemente

 

A má impressão do jogo da última quarta-feira ficou para trás rapidamente com um Flamengo que voltou a empurrar o Palmeiras para o campo de defesa. Não com o mesmo ímpeto do último dia 31 – vitória por 2 a 0 -, mas novamente com bastante agressividade.

Quem encontrava espaços na defesa adversária era Everton Cebolinha, que voltava a ser titular após um problema muscular na coxa direita. Com dois minutos de jogo, já tinha conseguido dois dribles sensacionais e a melhor finalização do time no primeiro tempo.

O momento, porém, não ajuda aquele que era o melhor rubro-negro em campo. Saiu aos 11 minutos. A lesão da vez não tinha nada a ver com o problema que o fez ser substituído aos 23 minutos do primeiro tempo da vitória por 2 a 0 sobre o Palmeiras, no último dia 31. Na ocasião, havia apresentado dores no músculo posterior da coxa direita. Neste domingo, a situação foi muito mais grave. Rompeu o tendão de Aquiles da perna esquerda e não joga mais em 2024.

Minutos após a saída de Cebolinha, a jogada mais bonita da partida parou em Weverton. Gerson tirou Giay com uma linda troca de pernas e cruzou na cabeça de Pedro, que testou com violência e obrigou o goleiro rival voar para uma defesaça.

Luiz Araújo entrou bem, apesar de não ser um especialista na ponta esquerda. Foi dele o passe para o último lance de perigo na etapa. Deu um drible de corpo em Giay e fez lindo lançamento para Arrascaeta.

Depois disso, o Flamengo perdeu em volume e não conseguiu manter o ímpeto. De toda forma, defendeu-se bem e não foi ameaçado numa etapa em que teve seis finalizações e o adversário, apenas uma. É justo dizer que os cariocas foram superiores nos 45 minutos iniciais.

Arrascaeta e Richard Rios em Flamengo x Palmeiras — Foto: Alexandre Durão

Arrascaeta e Richard Rios em Flamengo x Palmeiras — Foto: Alexandre Durão

Flamengo abre placar merecidamente, mas mexidas tiram força

 

A volta do intervalo deu um susto na torcida rubro-negra. Em quatro minutos, o Palmeiras levou perigo duas vezes com Lázaro e uma em chute de Maurício. Rossi fez duas grandes defesas neste recorte.

Passado o susto, o Flamengo voltou a ditar o ritmo do jogo, mas pouco machucava. O antes inofensivo Palmeiras, que finalizara apenas uma vez no primeiro tempo, seguia testando Rossi.

Mas o coletivo rubro-negro proporcionou a abertura do placar aos 23 minutos. Em jogada que envolveu Pulgar, Wesley, Luiz Araújo, De La Cruz e Gerson, foi Arrascaeta quem concluiu.

Sete minutos depois, Tite foi para a última janela de substituições – aos 15 da etapa final, Ayrton Lucas, após cortar o supercílio, havia dado lugar a Viña. Tirou Pulgar, que estava amarelado mas jogava bem, e colocou Allan. Sacou De la Cruz, que pediu para sair, e pôs Léo Ortiz. E realizou também uma mexida que não fez sentido: tirou Pedro e colocou Gabigol.

Sem seu melhor volante e também com a ausência de um 9 que amortece as ligações diretas de Rossi, o Flamengo perdeu o controle do jogo. Tite, em entrevista coletiva, disse que o time ganhou posse com Gabigol, mas, independentemente dos números que o treinador tem à disposição, os rubro-negros resolveram apostar no contra-ataque e trouxeram os paulistas para tentarem os gols na bola aérea, uma de suas armas.

Flamengo sofre 15º gol de bola aérea no Brasileiro

 

O Flamengo não jogava mais bola e, aos 39 minutos, o castigo veio. Raphael Veiga foi cobrar escanteio, e os 11 jogadores do Flamengo estavam na área. Gerson cortou o levantamento, e Romulo pegou sobra sozinho e cruzou. Rony cabeceou, Rossi espalmou, e Luighi apareceu para marcar.

Viña não consegue bloquear Luighi. Minutos depois, ele sofreu lesão séria — Foto: Alexandre Durão

Viña não consegue bloquear Luighi. Minutos depois, ele sofreu lesão séria — Foto: Alexandre Durão

A linha de impedimento não funcionou, e Viña, que não havia entrado bem, deu condição ao jovem. Este foi o 15º gol sofrido pelo Flamengo em bolas aéreas no Campeonato Brasileiro. Trata-se de 71,4% do total. A informação foi levantada pelo jornalista Guilherme Maniaudet, do Espião Estatístico. Um número para lá de preocupante.

 

Dos 15 gols de bola aérea sofridos no Brasileiro:

  • dois foram de falta com bola levantada na área
  • seis de escanteio
  • sete de bola rolando

 

Tite foi perguntado sobre o problema crônico do Flamengo, mas tratou o gol como uma “bola de rebote e de retorno” (leia no link abaixo). Fato é que houve um cruzamento, a linha não saiu corretamente e de maneira uniforme, e a liderança que parecia certa acabou escorrendo pelas mãos dos rubro-negros.

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